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Moto Women Only Expedition rumo ao Quirguistão

Entrevista com Agata Gregorek

É sempre um prazer poder conversar com a Agata sobre viagens. Muitos são os destinos por onde já passou. Há um ano atrás, na companhia de um grupo de 15 mulheres partiu rumo aos Himalaias. Tive o privilégio de a conhecer, dias antes de partir nessa magnífica aventura e desta forma, poder saber um pouco mais acerca do projeto, de quais eram as expectativas desta viagem e quem eram as mulheres que com ela iriam partilhar este extraordinário percurso, todo ele feito em Royal Enfield Bullet 500.

Um ano passou, desde a expedição aos Himalaias, o projeto “Moto Women Only” está neste momento no Quirguistão, um pequeno país localizado na Ásia Central, que faz fronteira com o Cazaquistão, o Uzbequistão, o Tadjiquistão e a China. Partiram no passado dia 29 de julho e regressam no dia 13 de agosto à cidade de Bishkek, a capital do Quirguistão, de onde inicialmente saíram.

Em dezembro passado a Agata esteve no Porto e aproveitamos para pôr a conversa em dia. Jantamos em minha casa e asseguro-vos, que acabou tarde, porque não faltavam pormenores acerca da sua experiência nos Himalaias!! Aqui fica um cheirinho do que foi essa viagem contada em vésperas de natal.

Quirguistão - Tylko dla Orlic

Quirguistão – Tylko dla Orlic

Ana Efe – Podes dizer-nos como é que a viagem começou. Como é que te sentiste quando chegaste à India, depois do teu voo a partir do Dubai, sem saber como seriam os dias seguintes?

Agata Gregorek – Tive muita sorte de estar mais perto da India, do que todas as outras participantes (apenas 3,5 horas de distância de Deli) e, portanto, poder passar menos tempo nos aeroportos e nos aviões. Pensei que isso me traria um menor risco de complicações, atrasos e razões para estar esgotada logo no início da viagem. Mal eu sabia…

Só quando finalmente cheguei ao portão de embarque no aeroporto do Dubai e comecei a relaxar, fiquei a saber que, embora eu tivesse direito a um visto eletrónico concedido na chegada à India, eu deveria ter imprimido um email a confirmar (o facto de o ter no meu telemóvel não era suficiente) … a equipa de terra, não me queria deixar apanhar o voo e foram precisas muitas explicações e momentos stressantes para encontrar uma solução, fazendo com que quase perdesse o voo! Engraçado o suficiente (apenas da perspetiva de hoje), era tudo desnecessário, uma vez que a equipa de terra na India não viu qualquer problema… 4h de stress extra para nada!

Toda a experiência fez-me esquecer durante algum tempo o frenesim. Só quando, finalmente encontrei e me juntei às outras participantes, que já estavam à espera num ponto de encontro previamente combinado em Deli, é que pude relaxar e começar a pensar em “como vai ser?”, “O que é que eu realmente estou a fazer?”, ” Vou aguentar? “,” Do que é que eu estou espera? “.

Mesmo que eu me pergunte por vezes, nunca penso demais sobre o futuro e o desconhecido. Eu acredito que o que tem que ser, será e eu tento agarrar quando acontece. A partir de então, estávamos todas juntos naquilo! A emoção foi finalmente aumentando e é só deixar acontecer!
O voo de Deli para Manali não foi cancelado, como regularmente acontece, e foi superdivertido! Senti que nada importava mais na realidade, estávamos juntas, a vibração era fenomenal e tudo parecia uma experiência vitalícia!

 

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Quirguistão – Imagem de Agata Gregorek

AE – Consegues descrever alguns dos lugares onde estiveste durante a expedição?

AG – Eu realmente não sei o que dizer ou como descrever “lugares”. Uma vez que estávamos apenas a conduzir, nós na realidade, não fomos a “lugares”. Visitamos alguns mosteiros impressionantes, os próprios passeios de montanha, conduzimos pelo Vale de Spiti, que foi simplesmente surpreendente para mim. As vistas no seu conjunto eram fascinantes, sempre tão diferentes. Divertimo-nos muito nas dunas do deserto com a localização mais alta do mundo e.… e… Não sei.

Tenho mais detalhes no meu blog www.gagatekworld.com

Eu escrevi alguns posts acerca dos Himalaias lá.

AE – Antes de partires nesta viagem incrível, contaste-me que a Women Only Himalayan Moto Expedition, teve como principal objetivo angariar fundos para ajudar uma ONG polaca, “The Alarm Clock Clinic”, especializada no tratamento de crianças em coma como resultado de lesões cerebrais graves. Como foi? Conseguiram os objetivos que estabeleceram?

AG – Infelizmente, não conseguimos atingir os objetivos financeiros que estabelecemos. Há tantos projetos de caridade hoje em dia e tantas pessoas que precisam, que não é fácil arrecadar dinheiro e persuadir as pessoas a apoiarem-te a ti e não a outra pessoa. Foram principalmente os nossos amigos mais próximos que contribuíram. Ainda assim, estamos muito felizes e orgulhosas do que conseguimos atingir. As pessoas ficaram a saber mais acerca do problema, ouviram falar sobre a ONG e isso é importante.

Nós próprias também conseguimos contribuir para a ideia de ajudar as crianças em necessidade. Conseguimos comprar e entregar brinquedos e outros bens necessários a duas escolas localizadas em áreas extremamente remotas no Himalaias, que não são acessíveis à maioria das pessoas. Foi emocionante ver a alegria das crianças e os sorrisos nos seus rostos!

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Quirguistão – Tylko dla Orlic

AE –  Como é que as populações as receberam?

AE – Todas as pessoas que conhecemos durante a nossa viagem foram muito agradáveis e amigáveis. Encontramos muitas reações positivas durante todo o percurso. De pessoas aleatórias nas ruas, de outros motociclistas, das pessoas que se encontravam alojadas nas casas e acampamentos em que ficamos ou dos monges nos mosteiros que visitamos. Como um grupo de motoqueiras, atraímos mais atenção. Especialmente, uma vez que conduzimos a maior parte do tempo com umas saias feitas especialmente para aquela ocasião por uma das participações. Os cabelos loiros de uma de nós, também se revelou um fenómeno que proporcionou algumas situações engraçadas ;)

AE – Tiveram que lidar com problemas técnicos? Era fácil atestar as motos?

AG – Quase todas nós tivemos alguns problemas técnicos, felizmente básicos e fáceis de resolver. Tivemos alguns pneus furados, volantes soltos ou faróis e patins partidos. Alguns deles resultado de quedas. Por sorte, nenhum episódio grave.

Tínhamos um carro de serviço connosco, que levava peças suplentes, a nossa bagagem e presentes para as crianças que planeávamos visitar. Portanto, a nossa vida foi um pouco mais facilitada, pois tivemos ajuda em todos os consertos e garantindo que as motos fossem sempre atestadas no lugar e momento certos.

Regra geral, as motos não tiveram problemas relevantes e eu confirmo que a Royal Enfield (que conduzimos, a Bullet 500) são máquinas incríveis! Super confortável resistente! Fizeram com que a viagem fosse ainda melhor.

AE – Tiveram que lidar com quedas, ferimentos, doenças?

AG – Como mencionei anteriormente, existiram algumas quedas, mas muito poucas, acima de tudo nada de grave. Nenhuma de nós ficou gravemente ferida, algumas acabaram apenas com maiores ou menores contusões. Incluindo-me a mim ;) depois do meu pneu traseiro, ainda frio, ter derrapado numa curva com piso molhado.

Duas das raparigas perderam os poisa pés, após um inofensivo deslize em piso arenoso. Uma delas teve mais dificuldade em atravessar rios rochosos e cruzamentos de água mais profundos, e acabou por cair. Só quando voltou para casa é que descobriu que o dedo que lhe doía, não estava apenas ferido, o osso estava realmente partido. E ela tinha conseguido conduzir com o dedo naquela condição!

Todas nós tivemos sintomas muito leves de doença relacionados com a altitude, como problemas em respirar à noite, seios nasais muito secos, algumas tinham dores de cabeça suaves. Mas uma das participantes sofreu um pouco mais. Tinha dores de cabeça massivas, em altitudes mais altas e algumas vezes, não conseguia usufruir das vistas dos locais por onde íamos passando, porque tinha que fazer a viagem direta até à parte mais baixa. Num dos dias, acordou inchada e teve que pedir oxigénio. Por sorte, não durou muito e a partir daí pôde usufruir muito mais do resto da viagem.
Chegada aqui, quero dizer o quanto estamos orgulhosas de todas nós. Não só nos juntamos e nos apoiamos o tempo todo, como nenhuma de nós desistiu e deixou a dor ou o cansaço tirar a alegria de completar o desafio. Não importava como nos sentíamos, sentávamo-nos numa moto todas as manhãs prontas para andar!

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Quirguistão – Tylko dla Orlic

 

AE – Ocorreu algum problema que tivesse atrasada a viagem? Isso mudou o que foi programado?

AG – Algumas das partes do caminho que planeamos, são conhecidas por serem fechadas devido a condições climáticas ou obstáculos inesperados causados ​​pela mãe natureza. Na maioria das vezes, também não há alternativas. Eu acho que a viagem não estaria completa, se algo assim não nos tivesse acontecido.

No 4º dia, acordamos com uma informação, que tinha havido um enorme deslizamento causado por muita chuva e não tivemos escolha senão esperar até que a estrada fosse limpa. Em vez de deixarmos a pousada às 8 da manhã, partimos ao meio dia. Abrimos caminho através de um trânsito que se formou ao longo da estrada, até a frente, onde estacionamos as motos e esperamos mais 3 horas até conseguirmos passar (os carros tiveram que aguardar muito mais tempo, isso é o que tem de bom conduzir duas rodas).

Este incidente custou-nos muito tempo e fez-nos mudar o plano para o dia. Deixamos de visitar um lugar que estava na nossa agenda e procurar dormida num local mais próximo do que inicialmente planeado. Isso obrigou a levantar mais cedo no dia seguinte.

Tivemos a sorte de ter acontecido apenas uma vez! Também tivemos a sorte de poder conduzir através de outra região que foi oficialmente fechada, também devido a um enorme deslizamento de terras que cobriu toda a estrada, mas… oi! Onde está o espírito de aventura? Descobrimos que ainda era possível atravessar, então arriscamos e valeu a pena!

AE –  No final da viagem, quantos quilómetros fizeste de moto?

AG – Em 11 dias de passeio, fizemos 1500 km e passamos uma média de 8h na moto por dia!

 

AE –  Já têm um novo destino para a próxima expedição? Quando vai acontecer?

AG – Não sabíamos o que esperar antes de ir aos Himalaias. Muitas pessoas diziam que morreríamos logo no voo para a Índia. Alguns ficavam surpresos, pelo facto de só serem raparigas, mas isso não nos assustou. Mas posso dizer-te agora que foi a melhor experiência de moto que já tive na minha vida (e tive algumas) e as outras participantes dizem o mesmo. Tivemos a sorte de nos darmos bem desde o início. A atmosfera foi ótima, as participantes sempre muito divertidas e a apoiaram-se sempre mutuamente! Fiquei maravilhada!
Como resultado, já na India concordamos em juntar-nos novamente e continuar o projeto “Moto Women Only”.
Estabelecemos uma data e lugar. Em 2017, Moto Women Only teria lugar no Quirguistão!

 

 

Tenho acompanhado os posts diários da Agata na sua página do Facebook, e já deu para perceber, quer pelas imagens, quer pelas suas descrições dos momentos vividos até agora em terras Quirguistanesas, que não vão faltar detalhes para ela me contar quando estivermos juntas da próxima vez. Pelo que vi… promete!!!!

Para quem quiser seguir a expedição pode fazê-lo através

http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0RM24zn6e2HihZyXFcmYSp2Ju25WbX6bf

 

Podem saber mais acerca de Agata Gregorek e das Expedições aos Himalaias e ao Quirguistão através da página de Facebook da Agata https://www.facebook.com/ga.gatek.7

Ou da sua página do Instagram 

https://www.instagram.com/gagatekworld/

Ou ainda através do site http://motowomenonly.com/



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