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MODALISBOA LEGACY #3

Numa edição especial, na qual se pretende homenagear as raízes do evento e convocar um legado que é património comum da moda, foram orgulhosamente apresentadas as coleções para a primavera-verão de 2015 de alguns dos maiores estilistas portugueses – um legado que veio para ficar.

Lick me, eat me, taste me, kiss me é o tema arrojado com que Dino Alves dá inicio ao último dia da Lisboa Fashion Week. O conceito é simples e objetivo: «Da mesma forma que, para conhecemos um alimento ou qualquer substância comestível temos que os lamber, trincar, mastigar, comer, também para conhecermos o ser humano, de uma forma metafórica podemos fazer o mesmo». Um interior que escorre por nós ou trespassa de dentro para fora, aqui representado e simbolizado nas peças de roupa. Numa silhueta assimétrica que remete para dentadas na roupa, folhos jabô irregulares e badanas ligeiramente onduladas que atravessam as costuras transmitindo a sensação de a própria roupa estar a escorrer sobre si. Com recurso a materiais como os marrocains, sedas, sablés, satins, mousselines e gangas em coerência com uma paleta de cores que se espalha entre os bejes, cinzas, brancos e os castanhos, com apontamentos de verde pistachio claro, mostarda e salmão.

A classe e a força feminina com que Pedro Pedro sempre nos habituou é o grande plano de uma luta pela independência em pleno século XXI. Formas masculinas e andróginas coexistem com a feminilidade que é já característica do label do designer. Vestígios de influências marítimas revelam-se num styling em que predominam as malhas e sarjas de algodão que conferem às suas silhuetas um caracter preppy e desportivo – tornando as suas peças em algo único e sempre usável. São peças para mulheres reais que, sem descuidar a aparência, optam por uma sofisticação prática em detrimento dos típicos coletes-de-forças que as impedem de aproveitar ao máximo a sua vida.

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Intitulada Illusion, a coleção de Valentim Quaresma faz-nos viajar no tempo, revisitar tribos e seguir a par e passo a evolução da espécie. Peças de joalharia que se confundem frequentemente com obras de arte a três dimensões. Uma coletânea de contornos pautados por materiais tecnológicos, cobre, latão, ónix e vidro transportaram-nos ao longo do desfile para uma tribo moderna com uma forte tendência para o noir chic.

A estilista Catarina Sequeira surpreendeu a audiência pela positiva através do recurso a um padrão invulgar – o escaravelho – para a primavera-verão 2015 da etiqueta SAYMYNAME. Uma silhueta geométrica muito jovial divide a coleção em duas partes distintas: uma primeira parte evidentemente poderosa e monocromática com um micro-padrão que quase nos fazia lembrar a calçada portuguesa em contraste com uma segunda parte dominada pelo padrão e por matizes mais leves e coloridas.

Uma história sobre design, arte e moda, em que os retalhos tradicionais se unem aos modernos e vanguardistas. Uma história escrita pelos cortes de Lidija Kolovrat. Uma coleção espontânea, norteada pelo preto e azul forte e pela ideia de paraíso no mar – uma imagem que acompanha de modo literal algumas das silhuetas da coleção. As cores do mar unem-se às transparências que tornam as figuras esteticamente interessantes e apelativas, sem deixar de lado o seu cunho versátil e prático. Uma coleção pensada para as necessidades dos seus admiradores, uma história onde a criação acontece.

Contrariamente ao que sucedeu com a coleção masculina, Miguel Vieira|Woman apresentou uma coleção sublime de sofisticação com um saliente foco desportivo. O branco, o lilás e o preto dominaram os figurinos do criador, que se refugiaram nas transparências e nos acolchoados com o objetivo de conferir um cunho mais pessoal e requintado às suas criações.

A concluir o terceiro e último dia da ModaLisboa – Legacy, foi a vez do conceituado estilista Nuno Gama encantar os seus seguidores com mais um desfile-espetáculo ao qual ninguém consegue ser indiferente. Se na última edição o criador surpreendeu a audiência com cavalos na passerelle, desta vez foi o tempo de dar voz às memórias de infância e às «coisas de outrora» que ajudaram Gama a construir o seu carácter de agora.

Um espetáculo de moda, teatro e dança com notáveis influências da Arrábida e do enfant terrible que entretanto cresceu e evoluiu. Figurinos sempre muito nacionais e trabalhados, com fortes padrões florais e frutados, riscas, nós náuticos e âncoras que transbordam verão pelas costuras.

«A moda passa o testemunho, passa o conhecimento, passa o saber. Mas não passa de moda. Assume a responsabilidade da experiência, a dinâmica histórica, a identidade artística e o legado criativo que fica.»



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