Música no Sapatinho

Em destaque, algumas das novidades e compilações obrigatórias deste Natal. Vejam e escolham o que vão pedir ao Pai Natal…

“Pai Natal,

Este ano portei-me muito bem e quero, portanto, muitas prendinhas. Mereço-as. Tive boas notas e tenho sido uma pessoa responsável. O meu problema é simples: não sei o que pedir. Já sei que os pijamas serão presença essencial, as meias das raquetes idem, mas quero mais que isso. Se tivesses de meter alguns discos no meu sapatinho, quais escolherias?

Atenciosamente,
Um qualquer melómano (ou nem tanto) ”.

Os novos de originais:
A recta final do ano não será, certamente, a mais produtiva em matéria de novos registos de originais. Contudo, maior destaque é dado àqueles que realmente importam, resultado da menor oferta em matéria de novas composições.

Este ano, algumas novidades espreitam e ameaçam as listas de balanço melómano final: Jay-Z quebrou a promessa e aí está ele de regresso com “Kingdom Come”. Produções de gente como Just Blaze (os melhores temas do disco), Neptunes (excelente mas algo deslocada «Anything»), Kanye West, Dr. Dre e Chris Martin (sim, esse mesmo) conferem uma aura especial a este regresso do rapper. Inquestionavelmente um dos grandes discos da recta final do ano. Em terrenos mais electrónicos menção para “The All Electic Amusement”, dos Magoo, malta britânica que cruza Beach Boys, sintetizadores e Flaming Lips. Com sucesso. Formados em 1992, os Magoo definem a sua sonoridade como a “pulsing vein on the forehead of rock’n’roll”. E é mesmo isso: cruzam linhagens rock com pulsações da música de dança e, no final, fica um sentido de todo irrepreensível e uma identidade muito própria. Seria uma pena que “The All Electic Amusement” passasse ao lado mas, por ora, os Magoo são ainda um segredo bem guardado. Um nome essencial a descobrir, ainda mais para adeptos de bandas com refrões baseados em “la la las”.

De regresso está Joanna Newsom, com o sempre difícil “segundo disco”. “Ys”, assim se chama o rebento, apresenta cinco faixas (apenas uma com menos de dez minutos) e vê a harpa ceder terreno para outros instrumentos. Desde a capa até à música (intensa, não fácil mas de adoração absoluta quando totalmente atingida), Joanna Newsom inscreve agora o seu nome, em definitivo, no topo das mulheres a fazer essa coisa chamada canções em pleno séc. XXI. Pode parecer pretensiosismo, mas é somente ambição quase desmesurada. E nós agradecemos e gostamos.

Depois, há novo registo dos The Roots, uma vez mais em grande forma. Em jeito de adenda, não esquecer a data de Questlove em Lisboa, em formato DJ. Dia 16 de Dezembro, no novíssimo Music Box, um clube no Cais Sodré. Fica o desejo de ver também os The Roots apresentar a novidade “Game Theory” num qualquer palco nacional.

A juntar a estes nomes, menções ainda para novos registos de The Who, The Game (com Just Blaze a brilhar na produção também) ou Golden Smog (mais um supergrupo com Jeff Tweedy, dos Wilco).

As compilações:
Há um pouco de tudo para todos os gostos. De velhos conhecidos a projectos que, bem vistas as coisas, pouco material têm para compilar no imediato um “melhor de”. Mas já se sabe que as opções editoriais falam, por vezes, muito alto…

Para não variar, este Natal temos um novo disco dos The Beatles, de seu nome “Love”. Assente em novas roupagens às gravações dos quatro de Liverpool, as canções presentes no disco foram supervisionadas por George Martin e o seu filho Giles. Os fãs de sempre não deixarão passar ao lado mais um documento histórico de uma das melhores bandas de sempre.

“Go – The Very Best Of” assinala, em CD e DVD, alguns dos melhores momentos de Moby, num registo demasiadamente previsível e assente nos momentos mais recentes da carreira do músico. De valor bem superior, PJ Harvey apresenta por ora as suas “Peel Sessions” – um registo cru, intenso, no limite. Registado em sessões entre 1992 e 2004 para o programa do mítico John Peel, “Peel Sessions” vê PJ Harvey recuperar algum do nervo inicial que, em registos de originais, se sentia um pouco afastado. E depois, as canções: «Sheela-Na-Gig», «Losing Ground» ou «That Was My Veil» merecem destaque. Essencial, no mínimo.

Tom Waits edita também por estes dias “Orphans”, disco triplo (sim, triplo!) com raridades, inéditos, versões e quejandos. Três discos diferentes no seu todo, mas que se complementam. Não é uma compilação para se ouvir de seguida, mas enormes momentos não faltam por aqui.

Em terrenos mais pop, as britânicas Sugababes assinam em “Overloaded – The Singles Collection” uma das mais viciantes compilações de tempos recentes. Ao quarto registo de originais, o trio aposta agora numa revisão de matéria dada, não obstante a inclusão de dois temas inéditos. De «Freak Like Me» a «Push The Button», por aqui passam alguns dos mais essenciais momentos da melhor pop britânica de anos recentes. Um brinde aos fãs de sempre, e uma porta aberta para novos adeptos.

Em registo diferente mas de igual pertinência para um certo estilo, os Luna editam agora “Best Of”, apanhado das melhores composições de uma das mais injustamente semi-esquecidas bandas da facção indie norte-americana da década de 90. Se, em originais, os Luna ainda existem, a verdade é que os registos maiores foram lá atrás, e nesse sentido este “Best Of” assegura-se como essencial para uma primeira abordagem às sonoridades de Dean Wareham e companhia,

Mais há mais, ainda: desde revisões de carreira em modelos diferentes (ver casos nacionais de Rodrigo Leão e dos The Gift) até compilações mais oportunistas (U2, Oasis Depeche Mode, Aerosmith). Não falta oferta, portanto. É só uma questão de filtrar a qualidade e pertinência dos registos.



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