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Mocky

"Os animais são uma audiência muito difícil!"

Antes de entrar em palco, a propósito do festival Jameson Urban Routes, no Musicbox, Mocky é uma personagem tímida e reservada. Passeia-se sem que demos pela sua presença. Anda pelo recinto sem que notemos a sua passagem. Para além de tímido e reservado, o canadiano não gosta de dar nas vistas. Pelo menos até subir ao palco. Aí, no seu espaço de recriação, é fácil notar a presença de Mocky. Difícil é tirarmos-lhe a vista de cima. Ele e a sua banda dão o litro a cada concerto. Cada espectáculo é vivido como se fosse o último.

Toda esta intensidade a cada concerto tem que ter uma explicação. Confrontamos Mocky com a forma singular como foi apresentado para este concerto no Musicbox – no facebook da sala lisboeta podia ler-se: “Mocky, o homem que formou uma banda com macacos para actuar no Jardim Zoológico vem ao Musicbox”. É esta a forma como Mocky quer ser reconhecido? É com alguma surpresa que o canadiano responde de forma séria – “claro! A minha primeira digressão foi no Jardim Zoológico. Foi aí que aprendi a tocar para seres humanos. Os animais são uma audiência muito difícil!”. A justificação para tanta intensidade em palco pode estar justamente aí. Afinal de contas, os animais não estão habituados a ouvir música, muito menos a música “complicada” que Mocky produz.

Mocky nasceu no Canadá, viajando depois para a Europa, para Londres, Amesterdão e, por fim, Berlim. O músico explica o porquê de tanta mudança – “preciso de estar rodeado de pessoas”. De pessoas criativas avançamos nós – como se podia ler no folheto de apresentação de Mocky neste festival Jameson Urban Routes (que contou com nomes como Cibelle, Tiguana Bibles, Jazzanova Markus Keinzl e Cacique 97). Berlim é, para alguns, o centro do mundo musical. O músico confirma que “estar rodeado de grandes pessoas e grandes músicos o inspira”.

Mas a arte deste singular artista não se fica apenas pelos (muitos) instrumentos que toca – guitarra, baixo, bateria e piano, para enumerar apenas os mais comuns. Mocky é também conhecido pelo trabalho de produção com gente tão ilustre como Feist, Gonzales, Nikka Costa e Jamie Lidell. Poderá o trabalho de produtor suplantar o trabalho de músico a solo, no que a visibilidade diz respeito? “Não, estou muito orgulhoso do meu trabalho com eles. É parte do que eu faço. Quincy Jones, por exemplo, ficou conhecido pelo seu trabalho enquanto produtor. Eu faço várias coisas e sinto-me muito orgulhoso de cada uma delas.”

Vamos ao último disco, “Saskamodie”, editado este ano e gravado nos Ferber Studio’s, em Paris, onde gravaram Nina Simone e Serge Gainsbourg. Opção pessoal? “Sim, sem dúvida. Queria recuar ao período clássico, à idade de ouro da produção musical”. Os anos 60, pois claro, a grande influência de Mocky.

Nos discos anteriores notávamos uma sonoridade mais soul. Ao quarto disco, Mocky passeia-se mais pelo jazz. Será a “música negra” uma inspiração? “Eu não a classificaria como “música negra. Sim, a soul é a melhor música de sempre, mas não a classificaria como música negra”.

Mocky já pertenceu a inúmeros projectos – Puppetmastaz, The Shit, Son, The D.O.M., The Freeway Band e The Roustabouts. A lista parece não ter fim. Há ainda os tais trabalhos de produção e remisturas – aos Architecture In Helsinki, por exemplo. Mocky é viciado em trabalho? “É música. Não é trabalho. É a minha paixão, o que gosto de fazer. Tens que trazer algo de positivo para o mundo. É um privilégio fazer música”. Mais tarde, no palco do Musicbox, fez questão de colocar toda essa paixão em palco. Mais um concerto, vivido tal como se fosse o último.



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