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Milhões de Festa

Cantar de Galo, ou Nem só de Galo canta Barcelos.

É já no próximo fim-de-semana: dias 22, 23 e 24 de Julho o Milhões de Festa regressa à cidade de Barcelos, mais uma vez, uma co-parceria entre a Lovers & Lollypops e a Câmara Municipal de Barcelos. É um cartaz com mais de meia centena de projectos musicais, um rio, uma praia fluvial, duas piscinas, quatro palcos, tudo à beira do rio Cávado.

Há sempre barcelos

Eis chegada a altura do ano em que já só pensamos numa coisa: festa. Se é aos Milhões melhor ainda. Ir a Barcelos com 40ºC à sombra é como ir ao Norte visitar a família no Natal, mas em bom. O propósito afinal de contas é o mesmo: rever a família e desembrulhar presentes.

O Milhões de Festa, como explica Joaquim Durães, organizador do festival, é uma iniciativa “motivada pela crescente produção independente na música portuguesa e aliada a propostas internacionais de diversos quadrantes e geografias, na linha do que se tem feito um pouco por todo o mundo”. Por isso, o primeiro objectivo é reclamar “uma atenção internacional para aquilo que se faz por cá”.

E Milhões

Para quem achava que o ano passado tinha sido uma barrigada de surpresas e de música incríveis, que se prepare. Este ano há mais, mais palcos, mais bandas.

Senão vejamos: o Palco Milhões de Festa continua dedicado exclusivamente a bandas e irá apresentar os nomes mais conceituados do festival; o Palco Vice será um desfile de projectos emergentes, onde decorrem os after-hours, até às seis da manhã, e onde participam bandas e DJs que farão justiça ao nome do festival. A Piscina inaugura os dias do Milhões: abre às 12h e fecha às 20h. Entre as duas piscinas, são duas na verdade, há concertos, lives e DJ sets, sempre frescos.

A juntarem-se à bem afamada Piscina, e aos dois palcos que transitam do ano anterior para este, há mais dois – nós avisámos! O Palco Lovers & Lollypops e o SWR@Milhões vão ocupar as duas margens do rio Cávado inaugurando assim a manifestação do Milhões na praia fluvial. O primeiro, homónimo da promotora que o programa desde sempre; já o segundo será da responsabilidade da entidade organizadora do SWR Barroselas Metalfest, o evento com mais gadelha por metro quadrado da região minhota, que apresentará nomes de enorme… peso – literalmente.

E surpresas

Nesta edição inaugura-se também uma rubrica dedicada à exibição de filmes pela mão da produtora Lula Gigante. A ter lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos as sessões documentais, dedicadas à música: “Such Hawks Such Hounds”, “One Man in the Band” e “Let me Live”, serão seguidas de uma conversa com o realizador ou as bandas.

O Milhões estará por toda a cidade de Barcelos de mão dada com o Bodyspace, nas sessões da Videoteca. Numa iniciativa que pretende estender o festival fora-de-portas, serão convidadas bandas a actuar fora dos palcos e invadir espaços públicos. Com a ideia presente de os desafiar a novas inspirações, e fora da sua zona de conforto, há já dois nomes confirmados: Filho da Mãe e Tigrala.

No bar do Xano, em mais uma iniciativa inédita, dá-se protagonismo ao movimento que nasceu (e morreu, diz-se), em 2006, em Braga. Os acordes simples que inspiravam o punk londrino nos setentas levaram figuras bracarenses à ousadia de tocar não sabendo um acorde, sequer. O resultado foi o que se viu, de tão simples, desapareceu: uma existência efémera, mas gloriosa. Ao segundo dia de festival – e não ao terceiro, atenção! – acontece a celebração do Chungwave com showcases de The Festmen, Foice Humana, Feia Medroño. Há também uma palestra e convidados.

E festa

Dia um

Dirty Beaches apresenta-se em Barcelos com o novo “Badlands”, lançado no início deste ano. Depois do concerto na ZDB, Alex Zhang Hungtai, canadiano com origens em Taiwan, leva a Barcelos o que “é surf, é rockabilly, é sujo”. Dose dupla de reencontros: Veados com Fome e Lobster, a mostrar que os bons filhos à casa tornam. Os Lobster para provar que “são a dupla mais fodida de sempre que Portugal já conheceu”; os outros para mostrar os riffs infernais das duas guitarras que lhes deram a fama no meio underground. “A tempestade de groove, movida a ritmos tropicais, guitarra africanizada, psicadelismo japonês e a insanidade” dos Zun Zun Egui. E ainda os Liars que não só levaram a experimentação ao limite na sua discografia, como também conseguiram inovar a cada disco.. Os concertos, esses, “são acessos de loucura e por mais experimental que uma composição possa ser, há sempre espaço para dançar”, diz a organização.

Dia dois

Não podíamos pensar em nada mais fresco que Traumático Desmame na piscina do Milhões –  “pesado,  experimental e lento”, deve ir bem com mojitos. DJ Fitz, personificação da coolness, como se quer, “é rei do funk africano de 70, barão da música oriental, imperador das bandas com nomes impronunciáveis”. Dia também para o surf rock dos Bikini Beach Band que farão do Cávado uma onda do caraças: tragam as pranchas, a sério. Secret Chiefs 3 – ou o sonho da worldmusic – levam-nos numa volta ao mundo em som e imaginário. De se ficar pasmado. Vivian Girls, a banda de meninas adoráveis liderada por Cassie Ramone, com música que se passeia entre guitarras caóticas e melodias doces, deixam o repto: “dancem… se quiserem”.

Dia três

Secousse é tipo um after numa savana africana com leões e zebras a curtir milhões. São congas e bongas e um bongo. Com DJ Tron, MC Mo Laudi (dos The Very Best) e ainda um convidado especial – tudo a soar a imperdível. Papa Topo ou Adrià e Paulita têm apenas um par de EPs, mas «Oso Panda» ou «Lo que me gusta del verano es poder tomar helado», são sucessos internacionais. São o Olh’Olá fresquinho do Milhões. Electrelane, que se juntam este Verão – após a passagem por Paredes de Coura, seguida da ruptura da banda – para nos trazer (quem sabe) um bocadinho do “No Shouts, No Calls”, o último álbum gravado que é descrito como uma intensa e impaciente felicidade, repleta de romantismos épicos – bonito! Washed Out, cabeça-de-lista pela chillwave internacional, baseia a sua “música em sons computadorizados ou provenientes do sintetizador mais sujo e antigo que encontrou numa loja de penhores, com ritmos alucinogénios e leads altamente reverberados directamente dos 80’s, no espírito máximo do lo-fi”. Quem o diz é Joaquim Durães. Regresso do rock psicadélico dos Radio Moscow a Portugal, que vêm desvendar um bocadinho do que se poderá ouvir no próximo registo da banda. Em palco espera-se bom gosto, classe, groove pelos instrumentos do costume – guitarra, baixo e bateria.

Temos, portanto, tudo o que é preciso!

E muito mais fica por dizer. Mas já vos demos umas dicas e, entretanto, também já esgotamos todos os trocadilhos que podíamos com as palavras Milhões e Festa durante todo o ano. Chegados a mais uma edição, nenhuma delas parece nova. O resumo fica feito, em rima, que a prosa já é parca:

Milhões de Festa,
Piscina,
Praia e Verão
Com Música,
Taina e bacanidão.

(nós tentámos, a sério!)

Vá, vão ser felizes!



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