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Noites da Rua # 4 @ Musicbox

Uma noite para ficar na memória.

A tinta cor-de-rosa que cobre a estrada da Rua Nova de Carvalho dá outra alma à própria zona. Mais uma vez, a noite foi longa. Vimos o sol a nascer e, com ele, o sentimento de missão cumprida. A “Noites da Rua @ Musicbox” é cada vez mais uma opção na noite lisboeta, para quem gosta de programas alternativos e, ao mesmo tempo, simples. Gostamos de receber todo o tipo de gentes: os amigos, os leitores, aqueles que vêm apenas por curiosidade… e esperamos que por cá se continuem a divertir.

Não estiveste presente na Noites da Rua # 3 e/ou não sabes o que perdeste? Nós relembramos. Data Estrelar: 10 de Novembro de 2011, data do nosso aniversário (já passaram mesmo oito anos?!). Pretendíamos que tudo corresse na perfeição, mas acabou por não correr da maneira como sonhamos – apenas em termos de público. Os músicos… esses brilharam! Os a Jigsaw apresentaram maioritariamente os temas do seu último álbum, “Drunken Sailors & Happy Pirates”, onde o folk americano lhes corre nas veias e, também, na sonoridade que constroem. Para dar ritmo e vivacidade à noite, convidámos os britânicos The Horn The Hunt (THTH) que tocaram pela primeira em Portugal e para acabar da melhor forma, colocamos Londres dentro do Cais do Sodré com o português ZNTN e com Dan Avery / STOPMAKINGME. Os beats, os loops, os discos e os copos ficarão para sempre na memória de quem esteve presente.

Para continuarmos a subir no ranking das “noites mais divertidas e proveitosas”, apostámos num cartaz bastante diversificado para esta quarta noite. Os primeiros convidados a pisar o palco do Musicbox foram os Memória de Peixe. Este duo lança o seu primeiro EP em Janeiro do próximo ano sob a chancela da Lovers & Lollypops, cujo trabalho que tem vindo a desenvolver no apoio, divulgação e lançamento de novos talentos na música portuguesa merece todo o nosso respeito e admiração.

Os cérebros dos Memória de Peixe são o Miguel Nicolau (loops, guitarra, baixo, entre outras coisas que ele está a descobrir) e o Nuno Oliveira na bateria. Entre eles, a harmonia existe e a cumplicidade é a linguagem perfeita para ser transmitida a todos. Se estavam a espera de ouvir músicas com letras, esqueçam. Mas a falta delas não é um lapso e ainda bem que não existem. Os riffs da guitarra escrevem-nas bastante bem e dão a ilusão de que existem e contam-nos histórias.

Ao todo tocaram sete músicas, entre as quais «Fish Tank» e «Fish&Chick». Esta última é o primeiro single da banda e contou com a própria Da Chick em palco a brilhar, repetindo “You got a keep on dancing”. Sem dúvida, um grande cartão-de-visita para o grupo.

Os Memória de Peixe têm um rock animado, dançável q.b. e lavável, pois serve (e bem) para ouvir em repeat no iPod quando se vai correr no parque para aproveitar o sol de Inverno. Já agora, e porque nos últimos dias se lançam palpites de nomes de bandas para preencherem os cartazes de festivais de verão, eles enquadram-se num Paredes de Coura. Ao vivo, deu para perceber que nenhum deles tem memória de peixe e que este concerto ficará na memória de todos!

MEMÓRIA DE PEIXE – DAY JOB from MOOPIE VIDEOS © on Vimeo.

De seguida, um outro duo perfeito deslumbrou em palco – Osso Vaidoso. Ana Deus e Alexandre Soares soltaram as letras carregadas de poder, que chegam ao nosso interior e infiltram-se dentro dos ossos para nos fazer pensar.

De guitarra na mão, Alexandre Soares demonstrou que a música tem um elevado poder que destrói todas as barreiras; os limites da imaginação humana; e fez igualmente sobressair a voz de Ana Deus de uma forma límpida e sem esforços. A performance foi minimalista, nua e crua.

Consigo trouxeram as 11 músicas que dão corpo a “Animal”, o álbum lançado pela Optimus Discos e que todos devem escutar no mínimo 11 vezes!

Os Osso Vaidoso conseguiram provocar-nos com «Elogio da Pobreza», soltar o «Animal» e fazer contas «Matematicamente». «Poligamia, quem não queria um dia» foi outra das canções cantadas cujo poema “foi-nos oferecido pelo Valter Hugo Mãe”, disse a vocalista. Houve tempo para «Cola Cola Song» e «Bem Mal» que se trata de uma tradução de um poema de Charles Cros, o homem que inventou o gira-discos.

O regresso ao passado também se fez sentir. Ficou certamente na memória a interpretação de «Descapotável» e «Olho da Rua» que os mais nostálgicos recordaram dos Três Tristes Tigres.

O público pareceu agradado com o regresso aos palcos destes veteranos da música nacional e de quem tínhamos saudades. Onde querem que passam, os Osso Vaidoso deixam as suas marcas e por isso repetimos – deixem o Osso passear alegremente nas vossas vidas e que se torne cada vez mais vaidoso nos vossos leitores de música.

Vindo directamente do Porto para animar a madrugada e a malta que continuou empolgada durante toda a noite, o set da companhia discográfica (que também organiza festivais e promove concertos) Lovers & Lollypops incendiou a pista de dança. A versão Soundsystem chegou-nos através de Joaquim Durães e Nuno Dias, que durante algumas horas provaram que os seis anos de existência, que estão agora a comemorar, foram bastante intensos e prazerosos musicalmente. Quem gostou pode um pouco do trabalho da editora sempre que quiser, fazendo o download do álbum que a L&L lançou recentemente pela Optimus Discos. Músicas feitas por portugueses, de grande qualidade e que elevam a premissa máxima de que somos pequeninos, mas podemos singrar e levar o nosso nome para todo o lado. São estilos variados, que fundem o rock com o pop, com o kuduro e novamente as profundezas do rock, que depois sai cá para fora e bate tudo numa liquidificadora em que o resultado final revela-se contagioso nos nossos ouvidos.

Nasceu em Braga e é por lá que vai explodir nos próximos dias, mas foi no Musicbox que rebentou a bolha. André Vaz, mais conhecido por Granada, acendeu o rastilho e acabou por arrasar. Para concluir, o VJ John Holmes, que já é prata da casa, iluminou a tela do Musicbox com o seu trabalho acompanhado de grandes banda-sonoras.

Para a próxima Noites da Rua # 5, a 12 de Janeiro, espantem-se com a elevada qualidade artística que vamos apresentar: o showcase dos Hã!, a dupla lisboeta que faz questão de ter como nome a palavra mais pronunciada em Portugal e que surgiu este ano na compilação “Novos Talentos FNAC”, e a apresentação do novo álbum dos portuenses :papercutz, que muito burburinho tem vindo a gerar e que conta com a produção do conhecido Chris Coady. No Clubbing teremos a presença da Iberian Records, a editora que liga Lisboa a Barcelona e essa ponte será eclipsada com um com um Live Act especial – Niño, o furacão da Catalunha.

O ano de 2011 está a terminar e, como já foi dito, temos o desejo de missão cumprida e de que conquistámos os vossos corações. Da nossa parte desejamos-vos umas festas felizes; cuidado com os cogumelos e com o Pai Natal. Com os quilos que podem ganhar nesta época, não se preocupem. A próxima “Noites da Rua” vai deixar-vos K.O. e promete abater essas calorias extra.

Vejam a galeria fotográfica por Graziela Costa aqui. As “Noites da Rua” contam com o apoio da Lacoste L!VE.



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