M.-J.-Arlidge

“Mal me quer” de M. J. Arlidge

Um dia de raiva

A vida da inspetora Helen Grace é uma espécie de vórtice que ameaça seriamente quem se aproxima. O seu magnetismo é de tal ordem caótico que os efeitos colaterais são previsivelmente destruidores. Assim era, é e será. E o grande responsável é M. J. Arlidge, escritor britânico que nos fez chegar recentemente Mal me Quer (Topseller, 2017), o sétimo livro da série e um dos mais negros e sinistros.

Tenho como ponto de partida (e chegada) um misto de violência gratuita sob o mote de uma fria e crua vingança, Mal me Quer é sublinhado por várias camadas de um negrume sob a forma de uma série de assassinatos cometidos na cidade de Southampton cujos arquitetos são um misterioso par que não poupa a meios para conseguir os seus fins.

Tudo se passa em menos de 24 horas num dia igual a tantos outros, ainda que este sublinhado com ondas de aleatória violência que coloca Helen Grace, e toda a sua já habitual equipa, no olho do furacão. O resultado é um thriller sinistro, rápido, alucinante e, por vezes, duro de ler e roer.

Ainda com a memória bem fresca face aos últimos acontecimentos que levaram Grace para atrás de grades, tudo e todos são motivo de desconfiança por parte da inspetora incluindo a própria equipa.

Mal-Me-Quer-Capa

Ao longo de 126 intensos, curtos e rápidos capítulos, o leitor é confrontado com a urgência de uma brutalidade que leva Helen Grace a mostrar uma outra faceta da sua personalidade que a tornou fria, optando por um isolamento que terá consequências, e sempre ameaçada pela culpa e em luta interior contra quem não consegue perdoar e pode irremediavelmente perder.

No outro lado da barricada está uma desesperada e determinada Daisy que abraça uma missão destruidora e que emocionalmente remete para o fantasma de Marianne, a irmã morta de Helen, e um dos personagens mais intrigante de todo a série. Outra das personagens que Arlidge não prescinde é Emilia Garanita, a jornalista que vive um período de expiação forçada e que terá um papel decisivo neste livro, no caso um exercício voyeurista em nome da recuperação de um lugar de respeito, pessoal e profissional, e autoestima.

De leitura compulsiva, como qualquer livro de Arlidge, Mal me Quer abandona-nos à mercê de uma assassina implacável que luta contra o passado, desafia o presente, esquecendo um futuro que não entende ou procura. Os arrepios estão ao virar de cada página e as ações estão além de quem as comete pois a raiva pode muito bem ser mais eloquente que os laços de sangue.



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