Local Natives + Cloud Control @ TMN Ao Vivo (17.11.2013)

Local Natives + Cloud Control @ TMN Ao Vivo (17.11.2013)

Uma noite de plena entrega de ambas as partes

Este domingo, dia 17 de Novembro, fui até ao espaço TMN Ao Vivo para assistir ao concerto de Local Natives. É impossível não começar a escrever sobre esta banda sem que uma alegria estranha me invada o coração e me desperte boas memórias.

A estender o tapete vermelho à noite, estavam os Cloud Control, a banda convidada para abrir o apetite aos presentes, sedentos de indie rock. Não os conhecia, é um facto, mas fiquei deveras fascinada pelo bom espírito e prestação que demonstraram em cima do palco. No entanto, o som em alguns temas esteve longe da perfeição, notando-se uma ligeira distorção, talvez pelas próprias condições da sala. Foram tocadas músicas dos dois únicos álbuns lançados até à data, “Bliss Release” (2010) e “Dream Cave” (2013).

No intervalo, consegui conversar com o vocalista da banda, Alister Wright, que me deu a set-list escrita num talão da conta do jantar e que aqui partilho: «Scream Rave», «Dojo Rising», «The smoke, The feeling», «Gold Canary», «Promises», «There’s Nothing in the Water We Can’t Fight» e «SCAR». O penúltimo tema ficou-me particularmente no ouvido. Alister disse-me que nunca tocaram em Portugal e tinha gostado da experiência e do público, apesar de a noite ser mais direccionada para Local Natives. Também me disse que tínhamos uma sala num sítio tão bonito e que não percebia como a vista no seu interior não era aproveitada. Pois, boa pergunta, também não percebo.

Depois deste primeiro aperitivo, os Local Natives entraram em palco e foram recebidos em plena histeria pelo público. Confesso que estava super curiosa de os ver ao vivo num registo próprio e pessoal, sem ser em ambiente de festivais.

Recordo que a banda esteve em Portugal este ano para o festival Optimus Primavera Sound no Porto. Sobre essa prestação não me posso pronunciar porque não estive lá. No entanto, vi-os no Primavera Sound em Barcelona deste ano e, pessoalmente, foi a melhor banda a actuar e conseguiram dar um concerto memorável pelas terras espanholas. Por isso, a fasquia estava bem alta para estes rapazes de Silver Lake e nada melhor do que abrirem com o single «Breakers», do segundo disco “Hummingbird” (2013). Houve um estrondo de palmas e vozes, com cada canção a ser acompanhada por um coro compacto, corpos dançantes dos mais tímidos aos mais extrovertidos, e assim se manteve até ao fim.

Local Natives @ TMN Ao Vivo

Os cinco elementos da banda, Taylor Rice, Kelcey Ayer, Ryan Hahn, Matt Frazier e Nik Ewing estavam em plena sintonia e deram-nos «World news», «Wide Eyes», «Ceilings», «You & I» e «Warning Sign» (uma cover dos Talking Heads) até Kelcey confessar orgulhoso que a sua mulher era um quarto portuguesa e que, ao olhar para o público, gostava que ela fosse 100% portuguesa. Seguiu-se «Shape Shifter» e «Mt. Washington» com Kelcey a apelidar-nos de clappers. A explosão de adrenalina deu-se com «Camera Talk» e «Airplanes». Em «Colombia» trocaram de posições nos instrumentos mostrando uma versatilidade voraz, e o mesmo aconteceu nas restantes músicas. Tocaram «Heavy Feet» e «Bowery» com Taylor Rice a dizer que tiveram uma semana inteira no Porto, na altura do festival, e que se apaixonaram pela cidade e, juntando isso a este concerto, não nos iam deixar esperar mais três anos.

O último tema foi para «Who knows who cares» com direito a coro de vozes a entoar a parte final da canção, e foi com este registo do público que a banda abandonou o palco. Esta entoação em massa manteve-se ainda por alguns minutos até os elementos da banda voltarem para um encore com «Sun Hands» e despedirem-se atirando as palhetas e as baquetas aos fãs.

Foi tudo mágico, tudo perfeito e de plena entrega de ambas as partes. Agora a fasquia ainda está mais elevada para uma próxima vez que voltem a Portugal e espero que esta boa energia da banda não se dissipe com o tempo. Quem sabe numa próxima não enchem um Coliseu ou um Tivoli? São bons músicos e merecem uma sala melhor. No fim, ainda fui espreitar o cantinho onde estavam discos e t-shirts à venda dos Local Natives e dos Cloud Control e, para espanto meu, o Taylor Rice apareceu por lá… ainda trouxe para casa um autógrafo e uma fotografia.

Fotografia por Filipa Marta



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