North Music Festival

North Music Festival | Dia 2 (26.05.2018)

A perspetiva para o segundo dia era de maior afluência de público e a quantidade de pessoas que aguardavam desde logo a abertura das portas era sinal disso mesmo.

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O facto de ser sábado e o sol radioso que brilhava num céu azul em muito contribuíam para este facto. Espalhados no meio da multidão logo à partida era possível ver muitos festivaleiros equipados a rigor com “as cores” dos The Prodigy, não deixando qualquer dúvida que hoje era dia de “jogo grande” no recinto.

Foi também outro jogo, neste caso o da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Liverpool que mostrou que a organização estava atenta ao que se passava à volta do festival e que levou a que mesma optasse que este jogo de futebol fosse transmitido em ecrã gigante no espaço dedicado à música eletrónica. E foi aposta ganha a julgar pelo número de fãs do desporto da bola que preenchiam o referido local. Ganhou a bar de cerveja que se encontrava no local perderam temporariamente as bandas que atuavam no momento.
Mas um festival é isso mesmo, diversão que vai para além da parte musical. E este, prometia a organização, ia primar pela diferença e pelas boas condições oferecidas aos festivaleiros. A julgar pelos comentários de quem experimentou os passeios de barco, a área de tatuagens, a área Fnac, os vários bares com destaque para os de promoção dos vinhos do norte, as condições das casas de banho e a variedade de soluções em termos de alimentação, foi uma aposta ganha.

É certo que alguns pormenores correram menos bem, como a situação absurda da venda de bebidas através da compra de senhas numa caixa centralizada que chegou a ter filas com algumas dezenas de metros, mas o mais importante foi a rápida analise e resolução por parte de uma organização sempre atenta e presente que permitiu resolver este e outros pequenos problemas que foram surgindo.
Mas da mesma forma que sem ovos não se fazem omeletes também sem música não se fazem festivais pelo que é importante falar de música e de um dia muito marcado pela música portuguesa já que três das quatro bandas que atuaram neste dia eram prata da casa. Mais uma aposta corajosa e arrojada da organização que por certo a música portuguesa agradece.

Vamos ao filme do que se passou no palco principal…

First Breath After Coma
Com a pontualidade britânica que marcou o festival, às 19h já a banda de Leiria entrava para dar início às hostilidades do segundo dia e agradecia a oportunidade de voltarem a tocar ao vivo depois de um longo período em que estiveram focados a trabalhar em estúdio no terceiro álbum. Se iniciaram com pouco público, ao longo da sua performance foram aumentando o número de seguidores facto que não será alheio ao excelente desempenho da sua atuação que por certo teve um impacto positivo nas muitas pessoas presentes no recinto que pouco ou nada conheciam da sua música. Além de temas novos a banda passou por temas do aclamado álbum “Drifter” de 2016 que parte do público mostrava conhecer de fio a pavio.

Slow J
Teve concorrência do jogo da champions mas não se deixou abalar e preencheu o palco com o seu “slow” rap misturado com outras sonoridades. Quando o público respondeu afirmativamente á sua pergunta “posso me sentir em casa?” abriu efetivamente as portas para um “diálogo” de amigos marcado aqui e ali pelo escárnio habitual ao rap. O público cantava as suas músicas de início ao fim com destaque para a muito conhecida “Vida Boa” e Slow J retribuía com um sorriso sincero de quem estava de satisfeito e de quem “ia de férias na próxima semana”.

Mão Morta – Mutantes S.21
Um dos concertos mais aguardados do dia tinha a particularidade, rara diga-se de passagem, de ser cantado em português. A outra particularidade era ser um concerto para “apresentar” um disco intemporal que festejou faz pouco tempo 25 anos.
Os sons e as letras da banda bracarense lideradas por um irreverente e por vezes mordaz Adolfo Luxúria Canibal não deixam ninguém indiferente. As imagens que ilustram as músicas por vezes têm o dom de serem tão ou mais marcantes que a própria música que sai da boca de Adolfo sob a forma de poesia obscura, crua e dura sem direito a bolinha vermelha no lado direito a avisar que pode ferir suscetibilidades. Nem o grupo de cinco agentes da PSP que protegiam o evento ficaram indiferentes ao que se passava em palco chegando mesmo um deles a referir “a música deste gajo é fixe mas falam todas em sexo, sangue e drogas”. Este agente provavelmente sem saber acaba de descrever o que foi o lançamento do álbum Mutantes S.21 numa noite de 1993 no Theatro Circo que teve todos estes “ingredientes” presentes e que acabou com o Theatro destruído.
As letras que por vezes iniciam num tom quase descritivo levam-nos a “viajar a um mundo alucinante e violento” muito ao jeito do filme “Feios, porcos e maus” de onde somos resgatados a maior parte das vezes pelos gritos musculados de Adolfo Luxúria Canibal.
A atuação passou, entre outros, por temas do Mutantes S.21 como «Shambalah», «Marraquexe», «Paris», «Istambul», «Budapeste», «Berlim» e «Lisboa». Fora do Mutantes S.21 destaque para um tema muito apreciado e comentado pelos referidos agentes da PSP «Bófia».
No final o público queria mais mas Adolfo Luxúria Canibal referiu que não era possível e que a culpa do concerto ser curto se devia ao facto dos discos da altura só poderem ter 12 faixas com um máximo de 40 minutos. Durou o dobro e quem viu não vai esquecer tão cedo.

The Prodigy
Nem os mais de 60 minutos necessários para “vestir” o palco a rigor (câmaras de videovigilância, sirenes e arame farpado) tiveram o efeito de esmorecer o quase completo recinto. Tal como sucede quando atuam as bandas cabeça de cartaz também os The Prodigy esvaziaram todas as áreas suplementares do festival e concentraram todas as atenções no palco principal.
Com medidas de segurança suplementares junto ao palco, a banda inglesa encabeçada por Maxim Reality de rosto pintado, e Keith Flynt com uns quilos a mais mas com a sua dupla crista característica abriu o “combate” com o tema «Omen» que faz parte do álbum de 2009 “Invaders must die” e logo aqui se percebeu que o público ia ser levado numa maratona de sons cibernéticos e que seria necessário ter as baterias bem carregadas para acompanhar o que se iria passar.
Os The Prodigy foram como um furacão de energia que passou no recinto e que contagiou as cerca de 15000 pessoas presentes, que abrangiam várias faixas etárias, com temas como «Smack my bitch up», «Firestarter» ou «Voodoo people» levando-as a um estado de levitação que por vezes era interrompida por um ou outro encontrão vindo de alguém que acatava as ordens da banda e fazia “mosh”. No fundo os The Prodigy entraram “a matar” e saíram ao fim de quase duas horas de intensa partilha de energia como se estivessem prontos para fazer tudo de novo perante um público que teve de transpirar e muito para os conseguir acompanhar.
Por certo quem já tinha visto a banda britânica noutras paragens não ficou desiludido com o que se passou na Alfandega do Porto e os estreantes não tenho dúvidas que ficaram rendidos ao espetáculo psicadélico a que assistiram e que foi apelidado por muitos dos que assistiram aos dois dias do festival como o melhor concerto de todos.

Destaque ainda para os competentes Dj’s Ride e Rich&Mendes que tiveram honras de encerramento do festival no palco Dance.

Texto por José Graça e fotografias por Maria Inês Graça.



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