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Noite Optimus Discos 2012 | 12 de Abril

A enchente da rua cor-de-rosa

No carro, a caminho do Cais do Sodré, sintonizei a Antena 3, estação que preparou uma “operação especial” para cobrir a primeira edição da “Noite da Optimus Discos”. Falava-se do sucesso de eventos como a D’Bandada no Porto e fiquei com esta frase de Luís Oliveira na cabeça: “De borla até uma injecção na testa”. Sorri. Sem dúvida que as expressões “entrada livre”, “de borla” e “gratuito” são, nos tempos que correm, a melhor forma de promoção de qualquer evento. A própria filosofia da Optimus Discos assenta na disponibilização do trabalho dos artistas de uma forma fácil e gratuita, que encontram nesta plataforma uma excelente rampa de lançamento, uma segunda oportunidade de encontrar o sucesso ou até mesmo a experimentação de novas sonoridades. O que se passou na noite de 12 de Abril no Cais do Sodré veio não só comprovar o efeito da “borla” mas também a vitalidade e diversidade da música portuguesa.

O programa das festas consistia em 13 concertos de diferentes géneros musicais que partilham a naturalidade (portuguesa) e a editora (a Optimus Discos). Os concertos tiveram lugar em diversos espaços do Cais do Sodré, aproveitando assim o hype que o antigamente designado “local de má fama” adquiriu nos últimos meses, centralizando quase tudo na “Pink Avenue” o que é o mesmo que dizer, na Rua Nova do Carvalho. O único local mais distante foi o Lounge.

Mesmo com a enorme promoção efectuada e o chamariz da “borla” nunca pensei que fosse possível tamanha adesão. Cheguei por volta das 22 horas com o objectivo de assistir ao concerto dos The Poppers, uma das bandas que encontraram na Optimus Discos um novo fôlego para a sua carreira. A fila era imensa e tal como é típico no povo português, as reclamações começaram a chover. “Porque é que ele entra e eu fico aqui fora?”, “Qual é o critério para entrar?”, “Podiam ter dito que era para ouvir os concertos na rua”. Com uma enorme paciência, o porteiro da Pensão Amor lá foi respondendo, tentando acalmar os ânimos: “Tem credencial? Então neste momento não pode entrar”, disse. Muitos desistiram, outros foram esperando com uma cerveja na mão.

Depois de algum tempo à espera (pouco, devido à credencial), consegui subir as escadas e encontrar os The Poppers num mini palco, perante uma Pensão Amor a rebentar pelas costuras e com o chão a tremer (por breves instantes pensei se o chão iria aguentar o peso e agradeci ao porteiro por não ter deixado entrar mais pessoas). Rock, suor e álcool. Um concerto cheio de energia de uma banda que sabe muito bem o que faz em cima do palco, muitas vezes subvalorizada mas que não se deixa abalar. Final do concerto. Muitas pessoas a sair, muitas outras nas filas para entrar. Da varanda da Pensão Amor foi possível visualizar as enormes filas para entrar nos diversos espaços.

Seguiu-se MIUDA. Depois de ter apresentado pela primeira vez o seu EP nas Noites da Rua em Outubro, o projecto ganhou uma outra projecção tendo conseguido algum airplay e notoriedade. Foi um concerto fraco. Ela disse que seria “cru”. Eu adicionava a expressão “sem sal”. Se não fosse o single onde ela diz que dorme com quem lhe apetece, teria passado despercebido a todos aqueles que se encontravam bem sentados na Pensão Amor a beber o seu copo. De realçar que o som e acústica da sala também não ajudaram.

Saí. Fui ver Capicua no Europa. Projecto interessante. Hip-Hop que conseguiu encontrar espaço nas mentes mais alternativas. Muito potencial para dar um novo twist ao Hip Hop nacional que parecia condenado à same old shit vezes sem conta. Não sou nenhum especialista em Hip-Hop, mas saí do Europa bastante satisfeito e com vontade de descarregar (ou perder a cabeça e até mesmo comprar) o disco deles. Ficou também provado que a escolha do Europa como local neste roteiro musical foi bastante infeliz. Com o palco “arrumado” a um canto a mobilidade tornou-se impossível. O conceito de urderground acenta-lhe como uma luva.

Quando estava prestes a ir para o Musicbox recebi uma chamada que me obrigou a regressar a casa mais cedo do que gostaria. Podia inventar e escrever sobre o que não vi. Prefiro não fazê-lo.

Recordo todo o programa da noite e os respectivos links para os álbuns Optimus Discos:

Pensão Amor
21h00 – Lucas Bora Bora – Sobre // Disco
22h00 – The Poppers – Sobre
23h00 – MIUDA – Sobre // Disco

Velha Senhora
21h30 – Pedro Cardoso
22h30 – Hello Atlantic

Lounge
23h00 – Nice Weather for Ducks – Sobre // Disco
00h00 -The Doups – Sobre // Disco

Musicbox
22h45 – Best Youth – Sobre // Disco
23h45 – Souls of Fire – “É o que é”
01h00 – Sobre // “Tudo Floresce”
02h00 – Balla Redux

Europa
23h30 – Capicua – Concerto na ZDB // Disco – “Capicua”
00h30 – Chullage – Disco

O sucesso da noite Optimus Discos serve também para todos fazermos uma reflexão sobre o actual panorama musical português. Quando a quebra do mercado discográfico se acentuou e a pirataria disparou, os artistas conseguiam balançar e até mesmo “aparecer” através dos concertos. O download legal através de editoras como a Optimus Discos é uma excelente forma de dar a conhecer o trabalho dos artistas e com isso permitir-lhes ter mais datas ao vivo. Se a solução passar por “concertos de borla”, o futuro de grande parte destes artistas passará pelas campanhas de marketing de grandes empresas. Será que este é o modelo ideal para a nova música portuguesa?



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