rdb_artigo_maomorta

Mão Morta @ São Jorge

Quinta-feira, 1 de Abril. Casa merecidamente cheia para receber o regresso dos Mão Morta a Lisboa, naquele que foi um dos melhores espectáculos de grupos portugueses que a capital viu em largos meses.

O público pediu, os Mão Morta não se fizeram rogados e entregaram de bandeja um dos espectáculos que irá marcar o 2009 musical de muito boa gente. O último concerto dos bracarenses em Lisboa foi em Março de 2005, tirando uma data no ano passado integrada na digressão conceptual “Maldoror” – quatro anos depois, soube bem voltar ao clássico concerto rock de Adolfo e amigos.

Em palco, os anos parecem não passar pelos Mão Morta. A energia é a de sempre, se não maior. Apesar do estatuto de veteranos (são 25 anos a rock’n’rollar comemorados em 2009!), ainda é possível observar no colectivo a vivacidade e satisfação de uns novatos após um concerto bem sucedido. E isso é bom, muito bom.

O alinhamento, certeiro e eficaz, ajudou também ao sucesso da noite. «Ventos Animais», que dá nome à digressão actual, «Budapeste», «É um jogo», «Bófia» e «Cão da Morte» foram alguns dos momentos de destaque do corpo principal do concerto. Em encore, menção especial para «Charles Manson», «Anarquista Duval», e um regresso ao palco não previsto para o término com «Velocidade Escaldante» e «Oub’Lá».

O público, esse, correspondeu q.b. ao apelo da banda, mesmo devidamente limitado pelas cadeiras do São Jorge (era experimentar tirá-las e certamente algum corpo de intervenção médica seria necessário).

Os Mão Morta são daqueles grupos que não enganam. Com um quarto de século de história e largos anos de vitalidade artística ainda pela frente, são dos poucos colectivos dos quais se sabe à partida o que esperar em espectáculo. Não que tal implique maior ou menor previsibilidade de alinhamento, antes reflecte uma postura de respeito e cumplicidade com os fãs que poucos em Portugal se podem gabar de possuir.

Por falar em fãs, foi também curioso reparar nalgumas camadas mais jovens presentes no São Jorge, alguns dos quais que provavelmente nem eram nascidos quando Adolfo e sus muchachos fundaram os Mão Morta.

“Ventos Animais”, a digressão, prossegue. É ir ao MySpace dos Mão Morta espreitar as datas que se seguem. Uma dica: aproveitem, que não é todos os dias que uma das bandas mais desafiantes do nosso Portugal à beira-mar plantado nos oferece espectáculos rock como o que o São Jorge viu. Ah, e não se esqueçam de lhes dar parabéns pelos 25 anos de rock.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This