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“(M)IMOSA” @ CCB

"Twenty Looks or Paris is Burning at The Judson Church" no alkantara festival 2012

A criação artística de Trajal Harrel, Cecilia Bengolea, François Chaignaud e Marlene Monteiro Freitas esteve no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém nos dias 4 e 5 de Junho. O nome atribuído a esta interpretação foi “(M)imosa” e esteve em Lisboa no âmbito do alkantara festival 2012.

“(M)imosa” é um espectáculo queer do coreógrafo norte-americano Trajal Harrel que reinventa o voguing – uma forma de expressão social praticada sobretudo por gays, travestis e transexuais, afro-americanos e latinos, surgida nos salões de baile do Harlem nos anos 60 – e o cruza com a dança contemporânea.

“(M)imosa” é uma das séries que estão incluídas no projecto Twenty Looks or Paris Is Burning at The Judson Church que o coreógrafo iniciou em 2009. Aqui, Harrel interroga a história da dança americana de forma extremamente provocatória. O título do projecto faz referência óbvia ao documentário de Jenny Livingstone (1990) que deu a conhecer ao grande público a dança Vogue, intitulado “Paris is Burning”.

O projecto está composto em várias séries: XS, S, M e L. Sendo que as medidas mais pequenas correspondem aos espectáculos mais íntimos com o público.

A Judson Church, em Greenwich Village, foi onde nasceu a dança pós-moderna e onde se resgatou o corpo das imposições da dança como forma de expressão de narrativas e emoções universais. A dança pós-moderna oferece a presença material do corpo como única realidade que importa; em oposição ao voguing, em que o disfarce ambiciona diluir-se o mais possível na norma social atingindo o máximo da realness.

O que Harrel propõe é o encontro potencial entre a cultura underground do voguing e a dança pós-moderna norte-americana, cujos fundadores se reúnem na Judson Church. Harrel imagina o que poderia ter acontecido se estes dois mundos alguma vez se tivessem cruzado, se nos anos 60 nova-iorquinos um transexual, um “legendary” gay, um latino ou afro-americano, da ball culture tivesse descido do Harlem até à Judson Church e tivesse dançado com Trisha Brown, Steve Paxton ou Yvonne Rainer.

(M)imosa surge num palco nu, só com um microfone e luzes brancas em volta. Esta disposição permite que o olhar do espectador se centre no que é fundamental: as performances. O espectáculo é um desfile de travestis e criaturas assexuadas que cantam, dançam e falam das suas vidas. (M)imosa é, no fundo, uma desordem de identidades: todos os quatro performers se intitulam como Mimosa Ferrera e tentam convencer o público de que eles é que são a verdadeira Mimosa, através de diferentes representações.

O público aderiu particularmente à imitação de Kate Bush em “Wuthering Heights” por parte de Cecilia Bengolea. Os espectadores riram bastante graças à performance propositadamente desafinada e mal dançada. Outro momento especial da noite foi quando os quatro performers dançaram em conjunto kizomba. As luzes apagadas permitiram que as vestes um tanto ou quanto pornográficas brilhassem no escuro, criando um clima de dança contagiante. A maior parte dos espectadores batia o pé, seguindo o ritmo da música.

“Made-to-Measure” é a próxima peça de Trajal Harrel, tem estreia marcada para Outubro e segue o caminho contrário do projecto “Twenty Looks or Paris Is Burning at The Judson Church”. A premissa deste espectáculo é: “E se os artistas da Judson Church tivessem ido ter ao Harlem?”



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