Modalisboa Trust | Dia 2 (09.03.2013)

Modalisboa Trust | Dia 2 (09.03.2013)

Um dia recheado de desfiles que terminou em beleza com Ricardo Preto

Luís Buchinho

A colecção de Luís Buchinho revela um passeio ao passado com a mente no presente. Baseando-se na Revolução de Abril – e consequentemente nos anos 70 – o vermelho dos cravos, o negro das armas e o grafismo da propaganda política foram a inspiração do criador. Jumpsuits, saias longas e calças largas jogam com casacos estruturados e peças mais justas. As assimetrias e liberdades com o corte dos tecidos, tão próprios do criador, aproveitam também a pequena paleta de cores utilizada, dando azo a peças bi ou tricolores com uma grande força estética – de salientar as golas altas modernizadas. Os poucos padrões apresentados quase que contam a história de dia 25, entrelaçando a beleza dos cravos com a memória da ditadura.

MODALISBOA TRUST | LUÍS BUCHINHO | FALL / WINTER 13/14 from ModaLisboa – Lisboa Fashion Week on Vimeo.

Ricardo Andrez | LAB

Ricardo Andrez apresenta a sua colecção para o próximo Outono-Inverno, pautada pelo preto, branco e cinzento; quase um uniforme nesta edição da ModaLisboa. Em linhas simples e desportivas podemos ver sweats e blusões a seguirem as linhas da estação (largas e arredondadas), assim como pequenas surpresas no meio da colecção – uma saia (vestido?) em padrão escocês vem à memória. O calçado, que brilhantemente apoiou a colecção, foi da responsabilidade do “Senhor Prudêncio”.

Saymyname | LAB

Cada vez mais assistimos à fusão das estações. A colecção de Saymyname, pela mão de Catarina Sequeira, é desse fenómeno exemplo perfeito. Num tom desportivo vemos vestidos curtos em padrões tropicais, calças skinny com pregas na cintura, saias pregadas à frente e mais estruturadas atrás e tops drapeados. Mas os grandes heróis da colecção são os casacos, bombers de grande dimensão e ombros arredondados que tanto nos podem aquecer numa fria manhã de Dezembro como nos podem aconchegar, postos por cima dos ombros, numa noite de Primavera. Tudo em tons cinza, azul marinho, ameixa e bubblegum pink.

MODALISBOA TRUST | SAYMYNAME | FALL / WINTER 13/14 from ModaLisboa – Lisboa Fashion Week on Vimeo.

Aleksandar Protic

Mais uma vez o combinado black & white demonstra a sua força para esta estação. Aleksandar Protic, que há mais de 10 anos apresenta as suas colecções em Lisboa, mostra-nos aqui uma junção de peças tanto estruturadas como fluídas, por meio dos drapeados que tão bem consegue. A primeira parte do desfile fez-se com peças mais formais, entre calças justas e vestidos de formas mais arredondadas (as famosas cocoon sleeves desta estação), tudo em preto e branco. Já a segunda parte, embalada por uma música mais intimista, apresenta conjuntos brancos e leves, entrecortados com um houndstooth branco e castanho. Como sempre com Protic, o trabalho de corte e estrutura das peças é impecável, criando conjuntos incrivelmente apetecíveis.

MODALISBOA TRUST | ALEKSANDAR PROTIC | FALL / WINTER 13/14 from ModaLisboa – Lisboa Fashion Week on Vimeo.

Os Burgueses| LAB

Ainda apresentam a sua colecção como parte da plataforma LAB, mas Euletério e Mia já têm uma legião de fãs de gente crescida. E não querem desapontar ninguém. Desde a selecção musical – que deixou o público a rir, a corar e a dançar – passando pela coreografia do desfile, até às peças: Camisas simples ou disfarçadas de vestidos, pretas ou brancas com manchas estilo Rorscharch; óculos redondos de armações brancas; sweaters e t-shirts com ilustrações que podiam muito bem ser as respostas aos Rorscharch que passaram antes; uma mochila preta em houndstooth que pareceu criar uma onda de suspiros pelo público… e, por fim, bombers, blusões curtos e casacos com apontamentos em pele. A colecção a dois tons que certamente garantiu novos fãs à jovem dupla.

Pedro Pedro

Depois de uma performance eléctrica pela mão d’Os Burgueses, Pedro Pedro surge com uma colecção mais intimista e feminina. Saias pregadas de cintura descida, calças acima do tornozelo de corte perfeito e blusões sem costura de corte solto ditam a leveza de uma apresentação inspirada pela América tribal – não custa imaginar um passeio pelo Grand Canyon do século XV estando munidos com estes conjuntos. Os tons predominantes foram o camel, branco, preto e verde floresta. O calçado passeia-se entre sapatos de sola chunky e botas e botins acentuados com pormenores dourados.

Alexandra Moura

Alexandra Moura afirma que a sua grande inspiração foi o número quatro, a forma do quadrado. Mas quando a primeira modelo surgiu na sala de desfiles foi impossível não pensar na beleza perfeccionista das gueixas japonesas. O styling das modelos consistia num apanhado rígido em forma de tubo no cimo da cabeça, conjugado com uma cara clean e um olhar forte. Chokers em dourado adornavam os pescoços da maioria, e o jogo de luz fez com que o público se sentisse no meio de algo muito íntimo. A colecção em tons de creme, camel, azul e preto apresentava tecidos ricos e texturizados, com cinturas demarcadas para as mulheres e um toque de descontracção cool nos conjuntos masculinos. As mangas largas são outro toque que grita Japão; já os sapatos são marcadamente ocidentais, entre brogues e saltos em pele preta e castanha, acentuados com painéis de metal dourado – definitivamente um dos pontos altos do desfile.

Nuno Baltazar

Nuno Baltazar apresentou aquela que é, até ao momento, a colecção mais colorida desta edição da ModaLisboa. O filme “Orlando”, baseado no romance de Virginia Woolf, foi a grande inspiração do criador. Com um conjunto de materiais ricos como crepe, jaquard lurex, lãs e seda, o desfile apresentou vários conjuntos incrivelmente femininos em tons de preto, caramelo, musgo, esmeralda, fuschia e wine. Embora Nuno Baltazar tivesse indicado a presença de algo andrógeno na colecção, esta sente-se maioritariamente feminina. Para além dos vestidos cintados e das capas a uma ou duas cores, há também que referir a beleza dos ombros e mangas destas criações; com vários cortes diferentes, mas todos fenomenais.

Ricardo Preto

Ricardo Preto quis terminar o segundo dia da ModaLisboa em grande. Para além de estar decorada com várias naturezas mortas, a sala de desfiles encheu-se de fumo a partir do momento em que se apagaram as luzes. Pelo meio das nuvens formadas surgiram modelos com capas de corte clean, blazers (e coletes em jeito de blazers) de estilo recto, saias e blusas fluídas e chunky knits que aqueciam o olhar. O criador descreve a sua inspiração como parte do trabalho produzido e apresentado pela escola alemã Bauhaus, em tons mostarda, preto, vermelho, cinzento e branco. Os drapeados também surgiram em forma de mini vestido branco, quiçá um artista que fugiu da Grécia Antiga para se poder sentar ao lado de Breuer ou Kandinsky.

Fotografia por Graziela Costa



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