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Maria de Medeiros

Conversa com a madrinha da 13ª Festa de Cinema Francês e protagonista do mais recente filme da iraniana Marjane Satrapi, "Galinha com Ameixas"

Um segredo leva Nasser Ali Khan, um violinista, a desistir da vida em nome do amor e da música. “Galinha com Ameixas” é o mais recente filme da iraniana Marjane Satrapi e do francês Vincent Parannoud que estreia no dia 18 de Outubro (em exclusivo nos cinemas UCI El Corte Inglés e UCI Arrábida). Repleto de misticismo persa e magia oriental, o filme retrata Teerão no ano 1958. A actriz e cineasta portuguesa Maria de Medeiros, madrinha da 13ª Festa do Cinema Francês, representa uma personagem ingrata e descabida.

Maria de Medeiros concedeu uma entrevista à RDB de modo a partilhar um pouco o seu trabalho, pensamentos e ideias.

Foi nomeada madrinha na 13ª Festa do Cinema Francês, que significado lhe atribui?

É uma grande honra e alegria para mim. Estou na minha cidade natal e fui convidada pelo Institut Français du Portugal. Obviamente que fico feliz por representar dois países aos quais estou intimamente ligada.

Foram escolhidos seis filmes seus para exibição na Festa do Cinema Francês. “Capitães de Abril” é um deles. Acha que este filme vem despertar algum sentimento nos portugueses, dada a situação política e económica actual?

Sempre tive muito orgulho na Revolução dos Cravos, e cada vez mais admiro os portugueses, que, sem violência, através do diálogo e com uma atitude democrática, sempre se afastaram de pseudo revoluções violentas de uma forma exemplar e pacífica. Tenho esperança na união dos portugueses, são pessoas formidáveis.

 

O seu filme “Repare Bem” está na linha política do “Capitães de Abril”

“Repare Bem” é uma longa-metragem e será exibida em São Paulo. É sobre o trabalho da Comissão de Anistia e Reparação no Brasil, aborda uma família que teve um destino violentíssimo, foram vítimas da ditadura e o estado acabou por dar-lhes uma nova oportunidade.

Com participação em cerca de 50 filmes, é nitidamente uma das maiores representantes portuguesas no cinema internacional. Acha que o cinema português caminha para uma internacionalização positiva?

O cinema português está estagnado, contudo o pouco que se faz é extremamente respeitado e admirado no mundo. É uma pena que não divulguemos mais os nossos filmes, existe uma ausência de Política Cultural. Sinceramente estou preocupada com a situação interna do cinema português, mas tenho esperança que com a nova lei do cinema tudo volte a encarrilar.

Em “Galinha com Ameixas” a sua personagem é antipática. Foi interessante para si desenvolver uma personagem com esta característica psicológica?

Sempre admirei imenso a Marjane. É um modelo para mim, uma mulher muito inteligente e criativa. Quando me pediu para representar esta personagem antipática, feia e problemática, desculpou-se ao mesmo tempo. Mas ela sabia que eu tinha o humor necessário para abordá-la e foi muito estimulante para mim defender uma personagem ingrata. O desencontro dela com o marido é trágico, apesar de poderem ser um casal perfeito.

“Galinha com Ameixas” tem todo o potencial para cativar os espectadores portugueses?

Sim, é um conto oriental filosófico, um mundo mágico que a Marjane e o Vicent conseguiram recriar muito bem. O filme já estreou nos Estados Unidos e foi muito bem recebido pelo público.

E a si, cativou-a?

Fiquei maravilhada com o cenário. Como foi gravado em estúdio, tudo teve que ser recriado ao milímetro. Uma técnica muito bem pormenorizada pelo jovem cenógrafo alemão.

 

As filmagens foram em Berlim…

Foram dois meses de trabalho, havia uma mistura de origens, culturas e alguns franceses. Estávamos juntos por um motivo que era a produção deste filme.

Participa no projecto “Spiritismes” do Guy Maddin 

Já em 2003 trabalhei com o Guy Maddin no “The saddest music in the world”, onde contraceno com a Isabella Rossellini e o Mark Mckinney. O “Spiritismes” é um novo projecto composto por 100 curtas-metragens filmadas em museus no qual eu participo em duas delas. É uma compilação de guiões esquecidos pelo mundo, ressuscitados e adaptados às curtas pelo Guy. Filmámos no Centro Georges Pompidou em Paris com o público à volta, foi muito divertido. Já gravei a minha parte, mas o projecto continua até Nova Iorque no MoMA, entre outros. Talvez volte a participar.

Qual a sua preferência: representação ou realização?

Ambas. Cada uma me preenche à sua maneira e agora acrescentei mais uma à lista, a música.

 



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