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Load Aspas Aspas #5

Muitos jogos para a família, futebol de alto nível, batalhas sobre rodas e uma das razões porque a Nintendo 3DS não é "só" para meninos

“Mario Tennis Open” – Nintendo 3DS

Mario deve ser aquele tipo chato mas “bom de bico” que convence os amigos a dedicarem-se às actividades de que ele gosta. Desta vez, para não variar, conseguiu pôr de novo o seu grupo de amigos (e inimigos) a fazerem-lhe a vontade. Resultado: vai tudo jogar tenis.

“Desta vez!?” exclamarão os mais atentos. A verdade é que desde os tempos do Virtual Boy que Mario, volta e meia, convence o pessoal a ir bater umas bolas. Hoje, cabe-me a mim decidir se vou ou não “à bola” com Mario Tennis Open na 3DS.

Em termos de jogabilidade, está presente a qualidade a que os títulos da Nintendo nos habituaram. O controlo pode ser feito tanto com o D-pad ou Circle Pad e o sensor giroscópio da 3DS permite controlar a câmara durante o jogo. Nos momentos de maior dificuldade (leia-se comichão numa parte do corpo à sorte), o ecrã inferior dá-nos uma ajuda ao incluir atalhos para realizar num só click manobras mais complexas.

A nível de conteúdo o jogo apresenta partidas single e double, divididas entre os já esperados modos “Exhibition” e “Tournament”. O primeiro é  dedicado àquela jogadela rápida só para mostrar o jogo aos amigos; o segundo, por sua vez, exigirá um pouco mais dedicação a fim de conquistar as 4 cups presentes para poder desbloquear… mais cups. Mas mesmo neste modo de jogo é possível salvar o torneio a meio para continuar mais tarde, o que fará os mais ocupados suspirar de alívio.

O lema “sempre que jogar está a ganhar” aplica-se aqui, uma vez que por cada partida, quer se perca quer se ganhe, sai sempre um prémio no formato de items desbloqueados na loja do jogo. Mas para se ir a uma loja é preciso dinheiro. E em Mario Tennis Open a melhor maneira de o ganhar não é através de um emprego chato das nove às cinco, nem tão pouco a assaltar carros nas ruas do Mushroom Kingdom, mas sim visitando o modo “Special Games”.

Neste modo o jogador tem ao seu dispor 4 provas. “Ring Shot” tem como objectivo fazer a bola passar por vários anéis numa estranha espécie de cooperação com o adversário, em “Ink Showdown” enfrentam-se, para além do tradicional inimigo, três “piranha plants” (daquela variante assim para o chato que cospe tinta) e ainda há espaço para uma visita à Super Mario Galaxy e ao original Super Mario Bros. da NES, sempre sem largar a raquete. Se em “Galaxy Run” o jogador utiliza a bola para apanhar star pieces, evitando as falhas existentes no corte de ténis (sob o qual reside uma super nova capaz de sugar… apenas a bola) já em Super Mario Tennis o objectivo é percorrer um nível de Super Mario Bros projectado num telão e utilizar a bola para interagir com os itens que vão surgindo.

Para quem assistiu aos ultímos capítulos da novela Mario Tennis, poderá sentir a falta de alguns pormenores entretanto retirados. No entanto, a inclusão de um modo online, com pessoas a sério a competir connosco, e de divertidos mini-games faz-nos esquecer que em tempos a saga incluiu um absorvente RPG mode, bem como a possibilidade de customizar personagens. Sim , eu sei que até se pode customizar o Mii neste jogo, mas quem é que quer jogar com esse boneco quando pode jogar com o YOSHI… eu cá é que não!

Francisco Abrunhosa

Brave – PS3

A Disney traz às famílias mais uma adaptação ao mundo dos jogos de vídeo. “Toy Story 3” e “Cars 2” foram algumas adaptações que conseguiram marcar a sua posição no mundo dos jogos. Será que “Brave” vai ser outra agradável surpresa?

O personagem do jogo é, tal como no filme, a jovem Merida que tem como objectivo derrotar o urso Mor’du para que possa levantar uma maldição. Assim como no filme, Merida é tudo menos a tradicional “donzela em apuros”. É um personagem independente, forte e bastante ágil, tanto com a espada como com o arco.

Os comandos são sem dúvida uma agradável surpresa. Manejamos a espada com o pressionar de um botão e disparamos com o arco apontando o analógico direito para onde queremos. É fácil e ao mesmo tempo gratificante enfrentar vários inimigos em simultâneo, utilizando o arco para os que estão mais longe e trocando rapidamente para a espada de modo a controlar os que estão mais perto.

Apesar de o conteúdo ser algo infantil, não se deixem enganar, “Brave” é um jogo capaz de surpreender até os jogadores mais avançados. Os cenários, além de visualmente apelativos e de parecerem bastante lineares, estão repletos de segredos que vale bem a pena descobrir. Neste jogo, em vez dos tradicionais coleccionáveis, Artworks, etc. que, claro, é engraçado coleccionar, mas que em nada nos ajudam durante o jogo, temos coleccionáveis que afectam de facto a nossa jogabilidade. Mesmo que acabemos por não explorar todos os níveis na totalidade, podemos chegar ao final do jogo com um óptimo arsenal. Cada inimigo é vulnerável a um determinado elemento. Podemos alternar entre elementos com facilidade para que possamos derrotá-los rapidamente. Temos o elemento Terra que chama criaturas explosivas que nos ajudam em combate, o elemento de Gelo que reduz o movimento dos nossos inimigos e também o de Fogo que queima os nossos inimigos. Sempre que derrotamos criaturas elas explodem deixando cair moedas. Essas moedas podem ser utilizadas para comprar um vasto e complexo leque de habilidades.

Uma vez que é um jogo de família, não podia deixar de haver o modo co-op (cooperativo) e o estúdio Behaviour Interactive incluiu-o da melhor forma. Um segundo jogador pode juntar-se a Merida na forma de um amigável espectro apenas com o pressionar de um botão. Este personagem tem vidas infinitas e é perfeito para um jogador mais novo que não tenha capacidade para passar o jogo sozinho. Este tipo de modo co-op ajuda a que os jogadores mais novos se comecem a familiarizar com jogos mais avançados sem que se sintam como um “fardo” que apenas atrasa o progresso do jogo.

Não se deixem enganar pelo tema algo “infantil” de “Brave”. Temos aqui um jogo bastante complexo, cheio de segredos para descobrir, puzzles para resolver, customizações para adquirir e combates sempre dinâmicos, com um manejo de arco capaz de fazer inveja a jogos mais “avançados”.

Filipe Fernandes

“Resident Evil Revelations” – Nintendo 3DS

Uma vez que bastam dez minutos no universo de Resident Evil Revelations para se perceber o quão graficamente impecável este título é, começo ja com uma recomendação – utilizem este jogo para fazer inveja àquele amigo céptico que já não acredita nas potencialidades de uma handheld porque agora tem o “angry birds” no 3310.

Não vos vou maçar com a história, digo apenas que a narrativa faz a ponte entre o “Resident Evil 4” e o “Resident Evil 5” e traz de volta os protagonistas do clássico “Resident Evil 1”, Jill e Chris. Sim, estão a pensar bem – são os mesmos que, à vez cada um, se perderam naquela mansão numa altura em que ninguém sabia muito bem porque é que uns tipos com problemas de pele e má dicção andavam  a comer pessoas.

O foco principal é naturalmente o “main quest”, que dura cerca de 10 horas e está dividido em 12 capítulos, com direito a “recap” como se de uma novela da noite se tratasse. E há boas notícias para quem estava cansado da vertente mais voltada para a acção que a série estava a tomar – está de volta o feeling dos títulos iniciais da saga (pouca luz, pouca munição, muitos monstros e alguns puzzles), desta vez aliado à actual perspectiva na terceira pessoa das iterações mais recentes. O jogo desenrola-se a bordo de um navio com decoração muito semelhante a uma certa mansão e esquadra da polícia.

Existe também um “raid mode” para andar aos tiros – sozinho ou com um amigo, que tanto pode estar à nossa beira como do outro lado do mundo (maravilhas da Internet). No total são percorridas vinte missões espalhadas por pequenas porções dos mapas gerais do jogo, onde a palavra de ordem é disparar primeiro e pensar… nunca. De foco centrado na acção, a fazer lembrar o “mercenaries mode” presente em outros títulos da saga, é um modo de jogo algo relaxante quando se pretende fazer uma pausa do “main quest”. Para além disso, o tamanho das missões tornam-o ideal para uma sessão de 5 minutos, enquanto se espera que o microondas descongele o jantar.

Acrescente-se ainda que quantas mais missões o leitor jogar, mais dinheiro e experiência vai conseguir ganhar (até rimou). Dinheiro para usar no jogo – atenção! – e nele comprar armas, upgrades e todas aquelas coisas que nos permitem matar mais e melhor em menos tempo!

Agora vocês vão à loja, desejosos de adquirir uma cópia do jogo, e deparam-se com uma versão empacotada num caixote. Fixe, trata-se de uma edição comemorativa dos 100 anos da Umbrella, com uns botões de punho e um porta-chaves a dizer “Made in Heaven”. Nada disso, é a inclusão de um circle pad pro para aumentar a jogabilidade do título, bem como o tamanho da 3DS. É verdade, a Nintendo desenvolveu este acessório que permite ganhar um novo stick analógico à direita, aumentando consideravelmente não só a jogabilidade deste título como ainda de outros jogos, nomeadamente do “Metal Gear 3”.

O novo circle pad peca pelo lado estético e pela diminuição da portabilidade que confere à consola. Levar a 3DS no bolso com isto encaixado é para esquecer. Ou vai para mochila/carteira/saco das compras do pingo doce ou então… é começar a pensar em voltar a dar uso àquelas calças largas que a malta curtia aqui há uns 10 anos atrás. Mas a nível prático a conversa é outra. Poder deixar a televisão da sala livre e desfrutar de uma experiência de gamer com dois thumb sticks e toda a precisão que estes acarretam, ao som do áudio do “Pai da Noiva 2” providenciado pelas maravilhosas colunas do vosso LCD não é para qualquer um. É só para quem não tem coragem de jogar “Resident Evil”, sozinho em casa à noite, debaixo dos lençóis.

Francisco Abrunhosa

“Beat the Beat: Rhythm Paradise” – Wii

“Beat the Beat: Rhythm Paradise” é mais uma colecção de mini-jogos para Wii na tradição de WarioWare. A semelhança entre os dois títulos vai para além do formato – o tipo de gráficos, os efeitos sonoros e a sensação de nonsense aproximam bastante as experiências de jogo. No entanto, se no Wario Ware a ideia passava mais por tirar partido das possibilidades do comando, em “Beat the Beat” tudo se resume a premir um ou dois botões e a ter um bom sentido de ritmo. Neste jogo não se esbraceja nem há jarras de flores inadvertidamente deitadas ao chão. O ouvido, esse, tem que estar apuradíssimo, e o volume bem alto. Por vezes até é de aconselhar fechar os olhos, porque entre badminton nas nuvens e um macaquinho dançante o que importa mesmo é acertar com a batida.

Nesse aspecto, não são aproveitadas as potencialidades da Wii, famosa pela interacção física entre o jogo e o jogador. Mas, na sequência dos outros jogos da série – o “Rhythm Tengoku” para o Game Boy Advance e o “Rhythm Heaven” para a DS – não desaponta ninguém e promete horas de diversão. Como muitos títulos da Wii, é mais um  jogo destinado a uma audiência ampla, tão passível de agradar aos mais pequeninos como ao grupo de amigos que se reúne depois de uma longa semana de trabalho. Pela sua mecânica simples é um jogo ideal para este tipo de encontros – ninguém vai precisar de mais do que um minuto para lhe apanhar o jeito. No entanto, o grau de dificuldade não tarda a aumentar e momentos de puro desespero são mais que prometidos a quem avançar o suficiente. Para aqueles sem talento musical este jogo pode mesmo tornar-se um bicho de sete cabeças. No entanto, tanto os visuais apelativos como a banda sonora contagiante não vão deixar ninguém desistir tão cedo.

Para além dos cinquenta mini-jogos que constituem a parte essencial do título, este conta ainda com um modo multi-jogador e um lote de jogos bónus, ambos desbloqueáveis. No entanto o desafio é sempre o mesmo – apertar o botão A – e às vezes o B – ao ritmo da música, o que se pode tornar muito repetitivo.

Este é mais um jogo que se enquadra no espírito familiar e descontraído que caracteriza a Wii e que a torna tão popular entre camadas da população que até hoje se alheavam do universo dos vídeojogos. No entanto, sendo os controlos muito limitados e a mecânica de jogo sempre a mesma, talvez fizesse mais sentido enquanto jogo vendido através do WiiWare.

 

Joana Cardoso

“Twisted Metal” – PS3

Dez anos após o último lançamento da série, “Twisted Metal” volta às consolas. Nestes últimos dez anos, muito mudou no mundo dos videojogos e a temática de combate entre veículos tem sido cada vez menos explorada. Será que “Twisted Metal” vem impor novos padrões ou será que vem dar razão à quase extinção de jogos do seu género?

“Twisted Metal” surgiu na primeira consola da Sony quando esta ainda tentava conquistar o seu lugar no mundo das consolas. No entanto, depois da saída do seu criador David Jaffe, a série entrou em decadência. Os dois títulos levados a cabo pelo estúdio 989 foram uma verdadeira desilusão. Foi com o lançamento de “Twisted Metal: Black” na Playstation 2 que a série voltou à sua antiga glória e eis-nos aqui dez anos depois, prontos para rever o último lançamento da série.

Em termos de jogabilidade este é o melhor título da série. É simplesmente impossível não ficar com um sorriso no rosto quando o jogamos. É uma sensação de pura adrenalina conduzir o nosso veículo numa espécie de arena gigante onde o caos e a destruição são quem reina e onde todos são nossos inimigos. Apesar de estarmos sempre acompanhados por uma banda sonora que assenta que nem uma luva (Rob Zombie, NWA, Sammy Hagar) neste título é também de louvar o facto de podermos utilizar a nossa própria banda sonora. Já experimentaram destruir tudo o que se encontra à vossa frente ao som de música clássica?

Grande parte das armas que podíamos encontrar nos títulos anteriores da série está também presente neste título, apesar de o estúdio produtor Eat Sleep Play ter feito algumas alterações. A juntar a um vasto arsenal de armas, cada veículo tem agora dois ataques especiais, bombas que podem ser lançadas para a frente ou para a retaguarda da viatura, novas armas como os misseis Stalker (de perseguição) e Swarmer (um ataque que dispara vários misseis em simultâneo) que, apesar de precisarem de algum tempo para carregar, podem causar enormes estragos quando disparados na altura certa. Estes são apenas alguns exemplos, como dissemos cada veículo tem dois ataques especiais, e é claro que nós não vos vamos estragar a surpresa. Se a tudo isto acrescentarmos ainda um turbo invertido e armas que podem ser utilizadas pelo próprio condutor do veículo (metralhadoras, revólveres, espingardas de cano serrado, entre outras), ficamos com um vasto leque de opções que nos permite aperfeiçoar a nossa estratégia e adaptá-la aos vários obstáculos que se atravessarem no nosso caminho.

O modo história sofreu também algumas alterações. Enquanto nos títulos anteriores tínhamos à nossa disposição um vasto leque de personagens, neste seguimos uma história linear que intercala apenas três personagens, Sweet Tooth, Mr. Grimm e Dollface. A história tem uma receita semelhante à de “Twisted Metal: Black”. Primeiro ficamos a saber os motivos que levam os personagens a entrar no torneio organizado por Calypso (um homem capaz de realizar qualquer desejo a quem vencer o seu torneio). Com o desenrolar de algumas missões a história do personagem vai sendo desenvolvida até chegarmos por fim ao confronto com Calypso e, caso sejamos vencedores, à realização do desejo. Com uma mistura bem conseguida de Live Action com CG, a história, apesar de por vezes ser um pouco rebuscada, capta o nosso interesse e consegue mesmo surpreender-nos algumas vezes.

O modo multiplayer é um estrondo (literalmente) e pode ser jogado tanto online como em split screen. Temos quatro modos disponíveis. O modo Deathmatch coloca-nos num dos enormes mapas do jogo e não é preciso muito tempo para que comece o caos e a destruição. No modo Nuke temos como objectivo capturar o líder da equipa contrária e lançá-lo contra uma efígie que representa o seu grupo. Os modos Hunted e Last Man Standing estão também repletos de caos e adrenalina.

Em suma, a série “Twisted Metal” voltou às suas origens e oferece-nos um jogo caótico, explosivo e repleto de adrenalina. Temos aqui um título capaz de nos entreter por horas a fio e se nos juntamos com amigos é diversão que não tem fim.

Filipe Fernandes


Cantinho dos Cotas – “Sensible Soccer
” (Amiga, Atari, PC)

Estávamos no início da década de 90 e a viver os gloriosos anos do Commodore Amiga e da disquete. Nessa época existiam lojas onde a pirataria era normal e bastava levar umas caixas de disquetes “virgens” e sair de lá com vários jogos. Foi numa dessas lojas que descobri alguns dos jogos que marcaram a minha vida. Um desses jogos foi o “Sensible Soccer”, que rapidamente preencheu (a par com o “Championship Manager”) todas as tardes da minha imberbe adolescência.

Desenvolvido pela Sensible Software e lançado para Amiga, Atari ST e PC (DOS) em 1992, o jogo tinha como principais características uma vista zoom-out/visão panorâmica (a maioria dos jogos até então, como por exemplo “Kick Off” e “Matchday” utilizavam uma vista mais de perto ou lateral), equipas e selecções editáveis e uma jogabilidade surpreendente, utilizando um esquema de controlo relativamente simples e de fácil aprendizagem. Um dos elementos de jogabilidade que definem o “Sensible Soccer” é a velocidade vertiginosa do jogo e os remates irrealistas cheios de efeito que permitiam marcar golos do meio campo.

Tal como acontece hoje com o “FIFA” e “PES”, surgia anualmente um novo lançamento com as equipas actualizadas e algumas novas features como o Campeonato do Mundo. A edição de 1995 (“Sensible World of Soccer 95–96”) foi provavelmente a melhor de todas e aquela que Chris Chapman, programador principal, “gostaria de ter lançado originalmente”. Em 1998 o “Sensi” (diminuitivo carinhoso utilizado pelos fãs) chegou ao Windows e em 3D. Foi naturalmente um grande erro. A última versão editada foi em 2007 para a X-Box Live Arcade e Windows Vista e basicamente é um remake da versão 96/97 (sim, em 2D).

Pedro Marques



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