“Mi Buenos Aires” | Ernesto Schoo

“Mi Buenos Aires” | Ernesto Schoo

Guia pessoal e verdejante da cidade de Borges

Escrever o livro de viagens definitivo de uma grande cidade é tarefa hercúlea, senão impossível, seja pelos lugares escolhidos para o integrar, seja pela paixão com que o autor transporta alguns desses lugares para a neutralidade do papel.

No prefácio para “Mi Buenos Aires” (Tinta da China, 2014), Carlos Quevedo escreve isto no primeiro parágrafo: «Poucas vezes encontrei uma cidade que fosse mais feia ou menos interessante do que Buenos Aires.» Porém, em relação ao livro de Ernesto Schoo, Quevedo confessa os ciúmes – e sobretudo a inveja – de não conhecer alguns desses lugares, de uma cidade que poderia jurar que conhecia como a palma de qualquer uma das suas mãos. Talvez seja mesmo essa a invenção da literatura de viagens: a de surpreender mesmo quem respire o ar desses lugares invocados no papel, possibilitando a redescoberta de um lugar novo ou extremamente familiar.

A Buenos Aires de Schoo surge aos nossos olhos como uma cidade atravessada pelo rio Plata, «uma massa de água muito esperta, repleta de maldade e de astúcia», que esconde muitos tesouros verdejantes e recantos misteriosos. Pela pena de Ernesto Schoo visitamos a reserva ecológica, conhecemos o novo bairro de luxo de Puerto Madero, ficamos a saber mais sobre as árvores que assentaram raízes na capital argentina, descansamos no Jardim Botânico, «onde o tempo se detém, a vertigem da grande cidade se anila e surge, misteriosamente, um espaço de sossego», ficamos a saber o que na verdade são a Recoleta e a Chacarita.

«É compreensível que pedaços da infância se misturem com a trama da memória e a textura da crónica», escreve a certa altura Ernesto Schoo. Afinal, que outra função terá a memória a não ser reavivar a juventude perdida e recordar o lado efémero das coisas? Mais uma bela edição que se vem juntar à colecção Literatura de Viagens, com o carimbo Tinta da China.



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