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MOMO @ Musicbox Lisboa (02.02.2018)

O timbre aveludado de Momo como o epicentro de praticamente toda a actuação

Desde Silva até Cícero, passando por Momo, o naipe de compositores modernos oriundos do Brasil que têm passado largas temporadas em Portugal tem-se alargado e valorizado. Um grupo sempre motivado e acolhido pela dupla Marcelo Camelo e Mallú Magalhães, que obviamente não podia faltar entre o público que se refugiou no Musicbox perante uma noite demasiado fresca.

O protagonista apresentou-se em palco suportado por guitarra, bateria, baixo e percussão (por Caetano Malta, Felipe Bastos, Nuno Carvalho e Rui Alves respectivamente), valendo como um apoio bastante sóbrio, mas acutilante, incluindo nos jogos de vozes que afloraram nalguns temas, o que supriu bem a falta de convidados no concerto. O timbre aveludado de Momo vale como o epicentro de praticamente toda a actuação, com um ou outro momento mais explosivo, como no enorme refrão de «Preciso Ser Pedra», repescado em “Buscador”, o seu trabalho de 2008.

Apesar dos flashbacks usuais em qualquer concerto, o holofote da noite recairia obviamente sobre “Voá”, editado no ano transacto, e inteiramente confeccionado em Lisboa, e altamente inspirado pela mesma cidade. O ponto mais óbvio será certamente o tema «Alfama», local onde inicialmente habitou em Lisboa, e onde sob supervisão do maestro Marcelo Camelo foi erigindo este trabalho. No entanto é curioso notar que em discos anteriores Marcelo Frota (a identidade civil de Momo) já piscava o olho ao ambiente do fado, como por exemplo em «Recomeço», retirada de “Cadafalso”, que também teve lugar no alinhamento.

Houve igualmente espaço para homenagear Luís Gonzaga, com uma belíssima interpretação de «Assum Preto», num dos momentos em que a sonoridade de Momo, bem ao seu jeito, inspirou suaves passes de dança por parte dos presentes, valendo «Nanã» como outro desses instantes.

Esperamos que o facto de ter culminado a noite ao som de «Pássaro Azul» não signifique que Momo vá “Voá” da capital portuguesa e que o ciclo de inspiração mútuo prossiga naturalmente.

Fotografia por José Eduardo Real



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