Loop Recordings

5 anos de independência. Entrevista exclusiva.

Até parece que foi ontem. Cinco anos após a sua génese, a Loop Recordings é hoje uma das mais importantes editoras independentes nacionais. Para além do importante papel que teve no “despertar” do hip-hop nacional, a Loop tem apostado, com sucesso, num leque bastante alargado de sonoridades, tendo nos The Vicious Five o seu mais recente trunfo. No dia 20 de Janeiro, o Musicbox irá receber a festa comemorativa do quinto aniversário da editora. Uma noite muito especial, que contará com dj set’s de José Belo, Rui Miguel Abreu e Double D Force, o mais recente projecto de D-Mars. Leiam este artigo até ao fim e ganhem um convite para esta grande festa. 

Para ficarmos a conhecer o “ponto de situação” da Loop, trocámos algumas impressões com Rui Miguel Abreu, um dos seus responsáveis. Fiquem com a entrevista.

RdB: Qual o balanço destes 5 anos de actividade?

Rui Miguel Abreu: O balanço é, claro, extremamente positivo. A Loop conseguiu em cinco anos criar uma identidade muito forte através de cerca de 30 lançamentos. Acompanhámos o despertar comercial do Hip-Hop e fomos dos primeiros a olhar para artistas que hoje são dados seguros do nosso panorama musical. Isso, como se pode compreender, enche-nos de orgulho. Outra coisa que nos enche de orgulho é o facto de a Loop ter-se conseguido afirmar para lá da edição discográfica – produzimos eventos, realizámos workshops e dinamizámos uma série de noites em clubes de Lisboa, Porto, Coimbra e outras cidades. Tudo isso contribuiu para que estes cinco anos tenham passado muito depressa e nos tenham dado muito gozo.

“Uma editora independente” é um projecto comercialmente rentável? Quais têm sido as vossas maiores dificuldades?

Claro que pode ser comercialmente viável. As nossas maiores dificuldades são igualmente as maiores dificuldades de todas as outras editoras, pequenas e grandes. Preferimos no entanto concentrar-nos nos aspectos positivos do nosso empreendimento: acho que deixámos claro que há muita gente a fazer música de enorme qualidade no nosso país. Estamos aqui para a divulgar.

O que mudou na música nacional nestes últimos 5 anos?

O que mudou? Aquilo que sempre muda na música em qualquer espaço temporal idêntico. É certo que o mercado foi encolhendo, mas a mesma tecnologia que encolheu o mercado tornou igualmente o mundo mais próximo e ajudou a viabilizar artisticamente muitos projectos que antes seriam impensáveis.

Nestes cinco anos a Loop, por exemplo, internacionalizou-se: primeiro assinando um contrato de distribuição mundial da nossa música em formato digital, que pode ser encontrada nas principais plataformas de venda do planeta desse género, do iTunes ao Beatport. A Loop também cresceu em termos de estrutura humana – com a entrada do José Belo – e com o alargamento natural dos nossos horizontes: a estreia internacional do nosso selo Bloop Recordings, dedicado à música electrónica para clubes, está marcada para Fevereiro com a edição de um maxi que terá uma remistura de um nome-chave do panorama techno internacional e distribuição de uma das mais conceituadas marcas da área da música de dança. Também ensaiámos recentemente uma forma alternativa de distribuição com o disco de Nelassassin, “Sr Alfaiate”, que foi para as ruas com um número especial Hip-Hop da revista Dance Club. Os planos para 2007 são, claro, mais do que muitos.

Acham que existe mais “espaço” para projectos nacionais?

Obviamente. Uma cena saudável precisa de ainda mais nomes no panorama independente.

A Loop ficou, durante muito tempo, associada ao hip-hop e à electrónica. A edição do disco dos The Vicious Five “abriu” novas portas a outras sonoridades. É para continuar?

Claro que sim. Mas já antes tínhamos editado reggae ou o álbum de estreia dos Mecanosphere com um dos nossos maiores ícones rock, Adolfo Luxúria Canibal. E nunca nenhum de nós escondeu que gostava de outras sonoridades. O importante é que a associação – extremamente positiva – aos The Vicious Five aconteceu de forma natural depois de lermos uma entrevista em que eles se queixavam de não conseguirem encontrar uma editora. Ora, nós éramos uma editora e tínhamos vontade de apostar num projecto do género. E ainda por cima descobrimos um grupo de cabeça totalmente aberta, como nós. A associação foi inevitável e é para continuar.

A distribuição de projectos estrangeiros vai continuar em 2007?

A Loop é uma editora, não uma distribuidora. Os discos que até agora distribuímos – Joe Bataan e Sharon Jones – foram experiências pontuais motivadas pela nossa paixão por música e pela hipótese de produzir alguns concertos desses artistas em Portugal.

Podem-nos avançar com algumas apostas para 2007?

Estreia de Ladybird, uma cantora de R&B que tem um excelente álbum em português. Estreia em álbum do MC underground Raptor. E depois, claro, há os projectos de D-Mars, a entrada em estúdio dos The Vicious 5 (agendada lá para a segunda parte do ano), de Sagas e mais um par de surpresas. Estamos igualmente a pensar explorar um outro ângulo internacional.

A Loop tem outros projectos/parcerias previstas para 2007?

A Loop tem em carteira muitos projectos e algumas parcerias e seguramente alguns verão a luz do dia em 2007. É para isso que estamos a trabalhar.

Comemoram os 5 anos de actividade no Musicbox, dia 20 de Janeiro. O que podemos esperar nessa noite de festa?

Boa música, claro. Essa festa faz parte de um ciclo de festas que pretendem assinar esses cinco anos de actividade. O que queremos é estar com quem nos apoiou nestes cinco anos e que assim tem a oportunidade de provar ter força para nos apoiar por mais cinco. As listas recentes de melhores álbuns do ano voltam a premiar um disco com selo Loop de 2006 – neste caso o álbum de Double D Force. E isso tem sido uma constante desde 2002. É algo que nos enche de orgulho e é esse orgulho no nosso próprio trabalho que vai estar espelhado na festa do Music Box.

 



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