Miguel Ponte

Miguel Ponte & Ricardo Tavares

"Folhas, e não credos": o projecto de Miguel Ponte que, lado a lado com Ricardo Tavares, deu vida à sala 1 do Teatro Rápido (TR), no mês de Março. Quisemos conhecer quem são estes  jovens actores que tanto nos surpreenderam e nos fizeram rir, com uma leitura muito própria de um best seller chamado Bíblia

Reencontrámos Miguel e Ricardo no Teatro Rápido (TR), para uma conversa sobre a sua experiência na sala 1. “Eu conheci o Ricardo num trabalho que ele estava a fazer no GTL, no grupo de teatro universitário. Quer dizer, eu vi-o, mas ele não me viu”, disse-nos o Miguel. Acabaram por se conhecer através de uma amiga comum, que estabeleceu a ponte entre ambos.

“Folhas, e não credos” não foi a primeira proposta enviada por Miguel para o TR. Recebeu um não, mas não desistiu. “Pensei que iria escrever e tentar até um dia ser aceite”, confessou Miguel. A ideia para “Folhas, e não credos” surge após uma noite de estudo para um exame da faculdade. “Tive a ideia de uma cena entre Jesus e a samaritana, no poço, que acabou por não ficar na peça”, disse Miguel. Ricardo não foi a primeira opção para uma peça que Miguel idealizava para dois actores que desempenhariam várias personagens. Foi no último dia do prazo para submissão do projecto que Miguel contactou o Ricardo e o convidou para participar num projecto que não sabia, ainda, se iria ser aprovado. “Eu não conhecia o conceito do TR, mas o Miguel disse-me “tu não sabes, mas isto funciona assim e assim”. Pensei “isto vai dar trabalho”. O Miguel tranquilizou-me com uma mítica frase “Ricardo, também não vamos ser aceites, mas preciso de um nome”. Achei que valia a pena tentar”, confessou Ricardo.

Mas ambos estavam enganados e há um dia em que o telefone toca e do outro lado e produção do TR pretendia agendar uma reunião para falar do projecto. “Pensámos que tínhamos que vir defender o nosso projecto e então elaborámos uma espécie de estratégia de marketing”, disse Miguel. Não se tinham apercebido de que o projecto já estava aprovado e que a reunião servia apenas para a produção os conhecer.

Miguel Ponte

O TR tinha dito SIM e agora só tinham que arregaçar as mangas para que a relação resultasse e fossem felizes para sempre.

Os ensaios começaram em Fevereiro e contaram com o apoio à encenação de Marcantonio del Carlo. “Só uma semana antes da estreia é que tínhamos tudo definido”, disse Ricardo. “Até aí estava tudo muito solto”, e sublinha a surpresa do primeiro dia: o público. “Nas salas do TR, tu estás dentro da história e esta é contada para ti; é como se os actores e o público fossem um só”. Para Miguel, a experiência TR ajudou-o a ser um melhor espectador. Ricardo aprendeu “a não ter medo de falar com as pessoas e de lhes dizer obrigado. Tivemos vários momentos em que nos sentimos “pequeninos” perante o público, pela forma como nos aplaudiram no final. Surpreendeu-nos muito o facto de não conhecermos as pessoas que nos vinham ver”. Acrescenta Miguel: “No final, quando fechávamos a porta, perguntávamos: mas tu conhecias alguém? Eu não! E apercebemo-nos de que o nosso público ia muito além dos nossos amigos.”

Ricardo Tavares

E o ambiente entre os projectos? “Sentimos sempre que estávamos todos “no mesmo barco” e criámos um excelente ambiente entre todos. Vínhamos mais cedo e conversávamos antes das sessões”, disse Miguel. Sobre a experiência de levar o TR à rádio, no programa Prova Oral da Antena 3, Ricardo confessou que não pensava que pudesse resultar tão bem e que acabou por ser uma agradável surpresa ouvir as peças que já tinha visto nas salas.

Para estes jovens actores com experiências em grupos amadores de teatro, o TR é sinónimo de crescimento pessoal e profissional, uma espécie de laboratório de criação. Sim, laboratório é uma palavra que se adequa muito, uma vez que ambos fazem parte de um grupo de teatro, o Tubo de Ensaios.

À data da entrevista, Miguel Ponte encontra-se em ensaios, para o trabalho “Escuro”, de Marcantonio Del Carlo, que será integrado no FATAL 2013. A par destas aventuras teatrais, Miguel e Ricardo protagonizam o papel de estudantes universitários, onde também têm recebido muitos aplausos.

As fotografias, de Mário Pires, fazem parte da exposição de Maio, patente no Teatro Rápido: Retratos Rápidos



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