Múm

Mais uma luz cintilante que brilha na escuridão da Islândia. Portugal vai poder assistir em primeira mão aos novos temas da banda.

Existe na Europa um país em que as pessoas vivem felizes. A taxa de desemprego é insignificante, a economia estável e existe um crescimento sustentável e sério. No mesmo continente, as taxas de desemprego sobem em flecha, a confiança das pessoas diminui e o pessimismo continua a aumentar. O mais extraordinário em todo este panorama é que nesse tal país, que até fica perto mas ao mesmo tempo está tão longe, não existe luz solar durante grande parte do ano. A noite é literalmente parte integrante do dia e a escuridão e frio são realidades que iriam causar uma enorme depressão a um qualquer cidadão europeu, mas que são condições completamente normais para um cidadão dessa região.

Na Islândia, não existe o sol que nos aquece os dias, mas existe uma capacidade criativa e uma aposta na cultura que supera muitos países Europeus e coloca Reykjavik como uma das grandes capitais europeias da cultura, principalmente da música.

Uma das bandas que soube aproveitar todo o hype criado em trono da realidade musical islandesa, foram os Múm. É impossível não ter algum “carinho” por esta banda, mesmo que não se goste do som. Tudo começa pelo nome. Curto, sintético e ao mesmo tempo revelador do espírito e ambiente que envolve as sonoridades do conjunto. Por outro lado, a banda é constituída por 4 jovens elementos (duas raparigas e dois rapazes) com nomes bastante interessantes e, para os nossos padrões, super originais – Örvar Þóreyjarson Smárason, Gyða Valtýsdóttir, Kristín Anna Valtýsdóttir e Gunnar Örn Tynes. Para completar este conjunto de atributos, as raparigas que fazem parte do agrupamento, são gémeas, são bonitas e têm uma voz angelical e suave. Não acham que são bons atributos para uma boa banda?

A história da banda é simples e perfeita. A parte masculina do quarteto desde cedo que se interessou pela electrónica, criando sons em Spectrum’s e Amigas para programas de computador. As gémeas por seu lado, tiveram uma formação mais clássica, principalmente piano e voz. Os quatro conheceram-se quando tocavam juntos para uma peça de teatro infantil e rapidamente se entenderam e criaram a banda.

É a fusão de formações clássica e moderna, juntamente com aquele espiríto calmo e distante, muito típico da música que vem dos países nórdicos, que faz dos Múm um nome a ter em linha de conta para o século XXI.

Durante este mês de Abril será lançado em Portugal aquele que é o quarto registo de originais da banda – “Summer Make Good”. Estrearam-se em 2000 com “Yesterday Was Dramatic – Today Is Ok”, mas foi no ano de 2002 que foram aclamados pela crítica mundial através de  “Finally We Are No One”.

Os temas dos Múm não são simples canções de uma pop-electrónica bem elaborada, são histórias contadas através de sonoridades onde a voz não é mais que um outro qualquer instrumento. Ao ouvir alguns dos seus temas, fazemos uma viagem por paisagens imaginárias, ficando com uma sensação de conforto e alegria que se mantem após a audição. Não são temas fáceis de se ouvir, mas se for dada a devida atenção, a experiência é gratificante e muito recomendada.

Os Múm estiveram presentes no nosso país no festival Sudoeste do ano passado, num concerto que obrigatoriamente pecou pelo facto de se ter realizado ao ar livre. Desta vez, os concertos estão agendados para os coliseus (5 de Maio no Porto e 6 de Maio em Lisboa) e prometem ter um outro intimismo e qualidade. Por isso já sabem, esqueçam o Rock In Rio e o Euro2004, passem pelo coliseu e mergulhem na escuridão luminosa dos Múm.



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