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Micro Machines: World Series | Análise

Micro Machines, muitos e variados, carros muito loucos a "explodir" lado a lado!

Disponível para PC, Xbox One e PS4 (versão analisada), Micro Machines: World Series marca o regresso da icónica série de corridas a cargo da Codemasters, tão aguardado pelos fãs. Longe vão os anos 90, anos esses em que os Micro Machines estavam na berra, tendo feito parte da infância de muitos. Tal não era o furor que, mesmo a quem não tivesse um destes “carrinhos”, como eu, era impossível escapar aos anúncios na televisão sem ficar com o refrão “Micro Machines, muitos e variados, Carros muito loucos a correr lado a lado!!!” na memória. Já no que toca aos videojogos, quem não se lembra do glorioso Micro Machines 2: Turbo Tournament? Quanto a vocês não sei mas lá em casa, este título foi sempre sinónimo de horas bem passadas a correr contra os meus irmãos. Nós não nos esquecemos e a Codemasters também não. Eis que surge assim esta nova entrada na série, pronta a recapturar a glória de tempos que já lá vão e a mostrar-se como um passo em frente na série ao invés de uma simples bomba de nostalgia.

O resultado é um jogo capaz de proporcionar alguns momentos de diversão mas que está longe de ser o regresso tão aguardado pelos mais saudosistas. O que é pena, uma vez que continua a ser aliciante voltar a ver as mini-viaturas da série – que vão desde Monster Trucks, a carros de polícia, Hovercrafts, Tanques e por aí fora – a correr freneticamente umas contra as outras. Para esse efeito, ajuda a tradicional jogabilidade a que a Codemasters nos tem vindo a habituar, bem como o grafismo que acompanha toda a acção que decorre no nosso ecrã.

Sempre com um misto de cartoon e realismo, ainda mais do que as viaturas, as pistas onde vamos correr são incrivelmente detalhadas e facilmente nos transportam para os tempos de criança em que faziamos do chão (mesas, etc.) das divisões da nossa casa o palco das nossas brincadeiras. Como tal, preparem-se para voltar a correr em mesas de cozinha ou casas de estufa, atravessar mesas de bilhar ou tabuleiros de Draga-Bolas. O perigo, claro, espreita a cada curva e não estou a falar só dos nossos adversários, uma vez que os próprios cenários se fazem acompanhar por diversas armadilhas. Como já sabem, a jogabilidade de Micro Machines requer alguma habituação e por isso há que também saber negociar as curvas mais acentuadas, de modo a evitar um despiste.

Isto, claro, nas corridas que, curiosamente, apesar de estarem presentes, não são o principal foco desta entrada na série. Sobretudo, Micro Machines: World Series esforça-se em colocar as suas viaturas a combater umas contra as outras em sistemas semelhantes aos de Deathmatch, Control Point ou Capture the Flag. Cada veículo traz consigo um leque de três habilidades distintas, umas mais ofensivas, outras mais defensivas. É interessante como cada uma confere ao jogador uma distinta forma de jogar. Desde misseis a voar, helicópteros a pairar sobre um adversário que se apressa a fugir dele, sentinelas que revelam a posição de outros jogadores no mapa em questão e por aí fora, o caos que se instala é total. Basicamente: “Micro Machines, muitos e variados, carros muito loucos a explodir lado a lado!

Se Micro Machines: World Series peca, no entanto, é pelo escasso conteúdo que oferece que depressa esgota a sua longevidade e severamente compromete a nossa diversão ao jogá-lo. A ausência de conteúdo Single-Player é gritante! Não existem campeonatos ou eventos nos quais possamos participar, apenas corridas ou batalhas individuais contra o computador. O jogo acaba por oferecer poucos motivos para desfrutarmos dele a solo, e estas partidas mais parece que nos estão a preparar para o que iremos encontrar no modo Online. Um empurrão ao qual acabamos por ceder, pois só aqui é que poderemos tirar o máximo proveito deste World Series.

No final de cada corrida, recolhemos os pontos de experiência que nos ajudam a evoluir e voltamos para o menu de escolha de modos, não havendo a hipótese de continuar com o grupo com o qual estivemos a jogar. Felizmente que o matchmaking tem sido relativamente rápido, pelo que nunca demorei a encontrar uma partida. Mas voltando ao sistema de progressão, a cada nível recebemos loot crates que, quando abertas, nos conferem vários coleccionáveis como skins para os veículos. Cheguem a nível 10 e ganham acesso às Ranked Matches, indicadas para os jogadores mais competitivos. Tudo isto ajuda a conferir alguma longevidade a este jogo, só que ao fazer-se acompanhar por apenas 10 pistas diferentes, é inevitável que se instale relativamente depressa alguma sensação de dejá vu.

Infelizmente, Micro Machines: World Series não é o regresso que os fãs tanto almejavam. A ausência de conteúdo single-player, em detrimento de uma experiência mais focada na vertente online, irá com certeza deixar alguns jogadores de pé atrás e mesmo os mais competitivos terão de lidar com a curta longevidade que o jogo, tal como está, lhes oferece. Não obstante, os pontos negativos que referi não são nada que não possa vir a ser resolvido em futuras patches, pelo que a experiência de jogo pode vir a mostrar-se bem mais pertinente no futuro. E esperamos que sim. Não só porque a série merece essa atenção mas também porque, apesar de tudo, dei por mim a fazer parte de momentos bem divertidos no meio do caos que esta nova entrada na série consegue proporcionar, um claro indicador do potencial que nele se esconde.



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