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MIUDA – “MIUDA” [EP]

A possível banda sonora para ouvir no descapotável a caminho da praia.

Depois da aparição [quase] única de Mel e Pedro Puppe no palco do Musicbox para a segunda “Noites da Rua”, em Outubro do ano passado, eis que vê a luz do dia o aguardado EP que em tanto mistério estava envolvido. É verdade que quase me senti um verdadeiro detective quando os entrevistei nessa altura para saber mais coisas relativamente a este projecto. Recordo-me do ar tímido e ingénuo de Mel, assim como o ar confiante de Pedro Puppe, que depressa se transfigurou em cima do palco para demonstrar que a confiança que os une é perfeitamente cúmplice da amizade que os aproximou e deu lugar à oportunidade da criação deste disco.

Deixando a melancolia de lado, o grupo que surgiu apenas com um single de apresentação «Com quem eu quero» no álbum da FNAC Novos Talentos 2011, depressa suscitou uma curiosidade perturbadora, sendo das mais pesquisadas e questionadas. Agora, têm o EP homónimo à venda nas lojas FNAC e disponível para download sob a chancela da Optimus Discos. São sete canções fáceis de ouvir, mas ao mesmo tempo difíceis de decifrar ao início. Contrariedades? Não, simplesmente as mensagens que transmitem são fortes demais para se escutar e aprender a lição de uma vez só.

Mal carregamos no play escutamos a canção cujo refrão soa em loop automaticamente na nossa cabeça. «Com quem eu quero» encontra-se devidamente masterizado e a cada audição não perde o poder de uma independent woman que fuma um cigarro e apenas quer mostrar e afirmar a sua liberdade. Um bom sucessor a este single pode ser a canção «Na cidade» pela sua melodia e refrão fácil de cantarolar, ou então «Meu amor». Nesta última, a voz murmura a necessidade de ter alguém, quase como uma súplica aos deuses. Dando continuidade ao passeio musical, recuamos a «Vou ser», uma balada que, no meio de todas as canções, receio que se apague ou se passe à frente como um toque instintivo, mas que merece ser escutada com toda a concentração. A partir de «Fluxo das Flores» parece não haver uma grande variedade rítmica, mas em termos de letras continuam vigorosas. A voz de Mel parece angelical, mas de anjo a MIUDA não tem nada. É uma forte mulher/demónio, mas não literalmente de modo a remeter à poética de Cesário Verde! Relembro também as palavras de Pedro Puppe afirmando que estão cansados de “falsos valores e pudores pois estamos um pouco fartos de viver num país moralizador” e é mesmo isto a que se resume as músicas deste disco.

Como diz o refrão de uma canção, “…quem se oferece assim não tem medo…” e MIUDA não tem medo de ser arrojada nesta nova suavidade do pop que combina bem com a primavera antecipada e nos põe a murmurar as letras que ficam coladas à nossa língua.



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