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MAAT | Dimensões Variáveis e Arquivo e Democracia

Duas novas exposições que abrem ao público a 8 de fevereiro na Central.

O novo edifício do MAAT vai estar fechado entre 7 de fevereiro e 22 de março para preparar as novas exposições. Neste período, manter-se-á a programação do MAAT na Central, com a inauguração de duas novas exposições: Dimensões Variáveis – Artistas e Arquitetura e Arquivo e Democracia de José Maçãs de Carvalho.

Dimensões Variáveis – Artistas e Arquitetura

Curadoria: Gregory Lang & Inês Grosso
8 FEV – 29 MAI
Central 1

«Dimensões Variáveis» é um termo descritivo muito utilizado nas legendas de obras de arte, especialmente no campo da arte contemporânea, mas de uso raro no domínio da arquitetura, no qual as dimensões são construídas, logo definidas, por natureza. A exposição propõe um novo olhar e inventa novos diálogos sobre esta relação entre artistas e arquitetura.

Organizada por núcleos temáticos, a exposição cobre temas como a relação entre a cidade contemporânea e a arquitetura, virtualização das relações sociais urbanas, dimensões do habitar e problematização da casa e do espaço doméstico, utopias arquitetónicas e modernistas, e, por último, trabalhos que se relacionam diretamente com ideias de escala, dimensões e instrumentos e sistemas de medição. Apresenta lado a lado trabalhos históricos e atuais de artistas de diferentes gerações, nacionais e internacionais, cuja prática artística promove a discussão e reflexão sobre temas que ora ampliam ora estreitam a relação entre arte e arquitetura.

Criada a partir da publicação «Artistas e Arquitetura: dimensões variáveis», editada pelo Pavillon de l’Arsenal em Paris em 2015, a exposição apresenta mais de 60 obras de 52 artistas. Nesta seleção de obras, apenas 13 estiveram na exposição de Paris.

Com Absalon, Saâdane Afif, Francis Alÿs, Nazgol Ansarinia, Giovanni Anselmo, Juan Araujo, Farah Atassi, John Baldessari, Thomas Bayrle, Pierre Besson, Julien Bismuth, Mel Bochner, Nathalie Brevet_Hughes Rochette, stanley brouwn, Carlos Bunga, Pedro Cabrita Reis, James Casebere, David Claerbout, Abraham Cruzvillegas, Thomas Demand, Denicolai & Provoost, Peter Downsbrough, Olafur Eliasson, Cevdet Erek, Larissa Fassler, Hans-Peter Feldmann, Jean-Pascal Flavien, Zachary Formwalt, Peter Friedl, Carlos Garaicoa, Isa Genzken, Liam Gillick, Dan Graham, Pierre Huyghe, Bertrand Lamarche, Gordon Matta-Clark, Rita McBride, Jorge Méndez Blake, Matt Mullican, Bruce Nauman, Olaf Nicolai, Daniela Ortiz, Alexandre Périgot, Charlotte Posenenske, Evariste Richer, Thomas Ruff, Ed Ruscha, Julião Sarmento, Rirkrit Tiravanija, Rui Toscano, Lawrence Weiner, Erwin Wurm.

 

VISITA COMENTADA INÊS GROSSO & GREGORY LANG
9 de fevereiro às 19h00

 

José Maçãs de Carvalho. Arquivo e Democracia

Curadoria: Ana Rito
8 FEV – 24 ABRIL
Central: Cinzeiro 8

 

Arquivo e Democracia é um ensaio audiovisual que resulta de um conjunto de filmagens realizadas entre 2009 e 2011, em Central, o distrito financeiro de Hong Kong e, em 2012, nessa mesma área, junto ao Hong Kong and Shanghai Bank.

A exposição desenvolve-se em torno de uma espécie de acontecimento protagonizado por uma comunidade de empregadas domésticas filipinas que se reúnem nas ruas do centro de Hong Kong, habitando-as como se de uma casa ou um quarto se tratassem, fazendo coincidir o espaço público com o espaço privado. As mulheres filipinas vivem em casa dos seus empregadores. Trabalham 6 dias por semana. Ao domingo, por ser dia de folga e porque não lhes permitem que permaneçam em casa, passam o dia na cidade, ocupando ruas e praças importantes do Central District, uma zona de comércio de luxo.

As imagens revelam um confronto, mesmo que ingénuo, entre a escala desmedida e espetacular da arquitetura e a monumentalidade das milhares de mulheres filipinas que trabalham na cidade e que nela descansam, ao domingo.

Num diálogo permanente entre a imagem fixa e em movimento, o artista, como um flâneur que transita das arcadas parisienses do século XIX para a contemporaneidade, coreografa uma multiplicidade de arquivos e dispõe em cena aquele que passa, segundo Ana Rito, a curadora da exposição.

Arquivo e Democracia adopta uma espécie de configuração espectral de Das Passagen-Werk; por oposição à burguesia parisiense que circulava pelas passagens pedonais, este fenómeno social e cultural, é protagonizado por uma comunidade underground praticamente invisível (empregadas domésticas – imigrantes filipinas). Ao domingo, emergem bloqueando e apropriando-se das ruas, do status que não é o seu, junto a lojas de marcas de roupa que não são as suas, cruzando os seus reflexos nas vitrinas, que, por sua vez, ostentam manequins que remetem para corpos que não são os seus. Ana Rito, curadora da exposição

 

VISITA COMENTADA COM ANA RITO E JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO
18 de fevereiro às 17h00

CURSO TEÓRICO DE VÍDEO-INSTALAÇÃO COM ANA RITO E JOSÉ MAÇÃS DE CARVALHO
Playground – Dispositivos de (in)visibilidade
1 e 8 de abril das 14h30 às 18h30

 

Sobre o artista José Maçãs de Carvalho

José Maçãs de Carvalho nasceu em Anadia, em 1960.

Doutoramento em Arte Contemporânea – Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em 2014; estudou Literatura nos anos 80 na Universidade de Coimbra e Gestão de Artes nos anos 90, em Macau onde trabalhou e viveu; Professor no Dep. de Arquitetura e no Colégio das Artes (Subdiretor) da Universidade de Coimbra

Foi bolseiro da F.Calouste Gulbenkian, F.Oriente, Instituto Camões, Centro Português de Fotografia e Instituto das Artes/Dgartes, Em 2003 comissaria e projecta as exposições temporárias e permanente do Museu do Vinho da Bairrada, Anadia; em 2005 comissaria “My Own Private Pictures”, na Plataforma Revólver, no âmbito da LisboaPhoto. Nomeado para o prémio BESPhoto 2005 (2006, CCB, Lisboa) e para a “short-list” do prémio de fotografia Pictet Prix, na Suiça, em 2008.

Entre 2011 e 2014 realizou 4 exposições individuais em torno do tema da sua tese de doutoramento (arquivo e memória), no CAV, Coimbra; Ateliers Concorde, Lisboa e Colégio das Artes, Coimbra; Galeria VPF, Lisboa; Arquivo Municipal de Fotografia, Lisboa e foi editado um livro (“Unpacking: a desire for the archive”) pela StolenBooks, em 2014. Em 2015, foi publicado um livro de fotografias suas, “Partir por todos os dias”, na Editora Amieira. Já em 2016, participa no livro “Asprela”, fotografia sobre o campus universitário do Porto, editado pela Scopio Editions e Esmae/IPP.

 

Sobre a curadora Ana Rito

Ana Rito  (Lisboa, 1978).
Doutorada em Belas Artes. O seu domínio de especialização centra-se nos novos media, performance e vídeo-instalação, a imagem movente e as dinâmicas do espectador, plataformas transmedia, curadoria e programação.

Dos seus projetos curatoriais destacam-se a exposição SHE IS A FEMME FATALE, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Coleção Berardo, em2009; One Woman Show, Organização do Ciclo de Filmes em colaboração com o Festival Temps d`Images, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, em 2009; SHE IS A FEMME FATALE#2, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Biblioteca do Campus de Caparica, Almada, em 2010; OBSERVADORES – Revelações, Trânsitos e Distâncias, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Coleção Berardo, (Co-Curadores Dr. Jean-François Chougnet e Hugo Barata); CURATING THE DOMESTIC – Images@home, Trienal de Arquitectura de Lisboa, em 2013; A IMAGEM INCORPORADA/THE EMBODIED VISION – Performance para a câmara – Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC), com co – curadoria de Jacinto Lageira, em 2014.

 



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