maze_header

Maze Lab

Labirinto de Amizade.

O terceiro disco dos Maze Lab, “Evolution”, revela um conjunto de temas onde pretendem “passar uma mensagem diferente, mais esperançosa, mais descontraída”, diz o guitarrista Luis Peleira (mais conhecido por Néné) à RDB. Depois de “Would You” (2005) e do EP “Naked Words” (2009), este álbum traduz a longa cumplicidade entre os elementos desta banda de Oeiras. Paulo Ramos (vocalista), Zé Moreira (baterista) e Leopoldo Gouveia (baixista) completam o quarteto. João Martins (produtor) e Paulo Arraiano (autor do artwork do CD) são preciosos no resultado final do trabalho. A entrevista que se segue une o nome de Chris Cornell às palavras geração, céu, hotel e imperiais.

“A melhor versão de nós está em cima do palco”

Os Maze Lab formaram-se oficialmente em 2003, mas a relação entre os elementos é muito anterior a essa data. Fala-nos um pouco dessa ligação e em que sentido isso influencia a vossa música.

Nós os quatro conhecemo-nos há mais de vinte anos, começámos a tocar juntos profissionalmente desde muito novos e quando digo profissionalmente é a receber dinheiro… O meu primeiro cachet com 15 anos a tocar num bar foram 1500 escudos, mais imperiais!

A cumplicidade entre os músicos é muito grande, dentro e fora do palco. Compor este disco acabou por ser mais fácil do que esperávamos. Temos a sorte de ter três compositores na banda, quando nos juntamos acontece sempre qualquer coisa. Penso que a cumplicidade entre nós se reflecte na nossa música e na entrega quando tocamos ao vivo. A comunicação está bem patente durante um concerto dos Maze Lab, a melhor versão de nós mesmos está em cima do palco. Se não conseguirmos ser maiores que a mera repetição de nós próprios, então não vale a pena. Quem vê um concerto de Maze Lab, pelo menos, não pode ficar indiferente…

Quando entraram em estúdio para gravar os temas de “Evolution”, o que tinham em mente para fazer upgrade em relação aos registos anteriores?

O que nos apeteceu fazer na altura foram canções. O disco anterior se fores ouvir era muito denso, é um disco conceptual com uma carga muito grande nos poemas… o próprio layout do disco reflecte a densidade dos temas e do que estávamos a querer transmitir na altura. Neste trabalho, queremos passar uma mensagem diferente, mais esperançosa, mais descontraída, se calhar terá a ver com uma fase diferente da vida em que todos nos encontramos, cinco anos a mais fazem diferença. O começo da produção do disco “Evolution” coincidiu com a minha saída e do Zé Moreira de outros projectos com artistas nacionais, com uma maior disponibilidade do Paulo na mesma altura e termos acabado as tours em que estávamos envolvidos ao mesmo tempo. Mesmo durante as tours com outros artistas conseguíamos gravar canções novas em quartos de hotel com um [computador] portátil. A meio de 2010 tínhamos o disco todo feito.

Quais foram os principais méritos de João Martins (já trabalhou com Xutos & Pontapés e Da Weasel) na produção do vosso trabalho?

Bem, o mérito do João Martins está ligado ao enorme talento que tem. Foi um privilégio podermos estar a trabalhar com um dos maiores! Depois de gravar as faixas do disco no nosso estúdio [JadeStudio em Paço d’Arcos], o convite ao João Martins para misturar o disco foi natural. Precisávamos de alguém que percebesse a banda e conseguisse o som que queríamos para o disco, o som dos Maze Lab. O João Martins conseguiu isso na perfeição, para além de também nos acompanhar ao vivo e ser o nosso quinto elemento, pois é quem faz chegar a nossa música ao público.

Em alguns dos temas presentes, é inevitável fazer paralelismo ao som de bandas como Marillion ou Soundgarden – este último através de algumas notas do vocalista Paulo Ramos, que faz lembrar Chris Cornell. São estas algumas das vossas referências?

Não, de todo. Penso que os Maze Lab têm um som próprio, apesar de não termos inventado a pólvora. As referências à voz do Cornell são naturais porque realmente em alguns registos são muito parecidas, mas tanto o Chris Cornell como o Paulo foram beber mais atrás. Afinal somos todos da mesma geração!

Sabendo que alguns dos membros dos Maze Lab já trabalharam com Lúcia Moniz, Rui Veloso ou Miguel Ângelo (dos Delfins), não houve a tentação de os convidar para participar no novo repertório?

Se fosse uma tentação já não fazia sentido. Nós gostamos muito de participações, quem esteve no nosso concerto de lançamento viu que tivemos quatro convidados. Músicos excepcionais que apesar de não serem conhecidos do grande público, de diferentes maneiras estão ligados à história da banda, ou seja, Miguel Amado, Alexandre Manaia, Miguel Barriga e Vasco Gomes. Quem sabe num próximo trabalho fará sentido convidar algum desses músicos mais conhecidos.

A capa de “Evolution” mostra basicamente uma árvore, mas há mais do que isso. Que mensagem deve retirar-se do artwork de Paulo Arraiano?

O Paulo Arraiano ganhou um prémio internacional de design com a capa do disco “Evolution” e foi uma feliz colaboração. Foi-nos proposto pelo Tiago Forjaz da Fundação Talento, pela qual somos apoiados, o nome do Paulo Arraiano para fazer o layout da capa. Depois de conhecermos melhor o seu trabalho ficámos arrasados pelo seu talento. Ele interpretou com a sua arte o que queríamos transmitir com a nossa música, foi uma colaboração forjada no céu! A mensagem do artwork… Acho que deve ficar à interpretação de cada um ou então é uma boa pergunta para fazeres ao Arraiano um dia…

O que é que esperam que 2011 signifique no percurso dos Maze Lab?

O que esperamos é que seja um ano que as pessoas que gostam de nos ouvir nos consigam ouvir muitas vezes em muitos sítios.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This