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NOS Alive! 2016 | Dia 3 (09-07-2016)

Classe, entrega e energia

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Os Galgo foram uma excelente surpresa no Coreto do NOS Alive!. Cheios de vontade de mostrar serviço, enérgicos e a espaços a fazerem lembrar uns Paus (elogio!). É, com toda a certeza, mais um nome a seguir com atenção.

Os Calexico nunca desiludem. Classificá-los de competentes seria desprezá-los porque eles fizeram muito mais do que isso. São músicos completíssimos; a percussão, os metais, as cordas. Está tudo lá, conjugado de forma perfeita e nas doses ideais. Há rock, há ritmos latinos, sons mariachis e jazz. É fácil imaginar o deserto do Arizona enquanto escutamos os Calexico mas, ao mesmo tempo, conseguimos sentir que eles estão no sítio certo e a tocar na hora certa, ali mesmo, para nós.

A hora do dia era perfeita para o José González. O pôr-do-sol é perfeito para assistir a um concerto em que a guitarra acústica entrelaçada com percussões suaves falam mais alto. O problema é mesmo a falta de respeito que muito público continua a demonstrar, não só para quem quer ver e ouvir mas, acima de tudo, para quem está sob o palco a tocar. O alinhamento do concerto, para gáudio dos que estavam realmente e ouvir, incidiu maioritariamente sobre os trabalhos anteriores ao mais recente “Vestiges and Claws” que, embora não seja de todo um mau álbum, nunca se conseguiu afirmar com a clareza dos seus antecessores. Também não faltaram os covers de Kylie Minogue («Hand on Your Heart»), Massive Attack («Teardrop») e The Knife («Heartbeats»), bem como uma canção da sua outra banda, os Junip («Walking Lightly»). Merecia mais.

Confesso que quando escuto os primeiros acordes de «Is There a Ghost» dos Band of Horses tive uma esperança de que íamos assistir um concerto animado mas infelizmente isso não se verificou… A banda de Seattle limitou-se a tocar algumas canções e a servir de aquecimento para os Arcade Fire. Faltou a intensidade e a entrega vistas noutras ocasiões. Talvez o palco fosse demasiado grande para a banda, talvez o cansaço tenha falado mais alto (era o último concerto da digressão). A verdade é que algo faltou. A última canção foi a bela «Funeral», como que a anunciar os senhores que se seguiriam no palco NOS.

Houve tempo para uma rápida passagem pelo palco Heineken para ver os PAUS; iguais a si próprios e únicos. Com a bateria siamesa sempre a dar cartas, sempre no sincronismo perfeito… «Era matá-lo é / Era matá-lo só / Só assim conseguias calá-lo, só».

Segue-se uma corrida para arranjar uma boa posição para ver os Arcade Fire. E o que dizer dos canadianos? Vamos colocar as coisas de forma simples. Foram soberbos. Mais uma vez. «Ready to Start» é uma escolha óbvia para abrir o concerto. Seguem-se as «The Suburbs» e a «Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)», com a voz deliciosa de Régine Chassagne. É o álbum “The Suburbs” em todo o seu esplendor, com a sua faceta de rock e de electrónica. «Reflektor» traz à memória Bowie. «Afterlife» é como um farol que nos ilumina e que nos enche de esperança. «We Exist» com a sua mensagem fortíssima de igualdade. A intensa «Normal Person», uma das canções mais rock de “Reflektor”. Chega a altura de visitar “Neon Bible”. Notem que estamos apenas a meio e já estamos de coração cheio. «Keep the Car Running» e «Intervention» em primeiro lugar e depois a arrepiante «My Body Is a Cage»; “My body is a cage that keeps me / From dancing with the one I love / But my mind holds the key”. Arrepia. Mesmo. «We Used to Wait» surge, quase que do nada para nos relembrar que noutros tempos as coisas eram mais simples. Tínhamos menos pressa de viver. «No Cars Go» é o hino que é sempre apresentado como “uma canção que escrevemos há muito tempo”. «Ocean of Noise» conta com a presença dos Calexico em palco. A recta final do concerto centra-se em “Funeral”, para muitos a obra maior dos Arcade Fire (e é bem capaz de o ser!). Primeiro vieram as Neighbourhoods, a «Tunnels» em primeiro e a «Power Out» em segundo, com Win a cantar “Is it a dream? Is it a lie? / I think I’ll let you decide”. Não sabemos bem o que pensar. «Rebellion (Lies)» tem contornos épicos. «Here Comes the Night Time» traz ao palco as máscaras dos cabeçudos, versão de Nova Orleães. Por último, e para encerrar em beleza, surge a «Wake Up». E o coração quase não cabe no peito de tão cheio que está.

Era enorme a expectativa para ver Grimes. Tão grande quanto a incógnita relativamente ao que iríamos ver. Como soariam ao vivo as canções de Claire Boucher, com uma base tão electrónica e repletas de efeitos vocais. A resposta foi dada de forma cabal. Quase sempre acompanhada em palco por três bailarinas que, a par de Grimes, não pararam por um momento. Gritou-se muito (em especial na «Scream», mesmo sem a presença da Aristophanes). O alinhamento repartiu-se entre o mais recente “Artangels” e o anterior “Visions” e impressionou o entusiasmo com que canções como «REALiTi» (logo a abrir), «Flesh Without Blood», «Genesis» ou «Oblivion» foram recebidas, uma após outra. A fechar o concerto esteve a explosiva e única «Kill v. Maim», escrita na perspectiva de Al Pacino no Padrinho III, com a pequena excepção de ele ser um vampiro que pode mudar de sexo e viajar pelo espaço. Pormenores…

O NOS Alive! vai regressar em 2017 nos dias 6, 7 e 8 de Julho.



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