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Medeiros / Lucas | “Sol de Março”

"Sol de Março" é o terceiro capítulo de uma trilogia que teve início com "Mar Aberto" e "Terra do Corpo". É o fechar de um ciclo, portanto.

«Lampejo» soa logo diferente. E ao mesmo tempo é Medeiros / Lucas. Dúvidas houvesse basta ouvir a voz de Medeiros, se bem que nos seja apresentada mais melodiosa. São um poço de surpresas. A canção tem uma progressão rápida, como uma sucessão de clarões, de lampejos.

«Podre Poder» foi o primeiro cartão de visita para “Sol de Março”. Os arranjos estão diferentes mas mudar não tem de ser mau. De todo. Estas canções dão uma nova dimensão às composições de Medeiros / Lucas e todos ganhamos com isso. Novos horizontes. Canções bonitas. Um sorriso na face. É contagiante e se isso não é bom não sei o que será.

Em “Sol de Março” parece que se sonha… uma vezes há luz, noutras são as sombras que imperam. «Obscurantismo» começa soturna e nunca o deixa de o ser mas agarra-nos com força, como não querendo deixar-nos escapar de um qualquer lugar escuro e rodeados de ruído. «Clarificação» parece que surge como um contraponto à canção anterior. Leva-nos na direcção da luz. Depois «Os Pássaros» vêm agitar tudo. A sombra regressa e há um sentimento de urgência que atravessa toda a canção.

“Caros ouvintes, interompemos agora para um breve momento lúdico”. Verdade. Por esta altura a influência dos teclados é notória e muito bem-vinda. «Elena Poena» é uma celebração; de ritmos e de cultura. Poena é pena em latim. Era a deusa do castigo na mitologia romana. Pena também significa primeiro raio de sol. Em “Sol de Março” ambas as leituras são possíveis. Aqui ouvimos Medeiros a cantar como não pensávamos ser possível. É daquelas que canções que se cantam de sorriso aberto, com os dentes à mostra (porque tem de ser). Parece que estou a escutar dentro da cebeça “houve um dia, houve um dia / em que a pedra se quedou / houve um dia, houve um dia / em que a pedra lhe parou / houve um dia, houve um dia / que se quebrou o que havia / houve um dia, houve um dia / que partiu monotonia”.

«Em Condicional» começa com o vibrafone. É cantada quase uma lenga-lenga. Já em «O Trapezista» a influência do jazz é notória, e conta com Antoine Gilleron, trompetista. «Galgar» é isso mesmo. Uma correria desenfrada; da percussão da bateria e do vibrafone. Até na guitarra. “galga tudo”.

O «Sol de Março» trás a Primavera à memória. Fechar os olhos, de frente para o Sol. Aquela altura em que sentimos que o calor quer regressar mas que ainda não é o suficiente para evitar o arrepio que segue. E nós queremos que ele regresse. Aliás estamos cá de braços abertos. Impacientes pela sua chegada.

Em «Calendas» há um toque do outro lado do atlântico, mais precisamente dos Estados Unidos da América. A canção americana paira por aqui. É uma canção mais introspectiva, onde a bateria, a guitarra e o vibrafone deixam a canção flutuar e depois o trompete de (novamente Antoine Gilleron) eleva tudo o resto.

E eis que quase sem nos apercebermos chegamos ao final, «Fado do Salto». Porque fado é destino mas também tem algo de fé. “é um salto dado ao alto / sem querer voltar ao chão / uma vontade de furar, de escapar à escuridão”. Quem não?



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