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“Moneyball”

Um filme em que o desporto é o menos importante.

Com um pouco de receio, fui ver o recente “Moneyball”. Para alguém que pouco ou nada liga a desporto e que, obviamente nada sabe sobre certas técnicas, arriscar ver um filme em que supostamente a história se concentra no basebol, faz com que pense duas vezes.

A verdade é que já fui surpreendida algumas vezes com filmes deste género e Moneyball aumenta a lista.

Primeiro que tudo, Bennet Miller, o realizador. O homem que fez “Capote”, um filme que consegue reflectir o livro, com o mesmo nome, e onde temos uma película dura e crua, quase demonstrando o que por vezes se faz com certos filmes independentes.

Não havendo muitos mais filmes na lista de Miller (e nem acho que seja necessário), com este “Moneyball” fica comprovado que não são precisos diversos êxitos para ter talento ou sucesso.

Baseado no livro de Michael Lewis, com o mesmo nome, “Moneyball” aborda temas um tanto ou quanto diferentes, quando se fala de filmes de desporto. Sim, temos o clássico tema dos mais fracos que conseguem dar a volta por cima, quando tudo e todos acham impossível, mas sim, temos também pontos não tão previsíveis.

Primeiramente, a presença de linguagem desportiva em excesso é algo que não existe. Fala-se naturalmente de nomes técnicos e de estratégias que, quem não está a par deste mundo, não entende na perfeição o que está a ser falado, mas nunca ao ponto de nos sentirmos perdidos durante o filme, desejando passar à cena seguinte. A abordagem ao basebol é dada de uma forma acessível, de modo a que qualquer um de nós consiga ficar situado com o que se está a passar a cada momento.

Outro dos pontos positivos deste filme é o conhecimento a uma técnica que muitos de nós nunca tínhamos ouvido falar, o chamado Moneyball, em que os jogadores de equipa não são contratados pela sua fama nem pela sua reputação, mas sim, após um pensado processo, onde todas as suas técnicas e todo o seu desempenho são avaliados ao extremo, conseguem então, ser negociados e chamados a campo, com o menor gasto possível para a equipa.

Se falarmos em vencedores para os próximos Óscares, Brad Pitt certamente é digno de uma vitória com o seu desempenho, como Billy Beane, o manager dos Oakland Athletics, uma personagem com os pés bem assentes na terra, bastante experiente na área do basebol (tanto como jogador, como director desportivo) e não muito feliz com a sua vida e o seu trabalho.

A seu cargo encontra-se uma equipa, que aos olhos dos espectadores já não tem volta a dar, devido à quantidade de derrotas acumuladas e transferências de jogadores importantes e míticos. Mas Billy Beane é tudo menos alguém que se acomoda aos acontecimentos e, por isso mesmo, decide apostar nesta nova técnica, tendo como seu braço direito Peter Brand, um economista e aficionado do basebol.

Uma técnica completamente diferente do habitual, que não agrada a todos, principalmente ao treinador de equipa, Art Howe, o nosso conhecido Philip Seymour Hoffman (curiosamente, o dono da personagem Truman Capote) e em que, muitas vezes, não dará o resultado previsto, mas onde conseguimos ver uma outra realidade e diferente visão do desporto.

Baseado numa história verídica, “Moneyball” é um filme valioso nos tempos que correm, em que temos à nossa frente o desporto e dinheiro, unidos num só, em que muitas vezes o que fala mais alto é a parte monetária, girando tudo à volta de um círculo vicioso. Aqui, ao contrário do que costuma acontecer, vemos uma equipa, com poucos recursos e com uma margem de erro extremamente encurtada, a dar a volta por cima e a levantar-se aos poucos e poucos.



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