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LUMIÈRE! e os primórdios do cinema

um filme composto e comentado por Thierry Fremaux

Aqui encontram-se reunidos alguns dos mais de 1400 filmes feitos pelos irmãos Lumiére, conhecidos pelo a invenção do cinematógrafo. Com a sua invenção deixaram os primeiros filmes da história do cinema e com eles, importantes conceitos e técnicas para aquela que viria a ser considerada a sétima arte. Embora nos Estados Unidos da América Thomas Edison tenha patenteado muitas ideias na altura em que se descobria o cinema, foi na França e mais precisamente em Lyon, que Louis e August Lumière davam os primeiros passos na criação da imagem em movimento.

Esta compilação de filmes, gravados entre 1895 e 1905, mostra exatamente como o legado destes irmãos ainda afeta o cinema. Foi com eles que nasceram várias noções como a de mise en scène (construção em cena), o travelling que apelidavam de panorama e o remake. Em filmes de apenas 50 segundos faziam experiências com a luz, com a melhor posição e movimentos do cinematógrafo. O enquadramento é em quase todos os filmes muito  bem pensado, de forma a apanhar a cena em que construíam uma pequena narrativa ou um grande plano das ruas. Surpreendiam com imagens fantásticas para a época, como a chegada de um comboio num plano da diagonal, que levava as pessoas a pensar que poderia atravessar a tela.

Nas suas experiências, muito documentais grande parte delas, exploravam vários temas desde a infância ao trabalho na França, a diversão, até que decidiram que a sua invenção devia viajar o mundo! São cerca de doze quadros, comentados pelo Presidente do Instituto Lumière e também Delegado geral do Festival de Cannes – Thierry Frémaux. Comentários muito precisos de alguém que claramente entende o papel do cinema na arte e que revelam algumas curiosidades que nos fazem pensar nestas imagens de arquivo, aqui recuperadas em 4K, como o verdadeiro tesouro do cinema. Quem diria que o desaparecer do Titanic no meio da névoa na sua partida teria sido inspirado numa gravação de 50 segundos de finais do século XIX? Ou que o andar particular de uma das personagens mais queridas do cinema – Charlot – teria sido inspirado no simples e caricato andar de uma menina com pouco mais de dois anos?

Creio que qualquer pessoa que aprecie cinema e que tenha o mínimo interesse pela sua história não consiga ficar indiferente a este filme, que mais não é do que uma homenagem ao legado dos irmãos Lumière. É encantador ver estas imagens reunidas e deixarmo-nos seduzir pelo poder que elas têm. É quase como uma máquina do tempo que nos suga para outro momento da história.

Para ver a partir de dia 12 de outubro no Porto, nos cinemas UCI Arrábida, e em Lisboa no Cinema Ideal e nos cinemas UCI El Corte Inglés. Mas se ficaram muito curiosos, podem tentar aparecer à abertura da 18.ª Festa do Cinema Francês, dia 5 de outubro às 21h00 no Cinema de São Jorge.

 



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