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Milhões de festa!

O que é Milhões acaba depressa.

O Milhões de Festa, que aconteceu nos passados dias 23, 24 e 25 de Julho, em Barcelos, superou todas as expectativas. No desfile musical de cerca de 60 bandas e músicos, entre três palcos distintos, o saldo foi incrível; um total de cinco mil pessoas, entre os três dias, a dar e a receber os prometidos milhões de festa.

Os concertos

Alternar os concertos entre os três palcos – a piscina, o Palco Milhões e o Palco Vice – foi uma decisão importante para garantir um público satisfeito e bandas com mais assistência. No segundo dia houve sobreposição de concertos, o público era suficiente para deixar o palco Milhões com casa cheia, mas era complicado dividi-lo por dois palcos onde, por exemplo, de um lado se ouve um catalão que faz pessoas dançar, El Guincho, e do outro uns misteriosos e ainda pouco conhecidos Hype Williams.

O dia um

Os The Glockenwise, a jogar em casa, estrearam-se merecidamente em palcos grandes. Apesar do cepticismo da banda, Nuno (voz) não deixou de cantar como quem exorciza males, mesmo os que fazem bem ao rock. Os Men Eater deixaram pena pela impossibilidade de assistir ao concerto, porque em palco o rock era rock, do pesado. Os cabeças-de-cartaz Electric Wizard fecharam em grande, estrondosos em palco e barulhentos, grandes.

O dia dois

Do concerto pouco se viu e ouviu, a plateia estava deserta e o sol ainda se estava a pôr, mas os Appaloosa espalharam simpatia: a Marie-Laure a falar Inglês com sotaque francês e o Max, alemão, a falar Inglês, foram a dupla mais doce que passou no backstage. Dois pontos para a t-shirt do Max do Incredible Hulk. Os PAUS ofereceram-nos um concerto daqueles a que estamos habituados, dos bons. The Fall, com uma plateia pelas costuras, não convenceu a maioria. Diz-se que Mark E Smith se arrastou e que está praticamente reformado.

A única e mais completa sequência acompanhada em frente ao palco foi Gold Panda e Hounds of Hate. Gold Panda, o londrino que mais curiosidade despertava por estas bandas, não desiludiu em nenhuma das expectativas criadas. Ouve-se música que soa a Londres e ao Japão, entre remixes, beats e sons de maquinaria que contagiam e fazem dançar. Hounds of Hate, alter-ego de Roy dos Hype Williams, passou durante meia hora uns discos para os (poucos) que resistiram a El Guincho. E, sim, o El Guincho foi a festa que se esperava, dançou-se e veraneou-se ao melhor estilo mediterrâneo. E, ficou provado, pelo hype que teve em Barcelos, que os parentescos com Panda Bear – ou os Animal Collective, as opiniões divergem –, apesar de tudo, não o afectam, tão pouco ao público.

O dia três

A respeito do Palco Vice há que dizer, e isto é importante, que era considerável (muito) o número de pessoas que abdicou de mais uma hora na piscina para ver o regresso dos Riding Panico. Com muita, muita pena minha ouvi o concerto ao longe. Mas quem viu diz que foi mesmo bom, que foi a partir, sem se desconfiar que levam com cerca de um ano de paragem. ZA!, visto de corrida, mas com vontade de ficar. Destaque do Palco Vice para os Monotonix, uma das bandas mais esperadas do terceiro dia, não se fez de rogada e trouxe tudo aquilo que já havíamos ouvido e visto na Internet. Com direito a um salto das muralhas, diz quem viu.

Ainda os Crystal Fighters que, apesar de convencerem nas faixas ouvidas, baralharam um bocadinho ao vivo. O concerto foi bom, dava vontade de ver mais do que foi visto, principalmente para perceber se soava ao que se ouve no disco ou se soa a outra coisa muito diferente e se, ainda assim, se gosta.

Toro y Moi não convenceu, diz-se que tinha pouca força. Mas os Delorean, que fecharam o palco Milhões com louvor a saber a Verão mediterrânico – a Catalunha estava bem representada! –, tiveram o aval do público. Grande destaque para o amigo das teclas, que como diz o povo, mandava os foguetes, apanhava as canas e fazia a festa, e foi incrível. Mesmo.

A piscina

Em Barcelos não é preciso pegar no carro ou esperar horas pelo autocarro para ir à praia, como no Sudoeste; nem é preciso mergulhar na água fria do Tabuão, como em Paredes de Coura, para provar do Verão. Entre mojitos e caipirinhas, era à beira de duas piscinas incríveis que se abrim as hostilidades, entre concertos, performances e sets. A piscina – as duas como se fossem uma só! – foi “A sensação” do Milhões, definitivamente.

Comes e bebes

Há que dizer que o recinto estava bem organizado. Tendas de bar e alimentação bem distribuídas, apesar de mal iluminadas. A fila das senhas diminuiu no segundo dia com a abertura de uma segunda banca, mas ainda assim, e apesar de ser prática comum, a venda de senhas que se trocam por bebidas causa sempre o dobro do transtorno. Mas depois: comia-se bem, apesar da pouca variedade, havia petisco que satisfizesse toda a gente, sem esquecer os vegetarianos. Ficou só a faltar um doce, um que seja. Porco no espeto: cinco estrelas.

A cidade

Não parecendo, as cinco mil pessoas que o Milhões de Festa movimentou nos três dias de festival, foram suficientes para abalar a cidade, pelo menos o seu quotidiano. Mas sentia-se a simpatia minhota e a cidade, parece-nos, em geral gostou da movida: para o ano voltamos! Está prometido.

Fotografia por Pedro Rodrigues
Sónia Abrantes assistiu ao festival enquanto colaboradora do mesmo



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