“Não”, de Pablo Larraín

“No”

“Chile, a alegria está a chegar”

A marcar a abertura do Festival IndieLisboa (18 a 28 de Abril), está o filme “No”, de Pablo Larraín. A história de um jovem publicitário, interpretado pelo actor mexicano Gael Garcia Bernal, que é convidado para liderar a campanha de oposição da ditadura do militar Augusto Pinochet.

O filme situa-se historicamente no ano de 1988, quando o ditador chileno sofre uma pressão internacional que o obriga a convocar um referendo sobre a sua presidência. Assim, o povo chileno teria de votar “sim” ou “não” sobre se Pinochet deveria presidir o País por mais oito anos.

René Saavedra (Gael Garcia Bernal) corrompe convencionalismos, desenvolvendo uma campanha política muito diferente do que o País estava habituado. Assim, de forma a alcançar o povo chileno de forma mais criativa, os apoiantes do voto “não” criam um jingle publicitário a favor da democracia, que é incorporado em vídeos que apelam ao bem-estar e contentamento do País.

“Chile, a alegria está a chegar”. Este é o lema da campanha pela libertação do Chile, tendo como objetivo transmitir os sentimentos e emoções que os chilenos poderiam vir a experienciar se votassem contra o presente regime ditatorial.

Pablo Larraín completa assim uma trilogia cinematográfica sobre a ditadura militar chilena, depois de ter realizado “Tony Manero” e “Post Mortem”. Esta foi a forma de o realizador expressar livremente os seus ideais políticos que nunca antes partilhou com os seus progenitores.

“Não” é um apelo à consciencialização da necessidade de voto, uma mensagem a favor da luta pelos direitos humanos, não só unicamente no Chile, como em todo o mundo. Presente nos Festivais de Cinema de Cannes, San Sebastián, Locarno, Toronto, Telluride e Nova Iorque, este é um filme que alia a ficção à realidade, não só pela veracidade do conteúdo da narração, mas também pela técnica utilizada para filmar. Larraín decidiu utilizar uma fita de vídeo dos anos 80, desenvolvendo uma imagem de baixa resolução, que inicialmente poderá desagradar ao espectador, mas que no fim o possibilita de vivenciar, com maior fidedignidade, a história que nos é contada.



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