North Music Festival

North Music Festival | Dia 1 (25.05.2018)

Os olhos demoram a digerir o cenário de um palco encaixado entre o “nobre casario da ribeira” que ontem, é certo, dormiu mais tarde e o rio que corre sereno transportando barcos de turistas que não ficam indiferentes ao que se passa na margem.

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Se fecharmos os olhos por momentos podemos imaginar que vamos num barco que embora imóvel nos há-de levar a navegar por um rio de sons musicais.
O céu cinzento ameaça chuva mas por momentos o escasso público que fez questão de marcar presença desde que as portas se abriram é brindado pelo espetáculo de um magnífico pôr-do-sol que “obriga” a descarregar um pouco das baterias dos telemóveis mas sem loucuras que a festa vai ser longa.

Da Chic
Por volta das 19:15h Da Chic dá início à “navegação” para um número ainda reduzido de “passageiros” que apesar de tudo não resistem ao apelo colorido e irreverente da sua música e vislumbram-se desde logo os primeiros movimentos corporais que acompanha. Após as primeiras músicas apela ao público presente que se aproxime do palco e o seu apelo é correspondido e a “sala” fica mais composta. A “viagem” apesar de curta permitiu dar a conhecer o seu mais recente EP «Call Me Foxy» e mostrou que havia energia e vontade para mais quando pediu à organização para “cantar mais duas” mas já não havia tempo porque outras sonoridades aguardam a sua vez.

Linda Martini
Num cenário já mais composto de “passageiros” o “barco” rumou para sonoridades bem distantes das proporcionadas por Da Chic e entrou no universo rock de uma banda que apesar dos seus mais de 15 anos de existência continua a inovar álbum após álbum sem perder em momento algum a sua identidade. A banda aproveitou a oportunidade para intercalar temas do seu mais recente álbum “Linda Martini” lançado em fevereiro com músicas dos seus álbuns passados como Panteão ou Amor Combate. Extremamente competentes mostraram que têm adeptos, “genica” e reportório para lutar de igual para igual com os cabeças de cartaz nessa disputa nem sempre consensual de “tempo de antena”.

Guano Apes
Grande parte dos “passageiros” que entraram no “navio” são fiéis seguidores dos Guano Apes e os que não o eram por certo não deram o seu tempo como perdido. Foi num recinto já com uma afluência elevada, que nem a chuva que por vezes caia fazia esmorecer, que a banda Alemã de rock alternativo subiu ao palco e desde logo levou os “passageiros” a “remarem consigo” durante cerca de 1h30m. Se a aniversariante Sandra Nasić foi brindada pelo público com um “Happy birthday to you…” coletivo, foi ela que deu as prendas com temas como “Open Your Eyes” ou “Lords of the Boards” entre outros a serem alvo de uma performance energética que levou a movimentos mais descontrolados dos corpos. Pelo meio espaço para muita interação com o público fosse o tema os 5 dias que ia passar no Porto, fosse a chuva ou mesmo o jornalista que na sua cabina de trabalho escrevia no pc e foi convidado a deixar a trabalho para usufruir do concerto porque “não era hora de trabalhar”. De uma coisa não restam dúvidas, a banda continua sólida e Sandra é dotada de um aparelho vocal fora do normal que lhe permite atingir registos não muito habituais de decibéis seja a cantar seja nas muitas frases gritadas com que vai comunicando com o público. No encore nada melhor que a versão musculada do tema dos Alphaville “Big in Japan” para arrebatar de vez o público.

Gogol Bordello
Quando o vocalista, de origem ucraniana, Eugene Hütz entrou em palco mostrou de imediato ao que vinha, casaco de couro repleto de crachás, coldres amarrados nas pernas em que as armas foram substituídas por flores e na mão uma garrafa de vinho tinto que havia de ir derramando no palco no meio da sua performance que transbordava energia e que transportou o público durante 2 horas pelas músicas do seu álbum mais recente “Seekers & Finders” lançado em 2017 não descurando os mais vibrantes e conhecidos temas antigos como “Wonderlust king” e “Start wearing purple”.
Se os Guano Apes arrebataram o público os Gogol Bordello deixaram-no num “ko técnico” sem possibilidade de recuperação. A banda multiétnica americana fundada em Nova Iorque em 1999 e que se auto-classifica como gypsy punk não deixou quem esperava um concerto energético desiludido. Na realidade frenético será mesmo a palavra-chave para aquilo que se passou com o “barco” a ondular ao ritmo de uma mistura de sons anárquica e difícil de classificar mas estranhamente apelativa inclusive para os corpos mais preguiçosos que sem intenção “sofriam espasmos” que os levava a movimentar-se mais do que o que tinham imaginado.

Destaque ainda para os Dj’s Ermo e Xinobi que fecharam a festa do primeiro dia no belíssimo entorno do palco Dance.

Texto por José Graça e fotografias por Maria Inês Graça.



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