Mini Bar
Brincar com a comida nunca foi tão bom!
Estou verdadeiramente feliz. Comecei a juntar memórias durante o jantar no Mini Bar e, durante dias, não consegui deixar de ter flashes na minha cabeça. Tal como o reconhecido Chefe Avillez faz com a comida, também eu comecei a brincar com conceitos e a fazer analogias entre a minha experiência gastronómica e qualquer espectáculo a solo do Ricardo Araújo Pereira ou dos actores do Chapitô: quem já assistiu (e gosta), sabe: não é preciso adereços. O palco pode estar (quase) vazio, não ter o barulho de mil e uma luzes, nem cenários deslumbrantes. Os actores em questão são tão bons – e tão criativos – que me deixam sempre rendida. Mesmo a calhar, já que o bar gastronómico – é assim que Avillez lhe chama – faz parte do Teatro São Luiz e apresenta os seus menus em vários actos, como numa peça de teatro. Anda, não deixes esgotar os bilhetes para a primeira fila!
E o prémio de melhor actor secundário vai para…
Sempre pensei que se fosse uma artista, iria fazer questão de agradecer publicamente à equipa que trabalhasse comigo. E como neste texto eu sou o que eu quiser, faz de conta que eu sou uma artista. Ainda o espectáculo tinha começado e eu já agradecia secretamente à equipa do Mini Bar, que somou muitos pontos à nossa experiência. Simpatia, sentido de humor, descontracção, elegância, educação, profissionalismo, teatralidade, sentido de pertença… ufa! É muita coisa boa, mas citando um dos colaboradores, “para ser grande, há que ser inteiro”. A apresentação dos pratos veio acompanhada, na maior parte das vezes com uma piada, uma referência histórica, ou uma colocação teatral na voz. Pediram sobretudo que nos divertíssemos a desconstruir cada prato. Mas nem era preciso insistir…
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Este Director de arte já ganhou!
Peço desculpa por ter demorado tanto tempo para falar sobre o mais importante – se eu estivesse a ler uma critica sobre um restaurante do José Avillez, mais de dez linhas também me pareceriam demasiado – mas espero ter-vos deixado curiosos para entrarem no verdadeiro espectáculo: a comida. Queria falar-vos sobre todos os pratos – porque todos, sem excepção, são merecedores de excelentes críticas, mas tenho receio de me alongar demasiado, já que provámos cerca de vinte mini-pratos. No Mini Bar pode escolher-se dois tipos de menus – o Menu Épico (que é uma surpresa) e o Menu em Cartaz, mas todos os mini-pratos estão disponíveis na carta e podem ser pedidos individualmente (daí esta selecção poder fazer algum sentido). Silêncio e concentração, o espectáculo vai começar!
Boom, as Azeitonas El Bulli 2005 XL-LX! A mais divertida surpresa de todas! Azeitonas XL (acompanham o Bacalhau à Brás do Café Lisboa) que ao serem pressionadas contra o céu da boca (não te esqueças de a manter bem fechada) explodem e se derramam na boca, espalhando um liquido super cremoso e um sabor divinal a azeitona. Divinal!
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O quê, comer o papel dourado do Ferrero Rocher? Sim, Ambrósio, traz lá outra vez! Este recria na perfeição o bombom natalício, nomeadamente com o embrulho, que é comestível! Diversão garantida à primeira dentada, mas espectacular é mesmo o recheio cremoso do Ferrero que sabe a um maravilhoso fois gras. Junta-lhe chocolate e avelã e… experimenta, que estou com ciumes de partilhar!
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“Frango Assado”, assim mesmo: entre aspas. É que não há cá peito, perna ou asa, para escolher. Este franguinho é uma fatia muito fina e estaladiça de pele de frango com crème de abacate e requeijão fumado, piri-piri e limão. A minha nutricionista que me desculpe, mas a pele deste frango eu não podia – nem conseguiria – deixar de comer!
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E, por momentos, pensámos que íamos ver o regresso do D. Sebastião… mas não… dentro de uma campânula de vidro – de onde saiu todo um espectáculo de fumo – espreitava a Cavala fumada, salada de maçã e aipo, uma conjugação de sabores que funciona muito bem e que deixa o sabor fumado na boca. Óptimo,e sim, já me começo a repetir!
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E como prova de que as aparências iludem, o Mini Bar tem um Arroz de vitela com parmesão, que é simplesmente es-pe-ta-cu-lar! O nome não adivinha a coisa mais original do mundo e em termos de apresentação não o é, mas se gostas de risotto, só precisas saber que este está (tão) no ponto. Final parágrafo.
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E quando eu começava a ficar triste com o anúncio do fim, eis que chega à mesa um Globo lima-limão, que ganha pela apresentação e pela acidez maravilhosa que me levou aos tempos da minha adolescência, quando comprava chupas ácidos perto da escola (alguém se lembra disto?).
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E não poderia deixar de falar dos cocktails, que são viciantes – sim, repetimos – de tão bons que são. O Gaiato, de Gin, lima, gengibre e coentros – das melhores coisas que já bebi; e o Primo Basíico, de um Gin cujo sabor parece vodka, manjericão e limão.
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Antes do final deste acto, deixa-me que repita: todos os pratos do Mini Bar são dignos de prova. Por isso, podes ir simplesmente à descoberta e conforme os teus gostos pessoais, no que diz respeito aos alimentos. De qualquer forma, vais querer voltar outra vez, por isso há tempo para tudo…
Os adereços
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Vais ver que não menti no inicio deste texto. Quando entras no mundo da comida do Chefe Avillez… esquece lá o resto! Para os que conseguem pensar em mais do que uma coisa muito importante ao mesmo tempo, vão notar que o espaço é escuro, bastante animado e tem música ao vivo: as playlists do Mini Bar são preparadas por Mike Stellar, que também selecciona os DJ’s que põem música todas as Sextas e Sábados, a partir das 23h. Ah! Valor acrescentado, o Mini Bar está aberto ao Domingo! Porque num sitio como este, “the show must go on”! Pronto, plagiei uma música… o que, assim de repente, pode dar ideias ao nosso querido Chefe… mas isso, dará outra história…
Morada: Rua António Maria Cardoso, 58 (Teatro São Luiz)
Horário: Seg a Dom / 19h-02h
Telefone: 211 305 393
Fotografias cedidas pelo Mini Bar (Autoria: Paulo Barata e Mariana Marques)
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