Entrevista Márcia – Fotografia de Rita Carmo

Márcia @ CCOC (7.2.2014)

O "Casulo" no Centro Cultural Olga Cadaval

No passado dia 7 de Fevereiro Márcia iniciou uma pequena série de concertos de promoção do mais recente álbum “Casulo”.

O primeiro foi em Sintra, no Centro Cultural Olga Cadaval, seguindo depois para norte, onde vai tocar em sessão dupla na Casa da Música no Porto, rumando depois para Ovar e Sever do Vouga.

Daquilo que foi apresentado em Sintra, pudemos constatar várias realidades, sendo que uma das mais pertinentes é a de que Márcia tem tido uma evolução enorme no que toca à cimentação do seu sucesso. Registo após registo, mantém-se fiel a si mesma, mas ao mesmo tempo sempre com capacidade de apresentar algo novo; sempre com uma força criativa e melódica excepcionais.

Mas entrando naquilo que foi o concerto, conseguimos ouvir as cantigas novas, antigas e até participações em álbuns de outros artistas. Foi um concerto regado a risos e gargalhadas, excelente música e óptima energia.

Um dos aspectos mais interessantes de um concerto, principalmente neste ambiente mais íntimo, acabam por ser aqueles momentos que os músicos nos proporcionam ao contar as histórias por detrás das canções. E histórias tão maravilhosas como inspiradoras. Se não vejamos o caso daquela que resultou da força de viver de uma sobrevivente do terramoto do Taiti que saiu dos escombros a cantar. Márcia fez o paralelismo com a crise e o peso da palavra; aquela senhora que tinha tudo para estar terrivelmente triste por toda a destruição que a rodeava cantava e celebrava a vida. Não devíamos todos fazer o mesmo?

Ou de «Sussuro», que é uma homenagem a um artista que faleceu e que Márcia quis homenagear. Exemplos de emoções fortes, de lágrimas caídas aquando da gravação, como em «Desmazelo».

Os convidados começaram a entrar quando «Menina» foi apresentada, a canção que conta com a participação especial de Samuel Úria (Sami para os amigos). Um cúmplice que respeitou as exigências da amiga e escreveu segundo a métrica exigida como se fosse Sudoku (palavras de Samuel), um hino de força e calma para que Márcia deixasse de se sentir tão nervosa antes dos concertos. Segundo Sami, não colheu frutos, pois Márcia ainda fica ansiosa.

Outro convidado especial foi Jorge Cruz, outro amigo com que Márcia já colaborou no álbum “Barra 90”, mais especificamente na canção «Tornados», a música que emocionou Jorge ao ouvi-la ainda em gravações.

Houve também um outro convidado que subiu ao palco, descendo a escadaria da sala a tocar trompete, acompanhando «Vem» do LP “Dá”. Um excelente momento, não fosse essa canção outro exemplo de pura iluminação.

Para o final ficou a primeira música de Casulo; «Decanto» arrepiou não só por ser uma música maravilhosa mas por ter terminado com uma força enorme, um verdadeiro momento de apogeu musical. Tão forte, tão bom…

Já no prolongamento do concerto, tocou-se a música com mais acordes e que por isso toca pouco. «Novelo» pode ser um conjunto de nós no que toca à guitarra, mas é realmente outro excelente exemplar do álbum “Dá” a par com «Cabra Cega» que fechou o concerto com todos em palco, numa energia contagiante.

Talvez para a próxima Luísa Sobral seja uma das convidadas, de tanto que foi referida no concerto! Outra amizade curiosa que gostávamos de ver partilhada em palco.

No final há sempre agradecimentos, mas obrigado nós (aqueles que se sentam na escuridão) à Márcia por não despejar música atrás de música. São estes serões que unem o público ao artista num outro nível. Obrigada por querer ver a nossa cara quando fala com o público! Só nos faz sentir especiais, ainda mais, pois de certo modo já somos sortudos por termos gente como Márcia, Samuel Úria e Jorge Cruz a partilhar connosco tamanho talento.



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