Norton

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Nem tudo é frio no Inverno de Castelo Branco

O novo disco dos Norton é uma injecção de luminosidade e esperança por parte duma banda que procura acima de tudo “transmitir boas sensações a quem [a] ouve. É isso que também transmitimos entre nós quando tocamos estas canções”, explica Rodolfo Matos, que entrevistámos a propósito do seu recém-editado álbum.

Com início em Vila Velha de Ródão há cerca de 15 meses, “Norton” teve como embrião uma semana de isolamento que resultou na composição das canções que viriam a constituir o disco. “No regresso à nossa sala de ensaios foram horas a fio de improvisos, até chegar às ideias que mais nos agradavam, para depois as tornarmos em canções” conta Rodolfo. Depois, foi uma questão de gravar os temas no Golden Pony Studio em Lisboa, com a ajuda de Eduardo Vinhas, com quem a banda diz ter uma sinergia única.

“Norton” adopta o nome do conjunto, não só por falta de consenso, mas também para que possibilite que o grafismo tenha o espaço que merece, sem qualquer tipo de interferência. Além disso, espelha “o facto deste material ser mais directo. Estas canções são as mais intensas e mais rápidas que alguma vez e fizemos.”

E como não há regra sem excepção, o tema «Directions», de clara influência cinematográfica, insinua outra direcção para a banda, sendo os próprios a sugerir que “ficava bem numa cena de um filme. Quem sabe numa longa-metragem da Sofia Coppola?”

De facto, esta não seria a primeira experiência dos Norton no território do Cinema, pois já em 2010 assinaram a banda-sonora do filme português “Um Funeral à Chuva”. Em comum com o universo cinematográfico, os Norton têm também o facto de metamorfosearem as suas histórias e experiências de vida na sua obra.

Não é a toa que «Magnets», o single escolhido, nos remete para o universo da pop portuguesa dos anos 90, via Bee Keeper, pois foi lá que a maioria dos membros dos Norton começou: “Eu, o Leonel e o Manuel tinham bandas na editora (Alien Picnic e Plasticine), por isso temos um carinho muito especial pelo trabalho da Elsa. Fizemos parte da cena do final dos anos 90, que nos deu muitas defesas e nos ensinou maneiras de estar na música que ainda levamos connosco”.

Únicos sobreviventes de “Super Castelo Branco”, uma compilação de 2005, os Norton são de certo modo a cristalização desse período musical albicastrense. “Era uma altura muito interessante e onde pontuavam vários estilos musicais. E Castelo Branco era um ponto em Portugal, fora dos grandes centros urbanos, com muita electricidade. Havia também uma comunhão muito boa entre as bandas. Actualmente isso perdeu-se um pouco“.

Editado tanto em vinil (vermelho), como em CD ou no formato digital, “Norton” é o terceiro disco da banda a ser editado no Japão, cujo primeiro concerto da digressão de promoção teve lugar a 15 de Março no Teatro do Bairro Alto. Além de Portugal, a banda terá também três datas espanholas, e assumem que estão “ansiosos por tocar este disco em palco!”.



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