Muse

O trio inglês liderado por Matthew Bellamy regressa a Portugal para apresentar o seu mais recente trabalho de originais, “Black Holes And Revelations”, num concerto único em Lisboa, no renovado Campo Pequeno, dia 26 de Outubro. Uma oportunidade única para descobrir uma das bandas inglesas mais “intensas” em cima do palco.

Oriundos de Teignmouth, uma pequena localidade a sul de Devon, Matthew Bellamy (guitarra, piano e voz), Chris Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria) iniciaram desde muito cedo o seu percurso na música. Depois de três projectos “falhados” – Gothic Plague (a primeira banda do trio, com apenas 13 anos de idade), Fixed Penalty e Rocket Baby Dolls – foi como “Muse” que os três começaram a dar nas vistas, tocando em praticamente todos os locais que conseguiam, tendo em 1998 captado a atenção de diversas editoras, entre elas a Mushroom e a Maverick.

Os seus dois primeiros EP’s, “Muse”‘ e “Muscle Museum”, foram suficientes para que John Leckie, produtor dos Radiohead, ficasse maravilhado com a sonoridade da banda, tendo começado a trabalhar com o projecto. O resultado desta colaboração culminou na edição do primeiro disco de originais dos Muse. “Showbiz”, editado em Outubro de 1999, foi considerado como uma das maiores surpresas do ano discográfico britânico e foi o ponto de partida para a uma carreira de sucesso.

Em praticamente todas as críticas de “Showbiz”, as comparações com os Radiohead pareciam ser obrigatórias. As composições intensas, os ambientes densos, a voz de Bellamy e a participação de John Leckie na produção, “empurravam” os críticos a criar um paralelismo entre os Muse e a banda de Thom Yorke. Embora “exagerada”, esta comparação foi a melhor promoção que os Muse poderiam encontrar para divulgar a sua música.

Após uma longa tournée de apresentação de “Showbiz” (em que abriram concertos para os Red Hot Chilli Peppers nos Estados Unidos, Japão e Austrália, tendo também participado em muitos festivais europeus) a banda edita, em 2001, o segundo álbum de originais, “Origin of Symmetry”, o disco que cimentou a sua posição no panorama musical britânico e mundial, afastando-se assim de anteriores comparações e tornando-se ela própria numa referência.

Mais “pesado, distorcido e sintetizado”, “Origin of Symmetry” foi o disco que deu a conhecer a banda a muitos dos seus fãs de hoje. «New Born», «Bliss» e a excelente versão de «Feeling Good» de Nina Simone, tornaram-se verdadeiros marcos na sua carreira. Logo após a sua edição, surge no mercado o CD/DVD “Hullabaloo”, o registo do concerto da banda no Le Zenith em Paris e que mostrou a sua especial apetência para tocar ao vivo.

Dois anos depois, em 2003, é editado o terceiro registo dos Muse. Mesmo mantendo-se fiel à sonoridade do disco anterior, “Absolution” é o disco mais “comercial” e radiofriendly dos Muse. Liricamente apocalíptico e político, o disco tornou-se no maior sucesso comercial da banda, não desiludindo os seus fiéis seguidores.

Black Holes and Revelations

Lançado no decorrer deste ano, “Black Holes and Revelations” é o disco que servirá de mote para a actuação da banda inglesa em Portugal. Embora mantendo os mesmos padrões dos discos anteriores, este quarto álbum dos Muse é um pouco mais “soft”, tanto musicalmente como liricamente.

O discurso político anti-capitalista/anti-bush/anti-guerra continua activo mas mais suavizado. O seu expoente máximo é atingido logo faixa de abertura, «Take a Bow», uma música que tem tudo para ser um dos momentos mais altos das actuações da banda e aquela que mais se aproxima da sonoridade do disco anterior.

A própria escolha de «Supermassive Black Hole» como primeiro single do disco, demonstra a intenção da banda em explorar outras sonoridades, mais pop e comerciais, alargando assim o seu espectro de influência. Altamente “remisturável”, «Supermassive Black Hole» vai certamente chegar aos ouvidos de um outro tipo de público e inaugura um trilho nunca antes explorado pelos Muse: a pop.

Os fãs mais “antigos” dos Muse podem considerar “Black Holes and Revelations” o disco mais “fraco” da banda inglesa, mas, mesmo não tendo o poder dos anteriores registos, o disco apresenta um conjunto bastante interessante de faixas, como por exemplo as orelhudas «Starlight» e «Invincible» e a “orquestral” «City of Delusion», em que são explorados diversos instrumentos.

Os Muse já foram considerados por alguma imprensa britânica como a “banda mais intensa ao vivo”. No dia 26 de Outubro, todos aqueles que estiverem presentes no Campo Pequeno podem comprovar esse estatuto e descobrir como estas novas músicas dos Muse encaixam no excelente reportório de temas que a banda inglesa já dispõe.



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