Neon

Uma aposta na cultura.

Desde Fevereiro, Lisboa tem mais uma revista de divulgação cultural: a “Neon”. Trata-se de uma publicação quinzenal gratuita, de formato tipo bolso, que cobre temas como o cinema, teatro, exposições, espectáculos e a diversão nocturna da capital. Distribuída nos principais pontos de entretenimento da cidade, o projecto dirige-se, segundo o director, Tiago Farinha, “aos jovens adultos de 18-35 anos que gostam de sair à noite e que não só têm um lifestyle moderno como estão predispostos para consumir os espectáculos culturais”.

Em conversa com a Ruadebaixo, Tiago Farinha revela como nasceu a “Neon”, e o que ainda está por acontecer.

Como é que surgiu a ideia de criação da revista?

Vivi alguns anos fora de Portugal, e a ideia surgiu depois de observar que este tipo de revistas (gratuitas, de divulgação cultural, de tamanho mais pequeno) são bastante comuns, têm grande aceitação e são veículos privilegiados para se obter informação nos principais centros urbanos dessa Europa fora.

Em Lisboa, a ocupar este segmento específico, não havia nenhuma com esta periodicidade, se bem que existam outras publicações que cobrem essa área. O problema é que, na maior parte dos casos, não apresentam todas as vantagens oferecidas pela “neon”, ou seja, gratuita, tamanho de bolso, quinzenal (em breve semanal), exclusiva da oferta cultural de Lisboa, independente e distribuída nos principais pólos de cultura e entretenimento da cidade.

Porquê o nome “Neon”?

Inicialmente tínhamos pensado numa série de nomes, mas neon foi o que acabou por recolher o maior agrado. Queríamos um nome que remetesse para o universo da cultura, espectáculos e outras formas de entretenimento, e julgo que quando se lê neon, há sempre a ideia das luzes do espectáculo nas ruas a chamarem a atenção de quem passa. Também queremos chamar a atenção de quem nos lê para espectáculos que se calhar, de outra forma, passariam despercebidos. A ideia passou por fazer essa ligação, e o feedback que temos tido indica-nos que os nossos leitores se aperceberam.

Até ser lançada, quanto tempo demoraram a preparar a revista?

Entre análise de mercado, processos burocráticos inerentes à constituição da empresa, desenvolvimento do projecto gráfico e apresentação da revista a parceiros comerciais, cerca de quatro meses. Mas houve a decisão consciente de não avançar no final de 2005 e avançar só em Fevereiro de 2006, uma vez que os orçamentos publicitários já estavam todos fechados e a nossa entrada teria custos elevadíssimos.

Que tipo de apoios têm?

No sentido estrito do termo apoios ou patrocínios, nenhuns. Neste momento, dependemos da publicidade que é vendida nas páginas da revista. Como estamos no início do projecto, estes primeiros meses têm sido agitados, mas esperamos nas próximas edições atingir o break-even do projecto. Neste momento, em que já há mais pessoas conscientes da nossa presença e da revista que temos, estamos em negociações com algumas entidades para recolha de apoios a longo prazo, que nos vão permitir ter outro tipo de alcance, nomeadamente em termos de conteúdos, periodicidade e das áreas a cobrir em Lisboa.

Tendo em conta que já há tantas publicações de divulgação cultural, qual é o objectivo da “Neon”?

Queremos contribuir para a divulgação das áreas da cultura e entretenimento de Lisboa. Acho que há muita coisa que acontece e que o público nem sequer sabe, porque acabam por não ter acesso aos meios de comunicação de massas. Com a “neon” queremos não só divulgar os grandes eventos, mas também abrir as páginas aos projectos mais pequenos mas ambiciosos e com vontade de vingar. E, até agora, a receptividade por parte dos agentes culturais tem sido bastante positiva, apesar das dificuldades económicas que atravessam.

Qual o teu papel na revista? E quem compõe o resto da equipa?

Somos uma equipa pequena, de quatro pessoas, e temos alguns colaboradores esporádicos. Portanto, a palavra-chave passa pela flexibilidade. Em traços gerais, a edição de arte, paginação e tratamento de imagem está a cargo do Luís Campos, a fotografia com o Hugo Amaral, e a direcção comercial com o Frederico Bento (em substituição do Pedro Alvito, que recentemente embarcou num novo projecto). A coordenação destas áreas, bem como a parte de edição de conteúdos, distribuição e relações instituições ficam a meu cargo.

Os elementos da equipa mantêm outras actividades. Como compatibilizam com o trabalho nesta publicação?

Com muitas noites mal-dormidas. Temos sobretudo um grande entendimento do que é a revista e do que queremos fazer. Por isso, é comum termos uma reunião inicial em que delineamos os temas da quinzena e depois vamos trabalhando nesse sentido, às vezes num cenário mais caótico, outras mais organizado, dependendo um pouco da disponibilidade de cada um. Às vezes, estamos a trabalhar em três localizações diferentes, ligados através do Messenger ou Skype, sempre em contacto directo para garantir que tudo fique como pretendemos. Os dias de fecho, em que estamos todos juntos, são os mais longos.

Bem sei que é um pouco cedo para isso, mas já têm alguma ideia do número de leitores?

Para já é complicado quantificar. Temos 10 mil exemplares de tiragem quinzenal. As sobras começaram por rondar os 2 mil exemplares no 1º número, mas neste momento (número 3) já são pouco superiores a mil. Depois há a questão de quantas pessoas lêem a revista, uma vez que sendo gratuita há a possibilidade de quem leva a revista partilhe com os que lhe estão mais próximos.

Se tivermos uma abordagem conservadora e pensarmos que cada revista é lida por três pessoas, estamos a falar em 27 mil leitores, de acordo com os números que temos relativos à última edição. Se pensarmos ainda que cada leitor é capaz de consultar a revista várias vezes por quinzena para ter acesso aos horários de cinema, teatro, etc, então os contactos multiplicam-se, tornando a revista bastante atraente para os anunciantes em termos de contactos com um público que não só se interessa por cultura e entretenimento como está, à partida, predisposto para consumir espectáculos nestas áreas.

Como é que determinam os eventos culturais que devem figurar na revista?

Em primeiro lugar, o critério geográfico. Ou seja, pela própria especificidade da revista, os eventos têm de se realizar na área da Grande Lisboa. Depois, apostamos numa oferta que tenta ser o mais transversal possível, divulgando tanto os grandes eventos como os mais alternativos. Já aconteceu numa página termos um concerto de música clássica e na outra um de metal. Mas, em traços gerais, pretendemos que os eventos estejam mais direccionados para o nosso público-alvo, ou seja, jovens adultos 18-35 anos, urbanos, que gostam de sair à noite e que não só têm um lifestyle moderno como estão predispostos para consumir os espectáculos culturais.

Quais os principais locais de distribuição?

Na fase de lançamento, escolhemos apostar em duas vertentes: por um lado, bares na zona do Bairro Alto e Chiado – porque acreditamos que é aí que está a maior concentração de pessoas com as características com o nosso público-alvo e, por outro, cobrir o maior número possível de salas de espectáculos, teatros, cinemas, etc. Apesar de acharmos que a nossa tarefa ainda não acabou nessas áreas, começámos agora a entrar nos museus, e esperamos em breve estar presentes nas principais universidades de Lisboa.

Que projectos têm para atingir um maior número de leitores?

Assim que tenhamos uma base sólida de anunciantes, queremos passar a semanal. Depois, aumentar o número de locais onde somos distribuídos (começámos por cerca de 50, e neste momento estamos já em mais de 70 locais) e os conteúdos que oferecemos. E claro, ir aumentando a tiragem à medida da nossa capacidade. Queremos continuar a divulgar a cultura e entretenimento em Lisboa, ser cada vez mais uma revista que as pessoas procuram à sexta-feira e depois entrar em outras cidades.



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