Nivhek @ Igreja de St. George – Aniversário Galeria ZDB (05.11.2019)

Nesta prestação de Nivhek, o concerto cingiu-se logicamente ao único trabalho existente sob este nome, que além de dividido em duas partes principais, subdivide-se posteriormente em peças mais curtas.

Talvez a entrada para a Igreja de St. George, feita através do Cemitério dos Ingleses, nunca tenha sido um preâmbulo tão adequado como nesta noite de Outono, em que o atravessámos para assistirmos à apresentação em Lisboa de Nivhek. Trata-se de um projecto encetado por Liz Harris, que foi desafiada pela própria Galeria Zé dos Bois, em conjunto com o festival Tremor, para conceber esta obra «After its own death / Walking in a spiral towards the house» durante a sua estadia nos Açores durante o referido festival.

Conhecida anteriormente pelo seu trajecto enquanto Grouper, Liz entrou no palco designado na igreja, rodeado de toda a parafernália, entre sintetizadores e teclados, que apesar do breu que abafava todo o local fomos conseguindo descortinar.

Nesta prestação de Nivhek, o concerto cingiu-se logicamente ao único trabalho existente sob este nome, que além de dividido em duas partes principais, subdivide-se posteriormente em peças mais curtas. As secções dominadas por absorventes drones foram-se intercalando por outras mais angelicais e até religiosas, diríamos, que soavam quase como concebidas propositadamente para serem interpretadas em edifícios religiosos, como aquele onde nos encontrávamos. Tendo muitos pontos de intersecção com o seu registo enquanto Grouper, a sonoridade de Nivhek é menos alinhavada, goza ainda de mais tempo para respirar e deambular pelos cenários sempre tingidos a negritude, colocando-se por isso num patamar mais abstracto que os outros trabalhos de Liz Harris.

Os concertos desta corrente ambiental/drone não são ainda muito recorrentes ou amplificados por cá, daí que se notasse que grande parte do público estivesse meio baralhada quando a performance chegou ao fim. Quase como uma instalação, Nivhek foi debitando todo o álbum sem paragens, o que talvez tenha criado a sensação de se tratava somente da primeira paragem, e não do final do concerto, dado o formato amalgamante com que este tipo de obra é apresentado ao vivo.



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