não te concedi a ti, natureza, a decisão deste dia

Este projecto assume-se como um projecto verdadeiramente único. O espectáculo que o público poderá assistir até dia 2 de Outubro será o processo de criação no qual o público será convidado a participar activamente. Este projecto terminará com a sua estreia no dia 3 de Outubro e aí morrerá. “não te concedi a ti, natureza”, a decisão deste dia é Fundamentalmente um discurso sobre a liberdade do verbo morrer, que se constrói, cristalino e frágil, como vida, dia após dia: é um corpo que nunca se veste, que é permanente e inevitavelmente visível, mesmo depois da própria morte. primeiro como gesto teatral, depois como decisão instalada em diferentes espaços.

Primeiro, há um corpo sozinho que respira sob a certeza da morte. Em todas as vidas há mortes latentes. Companheiras. Aqui querem-se dias letais. Inventa-se durante um mês o suicídio do qual restará uma prova, como vida, como obra: um filme no tempo em que se morre recebem-se os vivos. É este o convite: no mês que antecede o final dos dias, as pessoas que visitem o processo de trabalho, quotidianamente, têm à sua disposição câmaras de filmar.

Ao mesmo tempo, há uma câmara fixa, que regista todos os ensaios. O vídeo resultante destas diferentes formas de olhar será apresentado num espaço cénico no Teatro Turim e, posteriormente, noutros locais, onde será recriado como instalação. ao espectador invariavelmente será dada a possibilidade de ver nascer, crescer e morrer esta estranha inquietação que percorre corpos. Esta estranheza do lugar onde se morre toma aqui a forma das perguntas, como um encontro marcado com a solidão do caminho de um corpo, sozinho, que convoca ecos desta relação ambivalente com o abismo. se é certo que nos atrai tantas vezes, outras tantas, mais ainda, repele-nos: se morrer é difícil?

Trabalhando sobre a ideia de fim intencional, Daniel Gorjão pretende que esta construção tenha a direcção da intimidade. como espectáculo, é a hipótese de criar memórias como antídotos da morte. quer para a desculpavelmente humana negação desta certeza, quer para a vontade de assumir a morte como exercício sublime da liberdade, querem encontrar-se e partilhar razões possíveis, até à data de uma estreia vazia – fantasma, . como instalação, é a eternidade. Por isso, a decisão de instalar um vídeo em galerias de arte é o gesto de abrir um caixão que nunca se fecha. do espaço habitado no teatro Turim pela procura centrífuga de daniel restará, mais do que a lembrança, um testemunho que o imortaliza. a obra de arte, como testemunho do artista, é uma arma única da omnipresença, que dispara contra o espaço e o tempo, ampliando as potencialidades do teatro.

DE SEGUNDA A SEXTA ÀS 21H E DOMINGOS ÀS 17H NO TEATRO TURIM
BILHETE ÚNICO 5€|PASSE 10 DIAS 15€|PASSE LIVRE TRÂNSITO 20€



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