Michael Moore

O homem mais controverso da América regressa com Fahrenheit 9/11

Quando na cerimónia dos Óscares “Bowling for Columbine” ganha o galardão para melhor documentário e Michael Moore sobe até ao palco para receber o prémio e critica George W. Bush sobre a sua política de guerra, o mundo apercebeu-se que estávamos perante uma das figuras mais mediáticas e controversas dos Estados Unidos do século XXI. Nunca nenhum documentário tinha feito tanto dinheiro nas bilheteiras e criado uma verdadeira euforia em redor de uma pessoa que não tem medo de colocar o dedo na ferida e de mostrar ao mundo aquilo que acha que está errado na maior “democracia” do mundo.

Quem é este estúpido e branco Americano?

Michael Moore nasceu em 1954 em Davison, um subúrbio de Flint onde estava instalada uma das maiores fábricas da General Motors, na qual os seus pais trabalhavam. Tendo crescido com uma educação claramente católica, Moore estudou até aos 14 anos numa paróquia sendo posteriormente transferido para a escola secundária de Davinson onde desde logo começou a mostrar a sua veia activista e aos 18 anos torna-se um dos mais novos americanos a ser eleito a um cargo público, neste caso para a direcção da escola.

Quando Moore estudou na universidade de Michigan-Flint, deixou o activismo para se dedicar ao jornalismo, tendo-se iniciado no Flint Voice, um jornal pequeno e alternativo. Rapidamente se tornou no editor do jornal, tendo-o transformado no Michigan Voice, uma das mais respeitáveis publicações políticas da região. O seu sucesso deu-lhe a oportunidade de se tornar no editor da “Mother Jones Magazine” em 1986, onde não teve grande sucesso devido à sua tentativa de tornar a publicação ainda mais “aguçada” e activista. A sua experiência durou quase um ano.

Foi devido à situação económica da sua terra natal, que tinha sofrido um incrível impacto com o fecho da General Motors, que Michael Moore iniciou a sua carreira cinematográfica. Para a elaboração desta película, Moore foi forçado a vender a sua casa e até a jogar no bingo de forma a conseguir obter fundos que o permitissem gravar o documentário que se viria a chamar “Roger & Me”, que é exibido no ano de 1989 em alguns festivais com um enorme sucesso, tornando-se desde logo um dos mais rentáveis documentários de sempre.

Depois de uma sequela deste primeiro documentário, “Pets or Meat: The Return to Flint”, Michael Moore aventurou-se na ficção através de “Canadian Bacon”, um filme que propunha criar uma “guerra-fria” entre os Estados Unidos e o Canadá mas que, devido à morte de John Candy (protagonista do filme) logo após o final das filmagens, não teve a devida promoção e foi praticamente esquecido. Em 1994, Moore iniciou a sua aventura televisiva, através de “TV Nation”, um magazine satírico, que esteve no ar durante uma temporada na NBC e posteriormente na FOX, sem nunca ter alcançado um grande sucesso.

Em 1996, Moore regressou às palavras com o lançamento de “Downsize This!: Random Threats From an Unarmed American”, um comentário político que fez com que voltasse a pegar na câmara e correr as cidades americanas, filmando as grandes diferenças económicas dos cidadãos. O resultado, “The Big One”, viria a ser lançado em 1998.
Entre 1999 e 2001, Moore regressou à televisão através de “The Awful Truth”, um magazine bastante semelhante com o “TV Nation” mas que foi apoiado pela cadeia inglesa “Channel Four”, mantendo-se no ar durante dois anos através do cabo Norte-Americano no canal Bravo.

11/09/2001 – O Dia que mudou o mundo …

Foi através do fatídico 11 de Setembro de 2001, que o nome de Michael Moore ficou conhecido em todo o mundo devido ao adiar do lançamento do seu livro “Stupid White Men”, onde Moore é bastante crítico à política de George W.Bush. Depois de uma incrível campanha de incentivo à sua publicação um pouco por todo o mundo, o livro é finalmente publicado na Primavera de 2002, tornando-se num enorme sucesso e num dos livros mais vendidos de sempre nos Estados Unidos.

No fim do ano de 2002, Moore regressa aos documentários e coloca em fita a incrível relação que o povo americano tem com as armas. “Bowling for Columbine” tem como principal mote o massacre ocorrido na escola daquela localidade, mas é muito mais que isso. Mostra como o povo americano tem uma relação perigosa e “ignorante” no que diz respeito às armas e à violência.

“Bowling for Columbine” foi um fenómeno em toda a escala, tornando-se o primeiro documentário a ser exibido em competição no festival de Cannes em 46 anos, ganhando o prémio do júri. Foi nomeado para melhor documentário para os Óscares de 2003, sendo o surpreendente vencedor e tornado a cerimónia desse ano numa das mais vistas em todo o mundo devido ao discurso muito crítico em relação a Bush e à sua politica bélica no Iraque.

Depois de toda a controvérsia, Moore não ficou por aqui e regressa este ano com o mais explosivo de todos os seus documentários, que arrebatou pela primeira vez na história do festival de Cannes a palma de ouro para um documentário. “Fahrenheit 9/11” é um objecto de campanha contra Bush e é admitido por Moore como tal, porque o realizador acha que todos os meios são viáveis para retirar o poder ao pior presidente dos Estados Unidos de sempre.

Depois de compreensíveis (ou talvez não) problemas quanto à sua distribuição, o filme estreou nos Estados Unidos no dia 25 de Junho, com uma enorme adesão de público, esgotando praticamente todas as sessões e recebendo ovações um pouco por todo o país. Existem relatos de pessoas que, depois de verem o filme, mudaram logo o seu voto o que faz com que o propósito do filme esteja a ser conseguido.

É a primeira vez que um filme é de uma forma tão clara um objecto de campanha. Na película podemos assistir às perigosas relações entre a família Bush e muitos activistas árabes. Mostra-nos como os atentados de 11 de Setembro não foram devidamente evitados e como a nação foi mantida em constante sensação de “medo” de forma a apoiar uma iniciativa bélica no Iraque. Para além de todos estes factos, Moore consegue obter depoimentos exclusivos de soldados, levando a todo o mundo a incrível verdade desta guerra e as inúmeras perdas humanas que dela resultaram.

”Fahrenheit 9/11” tem estreia prevista (pode ser alterada) no nosso país no dia 22 de Julho e promete levar milhares de espectadores ao cinema. Espero que este texto tenha servido de incentivo para motivá-lo a ir assistir à triste verdade que é o mundo que nós vivemos.



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