Lou Barlow

Nome emblemático do universo alternativo norte-americano apresenta o seu disco de estreia a solo em Lisboa e no Porto.

O ex-lo-fi Lou Barlow, responsável por projectos como Sebadoh, The Folk Implosion, Sentridoh e ex-baixista dos Dinosaur Jr, vem a Portugal apresentar o seu primeiro registo a solo. “Emoh” é o mote para dois concertos. O primeiro está marcado para a Galeria Zé dos Bois, dia 11 de Novembro, sendo que no dia seguinte o músico viaja até ao Porto para uma actuação no bar O Meu Mercedes É Maior Que o Teu.

Não deixa de parecer um pouco estranho catalogar “Emoh” como o primeiro registo a solo de Lou Barlow. Depois dos vários projectos que encabeçou, onde se transformou numa das principais figuras do lo-fi norte-americano, Barlow editou em 1994, através da Smells Like Records, um “conjunto” de temas intitulado “Winning Losers: A Collection of Home Recordings”. Como um “conjunto” é diferente de um “álbum”, “Emoh” parece ganhar o estatuto de álbum de estreia e marca na realidade uma nova etapa na vida do artista, que decidiu “limpar” a sua música de aventuras experimentais e mostrar a sua capacidade de criação de canções simples e extremamente contagiantes.

Para além da mudança conceptual na música de Barlow, “Emoh” (“home” ao contrário) revela-se um disco muito mais trabalhado e cuidado. Embora seis das catorze faixas tenham sido gravadas em casa, Barlow parece ter aderido à velha máxima – “quantidade não é sinónimo de qualidade”- tendo conseguido elaborar um disco com princípio, meio e fim e repleto de motivos de interesse.

Para além das gravações caseiras, “Emoh” apresenta oito temas produzidos por alguns dos mais respeitados nomes do folk norte-americano, como é o caso de Mark Nevers dos Lambchop, Josh Schwartz e Wally, transformando este disco num registo bem mais consistente e com uma natureza folk mais do que evidente.

Ao contrário de muitas das suas composições no passado, mais obscuras e desconcertantes, Barlow apresenta-se muito mais positivo, alegre e contador de histórias. Praticamente despido dos “artifícios” lo-fi do passado (ainda é possível ouvir um teclado Casio em “Monkey Begun” e uma ou outra referência ao passado), “Emoh” revela-nos mais um extraordinário songwriter, que fala-nos de amor, questiona a religião na bem-humorada “Mary” e homenageia os seus queridos gatos na última faixa do disco – “The Ballad of Daykitty”.

Longe de ser pretensioso, “Emoh” é um disco muito interessante, instrumentalmente simples (guitarra e alguns loops de bateria), onde a voz de Lou Barlow tem o papel principal. Canções simples, algumas que merecem ser acompanhadas por um assobio e um bater do pé.

Este é o ano dos songwriters visitarem Portugal. Quem quiser descobrir a música de Lou Barlow ao vivo e souber acompanhar com assobios (onde é que já vi este filme), tem duas oportunidades para o fazer: dia 11 de Novembro na ZDB (Lisboa), dia 12 de Novembro no bar O Meu Mercedes É Maior Que o Teu  (Porto).



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