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Não há nada que não se pague nesta vida – Martírios [Mátria ou Amor-te]

"Martírios", um trabalho que estreou a  27 de Março de 2012 no Teatro Extremo (Almada), sobe agora ao palco do Turim

«As boas coisas são sempre as que duram menos. E vocês sabem que há muita verdade nisto. As coisas más também não têm que durar mais tempo do que o necessário» – diz-nos Antónia, a personagem encarnada por São Nunes. «Para construir esta personagem, recorri às minhas memórias, à minha experiência de vida; mas também às experiências dos outros. Foi uma pesquisa diária, que aconteceu em vários momentos, por exemplo, quando estava em casa sozinha a lavar a loiça» – disse-nos São, que se apresenta na primeira parte da peça em monólogo.

Antónia é uma mulher que viveu a vida, que vive com as marcas do passado e decidiu não ter futuro. O seu rosto é apresentado na tela (a peça contém vídeo-projecções) como se de sombras se tratasse: «No fundo, ela já está morta» – diz-nos Afonso Guerreiro, encenador e responsável pela adaptação do texto (em conjunto com Rui Silvares). «A personagem fala-nos de pedaços de coisas que acontecem a todas as mulheres. E da impossibilidade de matar o amor» – acrescenta Afonso.

Na segunda parte, duas mulheres dos nossos dias estabelecem um diálogo virtualmente verdadeiro. Falam da existência, do que realmente é e que se pode ver e tocar, do amor (o pior de todos os vícios?), do perguntar e do falar.

Ana Margarida Leal e Lucila Pereira dão corpo a duas guerreiras, a duas resistentes dos tempos de hoje. «A minha personagem atingiu já um certo nível de espiritualidade e está disposta a morrer por aquilo em que acredita» – disse-nos Ana. Já Lucila refere a forma como «abordamos aqui o conceito filosófico de missão. Estas mulheres vão morrer, mas ainda assim têm planos para o futuro. A minha personagem ia casar».

O espectáculo pertence à companhia ARENA de Feras, uma associação cultural nascida em 2011 e que conta com a orientação de Afonso Guerreiro.

Entre a morte e mulheres-bomba, haverá lugar para o amor? Para Afonso Guerreiro, esta peça é «a apologia da transformação através do amor». Venha descobrir como, no Teatro Turim, em Benfica, de 25 a 28 de Outubro e de 1 a 4 de Novembro (21h30m e 17h – domingos).



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