Mourah – New Versions

Enhanced EP com novas versões do disco de estreia e dois vídeos. Entrevista exclusiva com Hugo Moura.

Quando, em 2003, surgiu no mercado “From one human being to another”, Hugo Moura aka Mourah foi considerado como uma das revelações da música nacional. Com um estilo muito próprio, onde alia diferentes correntes da música electrónica – drum n’bass, breakbit, trip-hop, dub – com a pop, Mourah transformou-se numa das promessas da música nacional, numa área que ainda tem muito para explorar.

Dois anos após a edição do aclamado álbum de estreia, o jovem emigrante luso (Hugo Moura vive na Suiça), regressa às edições com um disco de remisturas, onde convida alguns nomes, bastante interessantes, para efectuar uma transformação a temas do seu disco. “New Versions” é o nome dado a este EP onde, para além das sete faixas revistas, encontramos dois vídeos – “World in Peace” e “J.Butterfly”.

A música de Hugo Moura reflecte em grande parte a sua realidade pessoal. Tendo emigrado para a Suiça bastante novo, Mourah sempre esteve ligado à música. Fez parte, em 1995, de um projecto ligado ao funk (Anticlockwise) tendo posteriormente descoberto a arte de ser DJ, ao trabalhar com o seu amigo DJ Kmi (co-fundador do projecto Audioactivity) na remistura de temas de drum n’ bass e breakbeat.

Podemos caracterizar o som de Mourah como Europeu, quase britânico. As referências ao trip-hop, drum n’ bass e breakbeat são evidentes e temas como “World in Peace” ou “J.Butterfly” fazem lembrar uns Massive Attack nos bons velhos tempos. A fusão de ritmos, influências e a sua extraordinária voz, meio homem, meio mulher (no bom sentido), são os elementos essenciais que colocam a sua música num nível de audibilidade bastante elevado.

A viagem de “From one human being to another”, tem agora um caminho alternativo. Mais curto mas com menos atalhos. Em “New Versions”, a diversidade rítmica continua a estar presente. A voz, o trip-hop e o drum n’ bass também. A abordagem é diferente. O disco é uma síntese do seu trabalho e vem provar que, em geral, um bom tema dá uma boa remistura.

No alinhamento de convidados, encontramos as interessantes versões de Miguel Cardona e JP Coimbra. O primeiro, embora assinando como Lisbon City Records, apresenta uma versão de “J.Butterfly” bastante próxima do registo de Coldfinger. O “Mesa” JP Coimbra é talvez a maior surpresa em todo o alinhamento, com uma transformação sublime de “A Bow”, muito bem adjectivada de “electrified remix”, longe da pop comercial que nos tem habituado nos últimos tempos.

Vale a pena descobrir este disco, que tem uma magnífica edição em “Super Jewel Box”, que vem provar a excelência do trabalho de Mourah.

A rua de baixo esteve à conversa com Hugo Moura, que nos falou deste “novo” trabalho, da sua vida na Suiça e do panorama musical do pequeno país da Europa central. Fiquem com a entrevista.

RDB: Depois de uma estreia bem recebida pela crítica, como é que surge agora um disco de remisturas?

Mourah :
De facto, não me posso queixar do que foi escrito acerca do meu primeiro trabalho. Deu-me mais confiança nas minhas capacidades e na continuação de uma carreira. Para mim o mais importante foi o público, aquele presente nos concertos, com que me cruzei nas ruas ou nos bares, e confidenciou o prazer em ouvir o disco ou ver a minha actuação em palco. É bom sentir que o trabalho desenvolvido encontrou destinatário. Este EP de remisturas com os dois vídeos de bónus é destinado a esse público, como forma de agradecimento pelo o apoio e carinho.

RDB: Qual foi o critério na escolha dos artistas para as remisturas?

Mourah: Sinceramente, o único critério foi o acaso. Desde que houvesse afinidades musicais e respeito mútuo, todas as propostas seriam estudadas. O Miguel Cardona (Coldfinger), e o Dj Ferro, são pessoas que se dedicam à música sem poupar energias, e além disso amigos. A colaboração com o J.P.Coimbra (Mesa) e com o Alex FX, foi por intermédio da minha editora. Bastou uma chamada, eles aceitaram e fico-lhes muito grato. Espero um dia desenvolver um trabalho de composição com eles. Também pedi aos meus amigos suíços do colectivo Audioactivity se estavam interessados, era um desejo que já vinha de longe.

RDB: Tens trabalhado em temas novos? Quando podemos esperar um disco de originais?

Mourah: De momento decidi obrigar-me a uma pausa com o intuito de desfazer o meu mecanismo de produção e recomeçar do zero. De uma certa forma é tentar apreender a minha imaginação, inspiração e desencadear novos processos de produção, descobrir quais as dinâmicas que daí surgem. É sempre bom colocar em causa o nosso trabalho, mesmo se o projecto anterior teve sucesso. De momento vou alimentando-me de livros, cinema, cenas do quotidiano da vida. Vou escrevendo e compondo esboços, mas nada de concreto. Deixo crescer o “bicho” em mim e quando sentir que estou pronto, irei começar a trabalhar a sério.

RDB: Estando na Suiça, podes descrever-nos a sua produção musical? Existem alguns bons projectos?

Mourah: É bom ter em conta que a Suíça oferece um panorama musical ainda mais pequeno que em Portugal, devido ao tamanho populacional, e às poucas editoras e imprensa especializada. É impensável uma carreira musical sem tentar exportar para a França ou Alemanha.

Mesmo assim, existem projectos bastante interessantes em vários estilos musicais: Sub6 (www.sub6.ch), Audioactivity (www.audioactivity.net) e  Freebase Corporation (www.freebasecorp.com), na drum’n’bass, ou Lunik (www.lunik.com), no estilo downtempo. Sem falar do Erik Truffaz, jazzista contemporâneo mais que confirmado como um dos melhores da nova geração.

RDB: Projectos paralelos e colaborações? Alguma coisa que nos possas contar?

Mourah: Nada de muito concreto. Canto de vez em quando num quarteto de tango e também num projecto de drum’n’bass/downtempo com uma cantora, a Yaz. Vou divertindo-me aqui e ali, descontraído só com o prazer de fazer música. Um tema meu (J.Butterfly) foi utilizado num spot publicitário para um perfume grego e que foi visto também na Hungria, Roménia e Polónia. Daí, tive direito a vários comentários e pedidos vindos dessas regiões (talvez uns concertos na Polónia a pedido de uma agência de espectáculos desse país). Também vou dar um concerto numa sala mítica de Genebra, “Le Zoo”, no âmbito de um festival. Estou também a trabalhar no meu novo website que deve estar pronto para meados de Outubro, a morada passará a ser: www.mourah.com

RDB: Este disco será apresentado ao vivo? Quando é que vamos poder voltar a ver-te em Portugal?

Mourah: Depende muito das partes envolvidas no projecto, a disponibilidade de cada uma delas… Para ser mais realista, penso que só com o lançamento de um novo disco de originais é que vou subir ao palco e incluir estas novas versões. Mas nunca se sabe.
O regresso a Portugal, por mim era já hoje, tenho saudades de muitos elementos que nos oferece esse pedaço de terra, de olhos virados para o infinito oceano. Para começar, ficava contente se me mandassem uns pastéis de Belém!



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