Michael Jackson | “Xscape”

Michael Jackson | “Xscape”

Música criada por um génio mas acabada por outros que, não menos geniais, não são o original

Michael Jackson faleceu em 2009 mas a verdade é que desde dessa altura já surgiu mais material inédito do que nos últimos dez anos da vida do Rei da Pop.

Conhecido pelo seu perfeccionismo, Jackson perdia-se em detalhes e pormenores que tornavam a sua música intemporal e característica, com um cunho tão pessoal que qualquer pessoa conseguia identificar o seu autor.

“Xscape” reúne esboços de músicas gravadas numa janela temporal que vai de 1983 a 1999, inacabadas pelo seu autor mas que a Epic Music e a MJJ Music decidiram lançar para o mercado apoiadas pela gigante Sony e uma forte campanha para um equipamento móvel da marca nipónica.

Falaram com Timbaland, um excelente produtor de pop e R&B, e solicitaram que este reunisse outros grandes produtores e para darem-lhe os acabamentos finais que Michael não conseguiu ou simplesmente não quis dar a estas oito canções.

Neste “Xscape”, lançado a Maio de 2014, conseguimos balizar de uma forma relativamente fácil o ano em que estas músicas, agora lançadas, foram pensadas. As influências são bem audíveis; percebe-se que algumas são faixas que não entraram em grandes discos, como “Bad”, “Thriller” ou mesmo “Dangerous”. Músicas que ficaram de lado por algum motivo, que influenciaram outras mas que acabaram por nunca ver a luz do dia com o seu autor vivo.

Na versão “Deluxe”, para além destas oito músicas, conseguimos ter acesso a versões mais cruas, sem as masterizações e arranjos modernos, e a versão de «Love never felt so good» com Justin Timberlake, a que tem passado nas rádios.

Vale realmente a pena realmente ouvir «Love never felt so good», «Slave to the rythm» ou «Do you know were your children are» em ambas as versões apresentadas. Talvez sejam estas as músicas mais fortes, e a última sugestão é tão real e actual que até assusta ter sido originalmente pensada para o álbum “Bad”.

Muitas destas canções já tinham aparecido na internet, remisturadas, mas desta vez são apresentadas de forma mais “oficial”, se é que isso é possível. É um álbum interessante com boas misturas, boas finalizações, mas como estará Michael Jackson a ver e ouvir isto, onde quer que esteja?

Se este achou que estas músicas não eram dignas de entrar nos maiores álbuns da década dourada da pop, porque estão agora a ser lançados?

A verdade que quem gosta de Michael Jackson fica em êxtase com póstumos como este, e a curiosidade faz com que estes álbuns, em todas as suas versões (normal e “deluxe”) até vendam bem. E a qualidade está realmente lá, apesar de algumas canções não passarem de esboços onde pouco mais se ouve do que a voz e um estalar de dedos ou um bater de palmas em determinados compassos.

É sabido que Michael Jackson deixou milhares de músicas inacabadas e este modelo de negócio continuará certamente. Quem gosta continuará a consumir música criada por um génio mas acabada por outros que, não menos geniais, não são o original.



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