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The Magnetic Fields @ Teatro Maria Matos | 2 de Maio de 2012

69 grandes canções de amor e outras não tão boas

Stephin Merritt deve ser um tipo perversamente romântico. Dentro daquelas três rodelas a que chamou “69 Love Songs” está um manual do amor – da dor de corno, da rejeição, da merda que é ter uma desilusão amorosa. O amor é fodido, diz o título de um famoso livro de Miguel Esteves Cardoso, ele que sabe como poucos o quão fodido é o amor e sabe pô-lo no papel como quase nenhum. Mas não dispersemos, custa bater no ceguinho, mas “69 Love Songs” marca a carreira dos Magnetic Fields – uns apontam-no como o grande disco da carreira de Merritt, outros colocam-no na prateleira dos sobrevalorizados. Estas 69 canções de amor são, a par de “Holiday”, álbum de 1995, os dois momentos em que a banda de Boston atinge o ponto mais alto de uma carreira irregular.

“Love at the Bottom of the Sea” é o décimo de estúdio e é motivo para nova passagem por Portugal, quatro anos depois da última visita, na Aula Magna. É álbum de regresso às origens, é álbum que não entusiasma por aí além. Toda aquela introdução inicial centra-se em “69 Love Songs” por uma razão: são as canções do disco triplo de 1999 que melhor resultam ao vivo – talvez por também serem, de longe, as melhores. «A Chicken With Its Head Cut Off», «Come Back From San Francisco», «No One Will Ever Love You», «The Book of Love», «You Must be Out Of Your Mind» e, principalmente, «All My Little Words», são exemplos e o facto de a banda as privilegiar é sintomático.

Stephen Merritt é um compositor clássico, abraça a folk mais do que qualquer outra coisa e parece avesso às linguagens do século XXI – e mesmo dos últimos 20 anos do século XX. Não consegue ouvir hip hop, por exemplo. É um tipo baixo, muito baixo, de humor subtil e a voz de quem parece estar constantemente embriagado – nada contra. A formação revela essa mesma admiração folk que Merritt faz questão de não esconder – piano, violoncelo, guitarra acústica, ukulele e acordeão. A electricidade, essa, ficou quase toda condensada nesse belo disco shoegaze que é “Distortion” – título auto-descritivo.

Mais do que apresentar as novas canções, os Magnetic Fields vão picando o ponto a nível de edições discográficas, sabendo que o que realmente nos interessa está lá atrás. Não deverá levar mais de sete anos até que os cinco se lembrem de fazer uma digressão de comemoração do 20º aniversário de “69 Love Songs”. Será o concerto da vida de muita gente – os mesmo que se deixaram apanhar por um disco ironicamente intemporal.

Fotografia por José Eduardo Real. Galeria fotográfica aqui.



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