Macbeth

"O próprio corvo enrouqueceu!". Clássico de Shakespeare em cena no Trindade.

As Produções Teatrais Próspero e a INATEL levam a cena, na sala principal do Teatro da Trindade, entre 23 Janeiro e 15 Março, um clássico da dramaturgia mundial: “Macbeth” de William Shakespeare. Uma tradução e adaptação de Fernando Villas-Boas e encenação de Bruno Bravo que conta com a interpretação dos actores Anabela Brígida, António Rama, Bruno Simões, Cristina Carvalhal, Diogo Dória, João Lagarto, Sérgio Praia e Valerie Braddell.

No ano da comemoração dos seus 140 anos, o Teatro da Trindade abre as portas a uma das mais importantes tragédias do teatro de Shakespeare. Apresentada pela primeira vez em 1606, aquando da visita do Rei da Dinamarca ao Rei Jaime I de Inglaterra, “Macbeth” conta a história de um bravo e leal nobre que se deixa deslumbrar por um futuro marcado pelo poder.

Uma ambição desmedida e irracional que o levam a cometer o mais terrível dos crimes… Macbeth mata o seu próprio Rei! O Rei Duncan que se alojava em sua casa, o Rei que o havia presenteado com dois nobres títulos, o Rei traído pela ganância de um homem que se vê ele próprio atraiçoado pela sua crescente sede de poder.

Macbeth é inicialmente um homem leal, que nos chega a parecer humilde. De regresso a casa, acompanhado pelo seu companheiro Baquo, é interpelado por três bruxas que lhe revelam que será Rei. Incrédulo e perplexo acaba por ser incentivado pela sua mulher, Lady Macbeth, a tornar o futuro mais próximo. O caminho mais curto entre Macbeth e o poder é a morte do Rei Duncan… e assim se cumprem as profecias do coro de bruxas. Este é um pequeno passo para que toda a vida de Macbeth siga um único caminho. A destruição de todos os que estão à sua volta, a confiança cega no que o coro de bruxas profetiza, a dependência total no mal… tantas tragédias que o próprio corvo enrouqueceu ao anunciá-las.

O elenco de “Macbeth” desdobra-se para dar corpo e alma ao ambiente agreste de uma Escócia do Séc. XI. Uma Escócia em guerra com a Inglaterra e constantemente invadida pelos Vikings da Noruega. Neste palco, a natureza comunga das tristezas e das traições das personagens, os nobres são valentes e leais e o Rei é bravo e justo. Do leque de actores que desempenham as diversas personagens de Shakespeare João Lagarto, que interpreta Macbeth, é quem mais alterações sofre ao longo da peça. Inicialmente um homem íntegro, deixa-se vencer pela cobiça e acaba profundamente atormentado pelos fantasmas da sua própria consciência. O seu porte torna-se altivo, a sua voz rude, os seus movimentos desgovernados e dos seus olhos já não sai bravura, mas sim ódio.

Lady Macbeth, interpretada por Valerie Braddell, faz o percurso contrário… É ela que planeia a morte do Rei Duncan e que leva Macbeth a executá-lo. Chama cobarde a Macbeth, mas só mais tarde se apercebe que criou um monstro e não lhe consegue travar os seus letais ímpetos.

No final as questões mantêm-se sem resposta… Porque matou Macbeth o seu Rei? Porque chacinou todos à sua volta? Porque seguiu tão cegamente as profecias das 3 bruxas? Tinha Macbeth tanta sede de poder ou era sua mulher Lady Macbeth que desejava o trono? Como é que um homem leal se torna num assassino sem escrúpulos? Talvez a resposta se possa encontrar na fronteira ténue que separa o bem do mal… Na luta constante que a nossa própria consciência trava entre o certo e o errado.



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