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Marta Hugon

A voz que canta o tempo.

“Different Time” conta histórias de tempos e memórias na voz de Marta Hugon, a vocalista dos músicos, como é conhecida no universo do jazz.

Depois de revisitar grandes clássicos que culminaram no lançamento de dois álbuns – “Tender Trap” (2005) e “Story Teller” (2008) – Marta Hugon decidiu apostar em temas originais. O mais recente trabalho, que já está disponível em todas as lojas do país, é composto maioritariamente por letras escritas pela cantora (com excepções para os temas «For no one» e «I’ll be tired of you»). Apresenta-se numa vertente mais pop, com mais swing, como é o caso dos temas de lançamento «Swim Slow» e «Lightweight». Para a vocalista, este lado mais pop reflecte as influências das músicas ouvidas pelos elementos do grupo com quem trabalha, mas prefere falar de um “disco de canções, de canta-autor”. Contudo, reforça “há muita coisa do jazz, apesar de haver arranjos para cordas e sopros e uma guitarra permanente em quase todos os temas”.

Pretextos não faltam para que este seja de facto um tempo de mudança, “a different time”, como indica o título do álbum. “Não há tempos melhores ou piores, há tempos diferentes. E este é um tempo diferente de todos os pontos de vista, porque é a primeira vez que arrisco no território dos originais, porque pessoalmente também aconteceram coisas na minha vida, tive uma filha”, explica Marta. Num disco em que se sente uma grande intimidade, as músicas vão esculpindo uma relação com o tempo, numa perfeição que se reconhece nos detalhes. A discrição é feita pela cantora: “O disco vive e explora muito a questão do tempo, não só de memórias, mas do efeito que o tempo tem sobre as pessoas.”

Nos dois discos anteriores, a interpretação dos standards desenhou-se numa forma pura, honesta, fruto das aprendizagens que a vocalista foi ganhando ao longo dos tempos. Neste álbum reconhece-se um diálogo perfeito entre as letras e a composição instrumental, cujos arranjos orquestrais ficaram a cargo de Filipe Melo. Mas o porquê desta espera de seis anos para se lançar nos originais? A resposta saiu com naturalidade. “Precisei dos outros dois discos, houve um processo de maturação anterior para chegar à ideia do que é que queria fazer e depois conseguir concretizá-lo”. Tal possibilitou ainda criar uma composição mais coesa e “arranjos mais modernos em termos de linguagem do jazz”.

Ouvir este disco é viajar por vários caminhos. E, como diz a cantora, este não é simplesmente um disco de jazz, é um testemunho pessoal, o partilhar de histórias simples, intemporais, com uma fluidez natural. O resultado é a soma de uma rara e poderosa empatia do trabalho que faz, desde 2004, com o seu trio: Filipe Melo (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo) e André Sousa Machado (bateria). “Acho que só era possível fazer este disco com estas pessoas. Tive sempre a certeza de que as coisas tinham de ser como foram e que tinha de ser com estes músicos para o disco sair desta forma”, contou.

Alguns dos temas já estavam escritos – como é o caso de «Time», que contou com a participação especial de André Fernandes, e «Forget Paris», que teve a presença especial de Bernardo Sassetti – mas a maioria dos temas foi escrito de raiz, num trabalho que se prolongou dia e noite, por vários meses. “Foi um trabalho muito intenso na parte da composição e depois posteriormente na gravação.” Sobretudo com Filipe Melo, responsável pela música e arranjos orquestrais, já que a tarefa de adaptação um ao outro não foi fácil. No entanto, Marta revelou que “precisamente por haver essa relação tão próxima, cria-se uma energia muito própria para o grupo que possibilita o lado que traz a discussão, que haja tensão quando é preciso decidir algumas coisas, mas que faz parte do processo de criação”.

Marta Hugon caiu na “armadilha do jazz” aos 21 anos quando começou a cantar, a fazer formações na área do jazz. Fez alguns concertos, participou em workshops com grandes nomes como Norma Winstone e Paula Oliveira e deixou-se apaixonar por esta linguagem. É no Hot Club, onde actualmente dá aulas, que conhece os músicos com quem trabalha e se solidifica como cantora de jazz. As inspirações procura-as em Joni Mitchell, Nick Drake, Elliot Smith e Beatles, mas destaca como “luz guia” os músicos portugueses Mário Laginha, Bernardo Sassetti, André Fernandes e Mário Delgado. “Aprendo muito com as pessoas com quem toco e estes músicos são um exemplo de humildade, vivem a música de uma forma muito honesta, dão tudo pela música e o único objectivo que têm é fazer cada vez mais e melhor música.”

O lançamento de “Different Time” vem comprovar que o universo do jazz ganhou uma nova voz, que está para ficar de pedra e cal. Por enquanto, a cantora quer mostrar o trabalho que produziu dando concertos, até porque “um disco só está completo depois da pessoa o tocar e de o fazer viver em palco”, referiu. E é isso que pedimos a Marta, que suba aos palcos e faça soar as melodias que cantam memórias intemporais e tempos distintos. Porque queremos ouvi-la. Muitas vezes.

Concertos – showcase

FNAC – Chiado (10 Novembro)
Vasco da Gama (26 de Novembro)
Almada (11 Dezembro).



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