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Modalisboa In the Market Dia 1

Reportagem do primeiro dia da Modalisboa In the Market.

Os suspeitos do costume no primeiro dia em que a moda chega ao Mercado da Ribeira, em Lisboa. Eduarda Abbondanza diz que é no Mercado porque se quer encarar a moda como um bem essencial, tal como a fruta ou os legumes que habitualmente preenchem aquele espaço.

Na verdade, é no Mercado porque o Páteo da Galé, no Terreiro do Paço, está em obras. António Costa já deu o presente: terminadas as obras, e já a partir da próxima edição, o Páteo será a morada definitiva da Lisboa Fashion Week.

O local mudou, as caras são quase as mesmas. Não descurando o mérito da mostra, a maior de (bons) criadores nacionais, a Moda Lisboa continua a ser o local ideal para ver e ser visto.

Ao chegar, demora a perceber-se como é que afinal se vêm os desfiles. Para a esquerda há o welcome-center de imprensa, à direita a área Vip. Ao centro, um hall de onde se acede às três entradas, consoante a fita que se leva ao pescoço ou o convite que alguém arranjou. Tudo isto num espaço apertado e cheio. Ah…e há luz.

Já lá dentro: branco. A passerelle pintou-se de branco para receber as colecções da Primevera-Verão que há-de vir em 2011. Mais uma vez, a sensação é de um espaço apertado. Apesar de bonito, simples, sóbrio…é apertado.
Depois dos flashes e das arrumações habituais, Filipe Faísca faz as honras. Pegou numa tenda militar que esteve, de facto, na guerra (resta saber qual) e fez cerca de 10 peças em lona. Cortes simples, que não esquecem a origem do material. “Gosto das peças que falam por si, que têm história e vida”, diz Faísca aos jornalistas no final do desfile. Da lona para a cor.
Vestidos para casamentos, como o próprio referiu. Coordenados algo mono ou bicromáticos, com algum padrão gráfico de inspiração anos 60.

De um desfile para o outro, o povo enche as salas exteriores. A ameaça de chuva prende as pessoas no interior e a confusão retoma. Há carros no meio das salas, fazendo jus ao principal patrocinador, desde há anos.

Há os simples, as fashionistas, os “vips”, os vips, os artistas, os que trabalham e os que só vieram ver a bola. Há as revistas, muitas revistas, para dar… Stands, marcas. Branding em estado puro e concentrado.

Ricardo Preto. Expectativa deste lado. Toca Caribou e Nico Muhly. Paul Poiret e Dagobert Peche, dois nortes para Preto. Do primeiro tirou a ideia de mulher. “Poiret amava a mulher e libertou-a”, diz o designer. Do segundo roubou as formas. O geométrico e o ondulante conjugados configuram o ecletismo estético que Ricardo procurava. As influências acabam por esclarecer a coerência que a olho nu parece faltar.

Peças essencialmente clássicas com apontamentos “inesperados”. Coordenados interessantes em algodão, jersey, seda, popeline e texturados. Cores essencialmente neutras, azuis, beges, cinzas, castanhos, pontuados por salmão e azul-pardo.

Preto acabou com ameaças da chuva lá de fora que tentava entrar em pingos certeiros. O mesmo separador de sempre e Alves & Gonçalves, desta vez “on location”, apresentam as suas propostas. A “Maria” dos Manéis está em crise. Como todas as “marias”. A dupla não ignora a conjuntura e adopta linhas direitas, cores pastel, plissados e algum rosa com amarelo, bege e vermelhos. Passa do cocktail habitual para silhuetas livres, limpas, fluidas que marcam a posição de Manuel Alves e Manuel Gonçalves perante o estado das coisas. Peça forte: uma gabardine em seda.

Destaque para os atrasos de quase uma hora em cada desfile e…amanhã há mais.

Fotografia por João Bettencourt Bacelar



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