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Nioh | Análise

Até agora a melhor surpresa do ano!

Ainda mal começou o ano de 2017 e a Sony não se tem poupado a esforços para mostrar que a PlayStation 4 é, de facto, “para os jogadores” e como tal a plataforma ideal para desfrutar do melhor que se faz na indústria. Preenchido por três grandes exclusivos como Gravity Rush 2, seguindo-se de Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue e ainda Yakuza 0, o mês de Janeiro já lá vai. Abrem-se as portas para Fevereiro e eis que um quarto exclusivo se prepara para “desembarcar” na consola da Sony, dia 8 mais precisamente, pronto a fazer as delícias dos fãs da série Souls e dos RPGS de acção. Apelidado, logo à partida por muitos, como um mero clone da série a cargo da FromSoftware (aquando do seu anúncio), nesta semana que passei com Nioh foi com um enorme prazer que constatei que é bem mais do que isso.

A história de Nioh tem lugar no ano de 1600 e oferece o protagonismo a William Adams, um ocidental que, dadas as circunstâncias, se viu obrigado a navegar até ao Japão (onde viria a tornar-se no primeiro Samurai ocidental) e cuja narrativa surge adaptada para este jogo de fantasia negra. Apesar das inúmeras custscenes (muitas delas de grande qualidade em termos de animação), não foi, de todo, pela história que fiquei rendido a Nioh – aliás se pensam adquirir este jogo por causa desta componente, cuidado que podem apanhar uma desilusão. Demónios e criaturas mitológicas estão por toda a parte e para pôr termo à corrupção por eles desencadeada, William terá de se aliar a figuras marcantes da história do Japão. Sobretudo, esta componente serve para justificar toda a acção que decorre no nosso ecrã que, diga-se de passagem, é muita e no mínimo espectacular!

Este é um daqueles jogos onde o simples martelar de botões é mais de meio caminho andado para uma morte abrupta e um triste regresso à Shrine – pequenos santuários que surgem em pontos específicos do mapa que servem de checkpoint. Para fazer frente às inúmeras adversidades que se irão colocar no nosso caminho há que dominar o sistema de combate de Nioh. É extremamente complexo mas foi quando comecei a engrenar nas suas mecânicas que me vi perante uma das melhores experiências que já tive o prazer de jogar. O simples facto de termos à nossa disposição um vasto leque de armamento, sem dúvida que também contribuiu para isso. Divide-se em dois tipos, curto e longo alcance. No grupo das armas de curto alcance é onde encontramos a maior variedade; desde Katanas duplas e singulares, a martelos e machados, lanças e Kusarigamas, a questão irá prender-se sobre qual a combinação de armas que melhor se adapta ao nosso estilo de jogo.

No meu caso, a início alternava entre Katanas duplas e uma Kusarigama mas, lá para a frente, troquei a segunda por uma Katana. Já no leque de armas de longo alcance, a nossa escolha é mais limitada mas ainda assim não deixa de conferir uma sensação de novidade ao género. Temos o tradicional arco mas também armas de fogo como Mechas (ou Fecho de Mecha) e canhões de mão. A sua utilidade surge sobretudo nos momentos em que podemos parar e analisar o cenário em redor. Avistam um grupo de inimigos lá mais à frente ou algum vigia numa torre? Que tal disparar uma flecha (ou um tiro se o malvado tiver um capacete) e equilibrar um pouco as coisas?

Mas não pensem que ficamos por aqui. À vossa espera está um leque implacável de inimigos. Os confrontos contra humanos podem conferir algum grau de desafio, sim, mas para mim, foram os Yoki (nome pelo qual os demónios são designados no jogo) que realmente me fizeram suar e respirar de alívio depois de os derrotar. Quando já começava a estar habituado a uma determinada criatura, eis que surgiam logo outras que novamente me fizeram repensar as minhas abordagens. Só que foi também o combate contra eles que me obrigou a repensar a forma como me posicionava no cenário e a perceber que se quisesse alcançar a vitória, então tinha que mergulhar ainda mais fundo no sistema de combate deste jogo.

Podia ficar aqui horas a falar sobre as várias nuances do combate de Nioh, sem dúvida o ponto alto deste jogo mas… Mais do que ler sobre ele, não há nada como realmente deitar as mãos ao trabalho, experimentar e praticar, praticar e praticar. Posso, no entanto, adiantar que além da variedade de armas com as quais podemos dilacerar os nossos adversários, cada uma delas traz consigo três distintas posturas de combate. A cada uma corresponde um leque de movimentos mais ou menos poderosos. O Ki (energia que despendemos a executar os movimentos) varia consoante a nossa postura e o mesmo acontece com a nossa capacidade ofensiva e defensiva. No final de uma combinação, habituem-se a pressionar o botão R1 para desencadearem um Ki Pulse que vos permitirá recuperar energia mais depressa. Atenção que se o fizerem no tempo certo, podem expulsar do cenário as poças negras desencadeadas pelos Yoki e que comprometem a nossa mobilidade e capacidade de recuperação de energia.

Se, além de tudo isto, vos disser que ao nosso dispor estão ainda magias e habilidades de Ninjutsu, às quais podemos recorrer para virar o jogo a nosso favor, podem ver o quão variado e extenso é o combate em Nioh. Explorar e experimentar este conteúdo é como disse uma obrigatoriedade e escusado será dizer que tudo isto ganha ainda mais importância nas lutas contra os famigerados Bosses. Uns mais memoráveis do que outros, o facto é que todos eles são visualmente impressionantes e a táctica que requerem para que os possamos derrotar fazem com que estes sejam os desafios que realmente irão colocar a nossa capacidade à prova.

Já os cenários onde toda a acção tem lugar são também eles impressionantes e igualmente perigosos. Apesar de haver alguma repetição aqui e ali, é inegável o grau de detalhe que ostentam e é com relativa facilidade que nos transportam para o período Sengoku. Mas não se iludam, pois a morte espreita a cada esquina e não surge apenas na forma de um soldado ou demónio. Existem armadilhas espalhadas por toda a parte, corpos de jogadores mortos para invocar ou automaticamente invocados se nos aproximarmos, graças a uma criatura escondida no cenário, pelo que parar para contemplar a paisagem, ou dar um passo em falso, pode resultar em surpresas desagradáveis. Até as paredes secretas nos querem matar… Felizmente que graças ao facto de a acção se desenrolar por missões e não num vasto mundo aberto como noutros jogos do género, o tempo de Loading é praticamente inexistente e rapidamente estamos de volta à acção.

Como já devem ter percebido este jogo é difícil, muito. Só que isso não quer dizer que não existam elementos que nos permitam virar o jogo a nosso favor e um deles é o sistema de loot. Fortemente inspirado na série Diablo, a cargo da Blizzard, muitas vezes os confrontos resultam numa explosão de itens no chão. A raridade surge representada por cores mas também os atributos de cada peça de equipamento variam e são algo a ter em conta, pois podem ou não ser o ideal para o nosso estilo de jogo. Ao nosso dispor existe ainda a possibilidade de virmos a criar o nosso próprio equipamento, mediante os materiais que estivermos dispostos a gastar. Se por acaso não gostarem muito do aspecto de uma das peças equipadas, foi com enorme alegria que descobri que existe um sistema que nos permite trocá-lo com o de outras peças.

O jogo nunca me obrigou a um grind, uma vez que há praticamente loot em todo o lado mas obrigou-me entre missões a gerir o inventário que depressa fica atolado de itens. A gestão de armaduras é bastante acessível e o mesmo acontece para os consumíveis. Já com as armas o caso muda de figura visto que todas estão no mesmo separador, algo que acredito que venha a ser revist oem futuras patches. Se ainda assim, virem que precisam de mais peças de quipamento, talvez queiram explorar as missões secundárias que vos vão ficando disponíveis. Quem sabe, talvez até repeti-las de tão curtinhas que são muitas elas. Desde novas armas e peças de armadura, algumas recompensaram-me até com um novo guardião – estas criaturas conferem a William habilidades passivas e melhorias em atributos específicos e a dada altura no combate podem transformar-se numa poderosa arma. Noutras situações, caso a dificuldade de um confronto venha a mostrar-se mais exigente do que o esperado, porque não chamar um jogador para vos ajudar? Ou melhor, porque não ajudar outro jogador visto que dessa forma nada têm a perder, tal como no Dark Souls? Aliás ajudar outros jogadores, permite-vos amealhar pontos que podem gastar a comprar peças de equipamento, emotes e até skins para a vossa personagem!

Aquando da minha análise, estou no nível sessenta e pouco e a sensação, quando olho para o separador de Twilight Missions (versões mais difíceis de missões já completadas), algumas a nível cento e tal, e me lembro do New Game+ que me vai oferecer ainda mais e novos desafios, reparo que ainda tenho muito para ver. Visualmente impressionante, Nioh é sem dúvida um dos jogos mais exigentes que já experimentei. Mentia se dissesse que nunca me levou à frustração… mas o extenso e altamente personalizável sistema de progressão, bem como o aliciante sistema de combate deste jogo, fizeram-me voltar para mais e ofereceram-me uma das melhores experiências que já tive o prazer de desfrutar no género, obrigatória a qualquer fã do género RPG de acção!



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