Mécanosphère

O projecto luso-franco-americano está de regresso aos discos e à auto-estrada. Fiquem a conhecer “Bailarina”, o mais recente registo da banda.

Se existem instituições na música portuguesa, bandas incontornáveis e artistas carismáticos, os Mão Morta surgem logo no topo da lista pois, quer se goste quer não, marcaram o panorama musical português durante os últimos vinte anos. Uma das principais razões para o culto e para o sucesso dos Mão Morta está no seu carismático líder, Adolfo Luxúria Canibal, que vocaliza os seus poemas de uma forma característica que, com o decorrer do tempo, tornou-se na imagem de marca da banda.

Durante todos estes anos, a imagem de Adolfo Luxúria Canibal esteve sempre ligada à banda de Braga, tornando-se dificil imaginá-lo num outro projecto paralelo. A verdade é que durante o ano passado, e a convite de Benjamin Brejon, seu amigo e mentor dos Mécanosphère, Adolfo Luxúria Canibal integrou a formação do projecto dando voz à música criada pelo francês.

Menos de um ano depois de terem lançado o primeiro álbum homónimo, os Mécanosphère regressam com “Bailarina”, um álbum conceptual, gravado apenas em 10 dias que, à semelhança do registo anterior e do EP de estreia “Lobo Mau”, consegue criar uma simbiose perfeita entre a música e a palavra, entre a máquina e o homem.

A música fica a cargo de Benjamin Brejon, onde os beats, os loops, os estilhaços e as violações sonoras são evidentes, criando uma ruptura com as sonoridades mais tradicionais, transformando a música num exercício claro de experimentação e novidade. A voz surge como um instrumento, contaminando a música de Brejon, cumprindo um dos móbeis do projecto – cruzar as fronteiras da música. A forma como Adolfo Luxúria Canibal declama os seus textos é conhecida por todos e funciona na perfeição com as sonoridades sombrias e muitas vezes angustiantes de Brejon.

Em “Bailarina” é contada uma história. Somos confrontados com vários cenários e as imagens surgem na nossa cabeça como flashes de memória. Uma auto-estrada, um acidente, imagens de carros acidentados, uma bailarina a dançar no capot de um Rolls-Royce, sangue, astronautas, sexo, mortos e muito sofrimento. O som que acompanha estas imagens é angustiante e deixa quem ouve com níveis de ansiedade elevados. Os ritmos muitas vezes sombrios e claustrofóbicos são muitas vezes transformados em percurssões nervosas, gemidos e gritos sofridos numa experiência sonora única e para muitos perturbante. “Bailarina” é uma viagem pelo mundo do fantástico, pela auto-estrada dos nossos medos e receios com um princípio, meio e fim. Um objecto sonoro irrepetível e impossível de colocar ao vivo da forma sofrida e dramática registada neste disco.

Neste disco, participaram outros dois músicos, elementos satélite de Mécanosphère, que deram um contributo muito importante para o resultado final: o percurssionista e alucinado performer americano Scott “Sikhara” Nydegger e o baterista e produtor LePilotRouge.

Este álbum tem sido apresentado ao vivo com reacções bastante positivas. Fiquem atentos às nossas edições para ficarem a conhecer os locais por onde irão passar.



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