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MEGAFONE

Merecido tributo a João Aguardela. Musicbox, 3 de Julho.

Na madrugada de três para quatro de Julho, o Musicbox encheu-se para um merecido tributo a João Aguardela (frontman de projectos como Sitiados, Linha da Frente, A Naifa e Megafone).

A homenagem, organizada pela turma 1 de Produção de Marketing de Eventos da Restart, mais do que relembrar em “viva voz” um músico de convicções e estéticas inéditas, privilegiou – talvez com a premência clara da tridimensionalidade com que Aguardela abraçava a simbiose quase que mutável e, ao mesmo tempo, complementar, entre uma influência de raíz nitidamente tradicional e a pesquisa de uma modernidade que introduziu – desde a electrónica ao experimentalismo, ao rock e drum´n´bass. As suas influências são confirmadas, em conversa, por quem melhor o conheceu. “Ele ouvia de tudo, desde jazz a punk rock, passando pela música tradicional portuguesa”, diz João Ribas em conversa. Já João Almendra (Peste e Sida), diz que ”foi muito profissional, abraçando novas tendências e viemos para o homenagear pelo músico que foi e pelo legado que nos deixou”; “ele fazia música verdadeiramente portuguesa e verdadeiramente moderna”, afirma Luís Varatojo.

Talvez por isso mesmo dos convidados fizessem parte não só amigos e músicos que com ele se cruzaram como as distintas influências, estilos ou estéticas que definem cada um. Assim, a força carismática e o ecletismo manifesto de Aguardela em relação à música esteve também nesta noite representado nos diferentes músicos que subiram ao palco do Cais do Sodré para evocar o trabalho do músico/compositor.

Pedro Moutinho seria o primeiro a lembrá-lo, desenhando com o fado o modelo da portugalidade que tanto caracterizara a desenvoltura estético-musical de João Aguardela. «Raminho branco de laranjeira» é fado bucólico à maneira de Aguardela e funde-se nas cedências de Walter Benjamim de megafone em punho. Este último, incute as suas naturais influências folk, de experimentação de som e uso de samples, na cor com que pinta a reminiscência Megafone.

Decorria o ano de 1992 quando João Aguardela convidou João Ribas (na altura dos Censurados) para cantar, em jeito de fado, uma quadra popular que lhe chamara a atenção numa típica tasca alfacinha. Ribas aceitou o desafio, tal como o convite, de João Alves, para marcar presença neste tributo. A quadra exígua podia muito bem ser trauteada em denúncia irónica punk, mas Ribas cumpre o prometido e dá voz, a solo, ao pequeno texto, contando com o apoio do público.

O momento seguinte está carregado da vibração de inspiração tradicional que Aguardela sempre se dispôs compreender. «A Velha Gaiteira» traz para a homenagem o som das gaitas de fole e da caixa beirã, homenageando, em paralelo, todas as velhas gaiteiras da Beira Baixa.

Em palco ainda estaria, na recordação de Sitiados, Peste e Sida. Sem demarcação alguma do punk/new wave de intervenção que sempre caracterizaram o colectivo, lembram assim “o amigo João”.

Ainda houve tempo para a actuação de DJ Ride e Dj X-Acto.

Na noite em que se celebrou a memória de um músico, mas também activista convicto em muitas causas (de destacar o repúdio e contestação pelas organizações de extrema-direita) todos, com as mais diversas formas de expressão musical e artística, deram o seu contributo.



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